Junto com processadores mais potentes e câmeras de melhor resolução, as telas também são aprimoradas constantemente, seja em material ou quantidade de pixels exibidos. Depois do Full HD (1080p), uma nova resolução surgiu para impressionar o consumidor e, quem sabe, conquistar o mercado. Trata-se do Quad HD (2K ou 1440p), que é o nome para o equivalente a 2560x1440 pixels.

Mas há quem diga até que as telas Full HD não são tão necessárias assim em um smartphone, quanto mais essa evolução — e argumentos como o alto custo, a imperceptibilidade das diferenças e a necessidade de aprimorar também outros componentes do gadget são sólidos.

Por isso, mesmo que uma nova tecnologia seja sempre empolgante, é preciso colocar a mão na consciência. Será que precisamos mesmo avançar tanto assim na quantidade de pixels e pontos por polegada?

A densidade de pixels

Primeiro, precisamos entender alguns conceitos. A "resolução" é a capacidade de ver duas fontes de luz muito próximas uma da outra. Dependendo da distância em que seus olhos estão dos dois objetos, eles parecem um único item. É só quando ocorre a aproximação que é possível notar que, na verdade, trata-se de duas coisas diferentes.

Mas não é só isso que importa no aparelho. Os pixels por polegada (ppi) significam exatamente o que o nome diz: a quantidade de pixels ou pontos existentes em uma dessas unidades de medida. O valor significa que quanto mais pixels estiverem em um mesmo espaço, melhor a definição das imagens e a qualidade proporcionada. Essa "densidade" se reflete em nitidez e vibração de cores, por exemplo.
Dos aparelhos que contam com a resolução Quad HD, o LG G3 e o Oppo Find 7 têm 538 ppi. A versão mais potente do Galaxy S5, a LTE-A (que era chamada de Prime), tem 576 ppi, enquanto o phablet Galaxy Note 4 tem 515 ppi.

Jogada de marketing?

Pegue as especificações técnicas de qualquer aparelho e a resolução da tela sempre está lá como um dos destaques. O avanço é realmente impressionante: em cerca de quatro anos, passamos de displays de 800x480 pixels para o 1440p. Mas isso não deve encobrir a discussão sobre se o salto é realmente tão considerável.

O LG G3 (acima, Quad HD) contra o HTC One M8 (abaixo, Full HD).

O que as fabricantes acham disso? A Samsung alega que o Quad HD da empresa é 187% mais claro que o Full HD, enquanto a Sony não vê razão em sair agora do Full HD. Na apresentação do iPhone 4, Steve Jobs afirmou que 300 ppi é o número máximo para que o olho humano diferencie os pixels quando segura o aparelho a uma distância de 25 cm a 30 cm — mais do que isso seria um exagero. Ele não estava totalmente errado, já que há embasamento da Física para comprovar esse “limite”, mas isso não significa que displays mais potentes sejam inúteis. Elementos como tamanho do aparelho e distância de visão também devem ser levados em conta.

Os argumentos contrários

A maior crítica de quem não é a favor do Quad HD tão cedo no mercado envolve o conceito de que as empresas estão vendendo algo que você nem precisa ainda. Ou seja, você nota a mudança de resolução olhando ao mesmo tempo para várias telas de diferentes resoluções, caso elas estejam lado a lado, nas mesmas condições de brilho e exibindo o mesmo conteúdo. Mas, sem efeitos comparativos e para uso cotidiano, a diferença não seria tão gritante assim.

E a tal revolução não acontece de graça: o processamento exige um consumo bem maior de bateria. Outro problema é que não adianta melhorar as telas cada vez mais enquanto outros componentes permanecem estagnados. A Quad HD requer mais poder de processamento para exibir tantos detalhes, sem contar uma GPU cada vez melhor para rodar jogos, principalmente em 3D, e fazer com que a tal resolução valha a pena.

Essa demanda do processador traz outra questão: se um smartphone Quad HD usasse a tela Full HD, ele teria um desempenho aprimorado. Para comparar, usando o Geekbench 3, é só pegar o LG G3 (Quad HD) e notar que ele fica atrás de modelos como Galaxy S5, OnePlusOne e Motorola Moto X, apesar dos quatro apresentarem o mesmo processador Qualcomm Snapdragon 801. A diferença? A resolução 1080p na tela dos três últimos.

Os elogios

Pegue um LG G3 ou um Galaxy S5 Prime na mão e brinque com o aparelho em todas as funções. Não há como não se surpreender e admitir a qualidade: as cores parecem mesmo extremamente nítidas, o conteúdo surge de forma fluida e o brilho parece calibrado sempre da forma correta.

No Quad HD, quando um zoom é aplicado em fotos, ícones ou textos de páginas abertas no navegador, a diferença também surge: mal parece que você alterou a proporção original. Reproduções em Full HD são beneficiadas, já que vários pixels “sobram” e podem ser usados para conteúdos adicionais.

Além disso, se as fabricantes de todos os lados precisam fazer o 1440p valer a pena, o consumidor só tem a ganhar com isso. O ritmo da indústria e das pesquisas está extremamente acelerado e avanços não param de acontecer. Os gadgets estão cada vez melhores em um espaço mais curto de tempo e nenhum freio parece capaz de segurar esse ímpeto.

Um bom exemplo é a nova geração de chips Snapdragon 805. Ela deve aumentar em 40% o desempenho da GPU, o que pode realmente permitir games que pareçam mais deslumbrantes no Quad HD. Há ainda o Tegra K1, líder isolado em testes comparativos.

Eu realmente preciso me importar?

Seja sincero: você realmente nota diferenças gritantes entre o HD e o Full HD em uma tela de smartphone?

O gráfico acima explica detalhadamente o que acontece. O tamanho da tela é diretamente proporcional à distância de visualização que você precisa estar do display para começar a notar a pixelização do conteúdo. Isso significa que se você olhar para o aparelho com ele quase colado ao rosto, vai notar eventuais qualidades e defeitos. Caso contrário, quanto mais longe você estiver, eles parecem todos quase iguais. Ambos os valores estão em polegadas.

Em qualidades menores, como 720p ou até 480p, se você for assistir a um filme e colocar o aparelho próximo dos olhos, por exemplo, é possível que alguma diferença seja notada. No caso do Quad HD, a pixelização em uma tela de 5,5” é muito menor.

A partir dessa distância e em uma tela de 5,5", uma pessoa com visão "normal" começa a notar a pixelização em 1440p.

Em um aparelho de 5” com resolução Full HD, como o Galaxy S5, o olho começa a notar a pixelização a partir de 19,8 cm. No Quad HD, essa distância é ainda menor, cerca de 12 cm. Alguém realmente usa sempre o smartphone assim, quase encostando a boca na tela?

Afinal, é ou não é?

Não é possível generalizar e falar que o Quad HD é ruim: ele possui suas qualidades e faz mesmo a diferença em alguns casos, além de ser um avanço que deve ser bem recebido na indústria pelos próximos anos. Porém, cuidado com o outro extremo, porque ele não é toda a revolução vendida, especialmente no caso dos smartphones.

Por isso, em uma distância natural de visualização, com você segurando um smartphone como qualquer outro e utilizando o aparelho de forma casual, é praticamente impossível diferenciar entre o 1080p e o 1440p.

É verdade que os grandes lançamentos, com o LG G3, estão equilibrando bem a relação custo-benefício, mas em alguns casos você pode perder em bateria e ainda ter que pagar muito mais do que o normal pelo smartphone – tudo isso só por conta de pixels que nem serão tão decisivos assim no seu dia a dia.

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