Muito se tem discutido sobre a questão que dá título a este artigo, mas é importante ressaltar que a pergunta que fizemos não tem a intenção de criar confusão ou polêmica entre os amantes de jogos para PC. Muito pelo contrário, na verdade nós temos a resposta, e podemos dizer com propriedade que é NÃO.

Pode parecer que a indústria de jogos para computador está em decadência, devido à quantidade pequena de games que estão sendo lançados. Mas isso não é culpa de crise mundial, queda na bolsa ou desinteresse do consumidor. O esfriamento do mercado de games para PC está acontecendo porque as empresas desenvolvedoras estão segurando seus investimentos e focando mais nos vídeos games.

O PC gamer não morrerá

É simplesmente irresponsabilidade dizer que os jogos para PC acabarão, como muitos especuladores fazem. Um breve passeio pelas notícias de tecnologia — algumas publicadas aqui no Baixaki — mostrará que o mercado de jogos para PC continuará existindo ainda por muito tempo, pois ele se prepara todos os dias para lançar novidades que deixam os gamers ainda mais alucinados.

Um exemplo é o novo chip da NVidia, que está previsto para chegar no mercado já em março deste ano. O GF100, codinome Fermi, promete deixar completamente obsoletas as placas de vídeo mais hardcore da atualidade (leia-se Radeon). A arquitetura é tão poderosa que poderá aliviar o processador central, assumindo a responsabilidade por algumas tarefas dele.

Imagem de divulgação do site da NVidia

Outro argumento que podemos usar para defender a existência da indústria de games para PC é que a tecnologia dos computadores ainda é muitas vezes superior à usada nos vídeo games. Apesar de serem máquinas destinadas e preparadas para jogos, a qualidade da tecnologia envolvida nos vídeo games e a própria qualidade dos jogos (gráficos, controles, etc.) é muito superior em computadores bem equipados.

Sendo assim, não faz sentido dizer que os jogos de PC deixarão de existir porque as empresas estão em busca de melhorias todos os dias, e nos surpreendem com suas criações. Os vídeo games, por outro lado, são máquinas “estagnadas”, que não podem ter sua “placa de vídeo” melhorada, por exemplo. Quando você compra um vídeo game, é aquilo e pronto. Não há espaço para grandes atualizações de hardware, como acontece com os computadores.

A qualidade gráfica e interatividade oferecida pelo computador ainda é insuperável. Os vídeo games não oferecem a versatilidade que o PC oferece, como a possibilidade de se controlar seu personagem com o mouse em um FPS. Para quem está acostumado com jogos de tiro no PC, mudar para um vídeo game será extremamente irritante, já que os controles são menos confortáveis e reduzem a precisão necessária para os jogos de tiro.

Imagem do jogo MAG, FPS para PS3

Teoricamente, isso poderia ser resolvido nos vídeo games se fossem lançados teclados e mouses, ou no mínimo o suporte a eles. Entretanto, as fabricantes de vídeo games são sempre categóricas quando questionadas sobre a inclusão do suporte a esses acessórios: NÃO. Os vídeo games são estações feitas para que o jogador fique sentado confortavelmente, ou até mesmo deitado ou em pé. O computador não permite essa mobilidade.

Você já pensou em jogar um RTS (real time strategy) no vídeo game? Pergunte para qualquer fã da categoria e provavelmente ele responderá que é impossível. Exageros à parte, podemos dar como exemplo o Starcraft, que é extremamente rápido e requer reações velozes do jogador. O joystick é um grande empecilho nesse quesito.

Por outro lado, um jogador viciado em Rock Band achará inconcebível tocar suas músicas no PC, com a tela do monitor, que geralmente é bem menor do que as televisões que atualmente povoam a casa dos jogadores.

Resumindo, ambas as categorias de equipamento têm seu espaço garantido, pois oferecem recursos e estrutura específica para o que se propõem.

Ameaça constante

Mas se a popularização dos vídeo games e o superaquecimento desse mercado não ameaçam os jogos de computador (nem vice-versa), porque o mercado de jogos para computador esfriou? A resposta já virou clichê: pirataria.

Empresas como a Microsoft, por exemplo, podem se esforçar para inibir a pirataria de sistemas operacionais e programas, mas extingui-la é praticamente impossível. No entanto, os desenvolvedores especializados em jogos perdem muito mais dinheiro com a pirataria dos games, fazendo com que alguns títulos simplesmente não sejam lançados para a plataforma PC, ou saiam com muito atraso em relação às versões para vídeo game.

Pirataria é o que mais esfria o mercado de games.

A versatilidade do PC esbarra na pirataria, pois a indústria não está dando conta de manter o mercado aquecido e aumentar as vendas, por mais que o seu jogo adquira popularidade, já que o fato de um game ser o mais jogado do mundo não quer dizer que ele é o mais vendido, por causa da pirataria.

Estratégias antipirataria

Lentamente, as empresas que fazem jogos para PC estão criando estratégias para inibir a pirataria. Algumas delas são até eficientes e inovadoras, mas nunca infalíveis.

A Valve, por exemplo, criadora de sucessos esmagadores, como Half Life e Counter Strike, tem o Steam, que é uma plataforma de comercialização e autenticação de games. Os jogos oferecidos através do Steam só podem ser jogados se o usuário fizer login no serviço e não é possível que um nome de usuário seja usado simultaneamente em dois PCs.

O Steam é uma evolução na forma como os jogos são distribuídos

Outra técnica antipirataria, que inclusive é repudiada pela Valve, é o um sistema chamado DRM. Não se trata de uma tecnologia específica, mas de uma série de limitações impostas aos jogadores, com o objetivo de evitar que o jogo seja pirateado. Entretanto, o DRM tem é uma prática abusiva em alguns casos, exigindo que o jogador cumpra certos requisitos para que seu game funcione.

Os fãs da série Assassin’s Creed ficaram extremamente felizes quando souberam que o segundo jogo da série seria lançado para PC e poderia ser adquirido através do Steam — ou seja, ninguém precisaria sair de casa para comprar o jogo —, mas quando os problemas começaram, o desânimo foi geral.

A Ubisoft incluiu uma forma de DRM no jogo, que consiste em manter a comunicação dele com o servidor da empresa enquanto o Assassin’s Creed II estiver sendo executado. Se a conexão for perdida, o jogador é literalmente chutado do jogo e seu progresso é perdido, forçando quem comprou legalmente o título a refazer todo o percurso desde o último salvamento.

DRM, a punição dos  inocentes

Se você resolver, por exemplo, jogar no seu notebook enquanto viaja, pode desistir e ir jogar paciência, pois não há como jogar sem uma conexão ativa com a internet.

O exemplo do Assassin’s Creed é só um dentre os diversos tipos de técnicas usadas para verificar se o jogador tem a versão original do game. Por mais controverso que pareça, muitas empresas apostam no DRM como a melhor forma de evitar a pirataria, simplesmente ignorando a opinião dos jogadores, que ficam completamente desanimados quando se deparam com problemas assim.

O que a indústria não percebe é que o DRM não impede que a pirataria continue, pois em questão de poucos dias (ou até horas!), já há na internet a versão pirata, que funciona independente de qualquer tipo de proteção adicionada pela empresa desenvolvedora. O jogo Mass Effect 2, por exemplo, estava disponível na internet antes de ser colocado à venda nas lojas.

Estratégias que funcionam

Louváveis são as atitudes de empresas que investem em jogos que só podem ser jogados online. Eles não possuem qualquer tipo de limitação, porque simplesmente não faz sentido. O World of Warcraft, que é o mais jogado da atualidade, com mais de 11 milhões de assinantes pagantes ativos, é um dos exemplos de estratégias que dão certo, tanto que seu sistema é claramente copiado a cada novo MMO que é lançado.

A ideia de poder jogar em um servidor dedicado, com suporte 24 horas e conteúdo sendo alimentado periodicamente, é muito mais interessante do que impor limitações direto na programação do jogo. Em sua página de ajuda, a própria Blizzard diz que o download do seu maior sucesso é completamente gratuito, o que torna a pirataria simplesmente inexistente.

World of Warcraft e Battle.net, exemplos de estratégia bem sucedida.

Lógico que, especificamente no caso do World of Warcraft, existem milhares de servidores “particulares” espalhados por todos os cantos do mundo, mas simplesmente nenhum deles chega aos pés da qualidade oferecida nos servidores oficiais. A quantidade de bugs e personalizações abusivas do jogo (como chegar ao nível máximo instantaneamente) torna os servidores particulares uma opção mais para conhecimento do jogo antes de partir para o oficial, do que uma opção permanente de divertimento.

A resposta definitiva

Depois de analisar todos os argumentos acima, chega-se à conclusão de que os jogos para PC estão longe da decadência. O que acontece na realidade é uma mudança no foco das empresas, que estão  dando menos importância ao PC e investindo mais em jogos para vídeo games, devido aos problemas com a pirataria.

Por outro lado, os mais espertos sempre encontram alternativas que não precisam prejudicar o jogador para combater a pirataria, como é o caso da Blizzard e outras empresas que apostam na fórmula de conquistar a fidelidade do jogador.

Tendo tudo isso em vista, humildemente o Baixaki dá um conselho aos desenvolvedores, em nome da comunidade gamer: invistam em fidelidade. Conquistem nossa preferência. É para isso que os investimentos devem ser voltados e é essa a guerra a ser vencida. Enquanto o jogador não achar mais interessante comprar o game do que baixá-lo via torrent, a pirataria não deixará de existir e o mercado não evoluirá.

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