Desde o sucesso de “O Nome da Rosa”, best seller de Umberto Eco que chegou até mesmo a ser adaptado para o cinema, a literatura mundial se viu invadida por thrillers de mistério repletos de enigmas ocultos e conspirações de sociedades secretas. Prova disso são os milhares de volumes vendidos dos livros de Dan Brown, autor de “O Código DaVinci” e outros.

Mas o que muitos fãs e curiosos não imaginam é que teorias similares são construídas com seriedade por acadêmicos de grandes universidades. Há quem veja, por exemplo, símbolos escondidos em pinturas, edifícios e outros tipos de criações. Em alguns casos, as evidências são tão convincentes que seriam capazes de deixar a qualquer um desses autores perplexos. Confira alguns exemplos!

1. Misticismo judaico na Capela Sistina

A figura de Deus cercado por anjos se assemelha ao formato de um cérebro humano (Fonte da imagem: Écrans)

Uma das mais famosas teorias acerca da pintura realizada por Michelangelo no teto da Capela Sistina, no Vaticano, é o fato de que a imagem de Deus, cercada por anjos e tocando o dedo de Adão, se assemelha a um grande e detalhado cérebro humano, com direito a representação do lobo frontal, quiasma óptico, tronco cerebral, hipófise e outras partes do órgão. O assunto já foi tema de artigo no Jornal da Associação Médica Americana.

Mas se depender de especialistas da Universidade Yeshiva, em Nova York, a obra de arte esconde outros mistérios, como a presença de símbolos da Cabala, disciplina e escola de pensamento que se preocupa com o aspecto esotérico do judaísmo. O professor Benjamin Blech, em conjunto com o guia turístico do Vaticano Roy Doliner, chegou a publicar um livro sobre o assunto, intitulado "The Sistine Secrets: Michelangelos Forbidden Messages in the Heart of the Vatican”.

Em entrevista para a ABC, os autores explicaram que Michelangelo deve ter aprendido os ensinamentos judaicos enquanto morou com Lorenzo de Medici, em Florença. Na época, Medici foi um grande líder e usou sua influência para que diversos artistas e intelectuais fossem para a cidade dele. Muitos desses novos moradores estudavam o Zohar, livro-base da Cabala.

Exemplos cabalísticos de Michelangelo

Na Cabala, a letra hebraica “guímel” simboliza a justiça ou a punição. Ao representar a luta entre David e Golias, o artista representou seus corpos de maneira que se assemelham ao formato da letra:

Davi e Golias são representados no formato da letra hebraica guímel (Fonte da imagem: Cracked)

Na cena em que Judite e sua criada carregam a cabeça do general Holoferne, Michelangelo pintou-a de maneira que se assemelha à forma da letra “chet”, que para a Cabala simboliza um ato gratuito e espontâneo de bondade e amor.

Judite e sua criada formam a letra "chet", que simboliza bondade e amor (Fonte da imagem: Cracked)

A Árvore da Ciência do Bem e do Mal, citada nos capítulos iniciais do Gênesis, é normalmente representada pela cultura cristã como sendo uma macieira. Porém, nos textos judaicos e na obra de Michelangelo, a árvore é uma figueira:

A "Árvore da Ciência do Bem e do Mal" foi retratado como sendo uma figueira

2. A sinfonia da Última Ceia

Um dos quadros mais famosos de Leonardo DaVinci, “A Última Ceia” possui uma sinfonia oculta, como se o polímata italiano tivesse também composto uma trilha sonora para acompanhar a cena pintada. É o que afirma o músico Giovanni Maria Pala, que ajudou a decifrar a música com a ajuda de um técnico em informática. Em entrevista para a MSNBC, Maria Pala afirma que a composição soa “como um réquiem” e “enfatiza a paixão de Jesus”.

Para reconstruir a música, o pesquisador considerou elementos da pintura que tivessem um grande valor simbólico para a teologia cristã, interpretando-os de maneira musical. Ao desenhar cinco linhas horizontais sobre a imagem da ceia, de maneira semelhante a uma partitura, Maria Pala percebeu que os pães e as mãos de Cristo e dos apóstolos representavam notas musicais.

De acordo com o músico, isso casa com o simbolismo de que os pães, para os cristãos, representam o corpo de Cristo, enquanto as mãos são usadas para abençoar o alimento. Porém, a “partitura” não parecia certa até que Maria Pala lembrou de um detalhe crucial: Leonardo DaVinci escrevia da direita para a esquerda, exigindo que o leitor tivesse que posicionar um espelho em frente aos seus textos para decifrá-los.

A pesquisa está detalhada no livro “A Música Oculta”, publicado no Brasil pela editora Larousse. No vídeo acima, você pode ouvir a sinfonia decifrada pelo pesquisador italiano.

3. Mozart era um illuminati