A trajetória da semana na série do TecMundo sobre a história da tecnologia conta o passado e o presente da Amazon, a gigante do e-commerce que praticamente criou um modelo de negócios com vendas online — e, anos depois, fez ainda mais pelos livros digitais.

A empresa é um exemplo de marca que nasceu na internet oferecendo serviços puramente online, mas que expandiu para outras atividades após sobreviver à temida bolha dos anos 2000. A seguir, confira tudo a respeito da história da Amazon.

Um singelo comércio online

Tudo começa em 5 de julho de 1994, em Seattle, nos Estados Unidos. O fundador da Amazon é Jeff Bezos, um empresário e engenheiro que antes trabalhava como analista em Wall Street. Observando o mercado ainda novo da internet, ele resolveu abrir o próprio negócio.

Mas Amazon não foi o primeiro nome: ela foi registrada como Cadabra, porque seria algo mágico. Mas um advogado de Jeff Bezos sugeriu que ele mudasse, porque a palavra soava muito parecida com "cadáver". Ele também pensou em Relentless, que significa "implacável", mas o nome também foi desaconselhado por alguns amigos. Só que ele foi teimoso e, se você digitar relentless.com, adivinha para onde ele redireciona?

Amazon foi a palavra que ele encontrou depois de muita busca, especialmente por começar com a primeira letra do alfabeto

A inspiração do nome que foi oficializado é o Rio Amazonas, considerado o maior do mundo em extensão e em fluxo de água por vazão. A ideia é que a loja também fosse a líder no que fizesse.

Primeiro prédio da Amazon após a mudança da garagem da família

Bezos começou a Amazon com a esposa MacKenzie na própria garagem, que nem outras grandes companhias de tecnologia. O casal não sabia qual produto vender entre CDs, peças de computador, softwares e livros, e escolheu a última opção. Os motivos vão desde preço baixo até o vasto catálogo disponível de obras para todos os gostos.

Naquela época, os pedidos eram feitos todos online, o que já era uma grande novidade. E ela também não tinha um estoque limitado por um armazém. Ela conseguia manter um catálogo imenso de livros por causa de parcerias com atacadistas e distribuidoras. Então, a Amazon sempre tinha o livro que você queria e o entregava o mais rápido possível.

Dando resultados

O site começou um ano depois, com o modelo de negócios estruturado e o site pronto. "Conceitos de Fluidos e Analogias Criativas”, de Douglas Hofstadter, foi o primeiro livro vendido na história da Amazon. Ele é uma obra acadêmica até meio obscura, com ensaios sobre temas como inteligência artificial.

E o primeiro logotipo da Amazon era muito anos 90. Ele usava textos em azul e vermelho em fontes bem diferentes sobre um fundo com efeitos de água. O “A” estilizado durou até os anos 2000. Já o logotipo atual tem uma seta amarela bem característica que lembra um sorriso e indica que o site vende de tudo, de A a Z.

O primeiro logo durou pouco tempo, mas o "A" estilizado perdurou.

Bezos é conhecido por ser um cara extremamente metódico e calculista. Se isso é bom? Fazer o site nascer já bem estruturado mesmo levando 1 ano para abrir as portas foi essencial para segurar esse sucesso inicial e continuar crescendo. Logo, a Amazon começou a incomodar as grandes livrarias dos Estados Unidos, como a Barnes & Noble.

No primeiro mês de funcionamento, a Amazon já recebeu pedidos de todos os 50 estados dos EUA, além de 45 países ao redor do globo. Em 97, ela faz a oferta pública de ações já mostrando números bem impressionantes. Naquele ano, já eram mais de 2,5 milhões de livros no catálogo e 148 milhões de dólares em vendas.

O primeiro livro vendido pela Amazon (com documento que confirma a negociação)

Só que nem adiantava se empolgar muito, e Bezos foi bem sincero com os acionistas. A empresa volta e meia apresentava números negativos nos relatórios trimestrais e o CEO avisou que ela demoraria pelo menos cinco anos até dar algum tipo de lucro. O motivo? Ele se preocupava mais em fortalecer a marca, criar infraestrutura para os negócios e crescer, em vez de só acumular ganhos. O primeiro saldo positivo só veio no finalzinho de 2001.

Ascensão e (quase) queda

E logo chegou a hora de sonhar mais alto. Em 98, ela começou a vender CDs e DVDs e, no ano seguinte, brinquedos e eletrônicos em geral. Mas foi em 2000 que a grande revolução aconteceu, quando o Marketplace foi lançado. Essa é a venda de produtos de terceiros, como usuários ou lojas menores. Eles anunciavam lá e pagavam uma taxa para cada venda via Amazon.

Capa da revista TIME em 1999 com a eleição de "Pessoa do Ano"

Em 2000, ocorre o estouro da bolha da internet, quando os investimentos em empresas online eram tão altos e irreais que quebraram a bolsa de Nova York e derrubaram os preços das ações de um dia para o outro. Muitas marcas deixaram de existir ou nunca se recuperaram, e as ações da Amazon caíram de 100 dólares para 6 dólares. Muita gente da equipe foi demitida.

A Amazon sobrevive, mas com várias sequelas. E continuar operando foi importante, porque depois dessa bolha ela decolou ainda mais. A bolha da internet dos anos 2000 ainda terá um vídeo só para ela.

Ampliando os horizontes

Ela anunciou o sistema de assinatura premium Amazon Prime em 2005, inicialmente só para diminuir o tempo de entrega e trazer ofertas exclusivas. Essa assinatura logo passou a dar acesso também ao Amazon Video, a plataforma de streaming de filmes e séries.

A concorrência com a Netflix se tornou cada vez mais acirrada, e shows originais ou distribuídos tem sido elogiados e premiados, como "The Man in the High Castle", "American Gods" e "Transparent", que são alguns dos destaques. E tem ainda "The Grand Tour", com os apresentadores clássicos do "Top Gear".

Em março de 2006, começou a funcionar publicamente o Amazon Web Services, ou AWS, que era quase uma empresa separada para armazenamento e hospedagem na nuvem.

O embrião começou bem antes, quando a marca pensou em criar uma plataforma de loja online para um cliente, mas demorou anos para sair do papel. A espera compensou, já que hoje ela oferece suporte também para gerenciamento de redes, aplicativos e bancos de dados, ferramentas de desenvolvimento e Internet das Coisas.

Em 2015, a base de usuários já passava de 1 milhão de pessoas em 190 países, incluindo clientes como NASA e Netflix.

O boom do livro digital

Tá sentindo falta de alguma coisa? O Kindle, que é o eReader mais famoso do mercado, começou a ser planejado ainda em 2004 sob o codinome Fiona. O nome significa "acender um fogo" e, segundo quem bolou a ideia, tem a ver com o estímulo intelectual da leitura.

O lançamento em 2007 foi um estouro. O primeiro modelo tinha um teclado físico e não era touchscreen, mas já trazia uma tela de e-ink de 6 polegadas. O estoque dele só durou 5 meses. Mais tarde, o Kindle DX com tela de 9,7 polegadas foi apresentado, mas não fez tanto sucesso.

O primeiro modelo de Kindle, em uma cor bem diferente da atual

Claro que os eBooks não iriam roubar o mercado dos livros físicos, mas criaram um hábito inteiro que é de comprar livros digitais e ler em qualquer lugar. Usar a interface da loja da Amazon, que já era famosa e tem aquela perigosa compra com um botão, era vitória na certa. A empresa criou um segmento de mercado e continua forte nele até hoje, especialmente para quem gosta de ler em formato digital, mas não em tablets convencionais.

O Touch finalmente ganhou o suporte aos toques na tela, o Paperwhite trouxe retroluminação com LEDs e o Voyage trazia a tela e-ink de melhor qualidade até o ano de 2014. O mais recente e oitavo Kindle é o Oasis, levíssimo e com um formato assimétrico pra ficar mais confortável ao ser segurado com uma só mão.

O Oasis, modelo mais recente, é para ser segurado com só uma das mãos

Em 2011, a Amazon entrou no mercado de tablets com o Kindle Fire. O modelo de 7 polegadas incluía acesso à Amazon Appstore, que tem tanta promoção quanto o site. Ele já está na sexta geração, perdeu o nome Kindle e ganhou HD, tendo ainda versões especialmente para crianças.

Um grande erro

E a gente não pode deixar de falar de um dos poucos fracassos da Amazon, que foi o Fire Phone, um smartphone lançado em 2014 e fabricado pela Foxconn. O modelo tinha como grande destaque uma interface que dava a impressão de efeitos de profundidade e 3D, além de um software de câmera que reconhecia textos e objetos e levava você direto para a loja da Amazon.

Só que apenas esses dois recursos eram impressionantes e.... mais nada. O design passava despercebido e as especificações técnicas do modelo foram superadas rapidamente. Ele foi descontinuado em um ano e a Amazon não ousou voltar ao mercado de smartphones.

Novos planos

Ela também tem alguns projetos bem ambiciosos em fase de testes ou com lançamento limitado. É possível destacar o sistema Prime Air (para entrega de encomendas com drones) e também a mercearia Amazon GO, que não tem qualquer atendente humano e você faz as compras só tirando os produtos da prateleira e saindo pela porta. E tem ainda o Amazon Dash, uma série de pequenos aparelhos que servem para você adquirir mais unidades de um produto sem precisar acessar a loja.

O mais novo eletrônico dela é o Echo, um alto-falante que serve para controlar dispositivos da sua casa e ainda serve como assistente pessoal usando a Alexa, atual grande rival de Siri e Cortana. Versões com tela e para uso direcionado para o vestuário também já foram lançados, e o sucesso foi muito maior do que a Amazon esperava.

A jogada atual mais recente da empresa foi a compra da WholeFoods, uma rede de supermercados dos Estados Unidos. Ela é considerada de alto padrão e foca em produtos orgânicos ou naturais.

A Amazon verde e amarela

E temos que contar a breve mas já impactante história da Amazon no Brasil. Antes, era possível comprar pelo site gringo e pagar os impostos salgados e a taxa de importação, mas o Amazon.com.br entrou no ar à meia-noite de 6 de dezembro de 2012.

De início, só eram vendidos eBooks e o leitor Kindle mais básico, mas logo já dava para comprar obras físicas. No fim de 2014, o modelo de assinatura para leitores Kindle Unlimited foi oficialmente apresentado.

Mas nem todo mundo ficou feliz com a chegada da Amazon no Brasil. Várias livrarias não curtiram a rival e lutam para diminuir essa agressividade nas promoções, inclusive com uma lei que limita descontos em lançamentos.

Apesar de focar só em livros, ela foi lançando novidades aos poucos. Em dezembro de 2016, estreou o serviço de streaming do Amazon Video. Já em maio de 2017, a empresa finalmente adicionou o Marketplace para brasileiros.

Sem freios

E o Jeff Bezos não para. Atualmente, ele é CEO também da Blue Origin, uma empresa de exploração e transporte espacial que rivaliza com a SpaceX. Ela não tem nada a ver com a Amazon, mas, sem o sucesso dela, o executivo não teria uma fortuna do próprio bolso para aplicar todos os anos nos testes de lançamento de foguetes.

Além disso, ele agora rivaliza com Bill Gates pelo posto de pessoa mais rica do mundo — e dá sinais de que gostaria muito de assegurar a primeira colocação.

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E essa é a história da Amazon, uma das maiores empresas de toda a internet, um e-commerce de dar inveja, uma livraria poderosa e, por que não, uma sobrevivente nesse mercado. Se você quiser ver a história de outras empresas contadas aqui no TecMundo, é só deixar a sugestão nos comentários. Confira abaixo as que já apareceram neste quadro:

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