Quem acompanha o TecMundo diariamente com certeza lê algumas notícias a respeito da Samsung. E não é por menos: hoje em dia, ela é uma das principais fabricantes de smartphones, processadores, televisores, smartwatches, eletrodomésticos, notebooks e muito mais.

Só que ela não ocupa esse posto por acaso nem apareceu do nada. A trajetória da sul-coreana vai bem além da linha Galaxy, que hoje é talvez o produto com maior sucesso e reconhecimento — e começa de um jeito tão simples que nem parecia que ela ia virar uma gigante.

A seguir, é hora de você conhecer a história de altos e baixos da Samsung.

Início modesto

Tudo começou na Coreia do Sul, mais precisamente em 1938. Com 28 anos, o empresário Byung-Chull Lee já acumulava investimentos em plantações de arroz e muitos estudos em economia, mas resolveu abrir com verba bem limitada uma tal de Samsung Trading Company na cidade de Daegu.

Você não encontrava eletrônicos por lá: ela era uma pequena loja de importação e exportação de produtos como peixe desidratado, vegetais e macarrão. O nome vem dos caracteres coreanos "Sam", que significa três, e "Sung", que é estrela. O numeral no país significa “grande, vasto e forte”, e esses deveriam ser os pilares da empresa. As logos da Samsung tinham as três estrelas até 1993, quando foi criado o famoso símbolo com o emblema em azul.

Em dez anos, a Samsung Trading Company se tornou uma das maiores empresas do setor no país, dona de moinhos e fábricas próprias. Tecido, açúcar e algodão eram alguns dos principais produtos dela nessa época.

Primeira pedra no caminho

A companhia expandiu para a capital Seul em 1947, ficando mais influente e ajudando a desenvolver o comércio regional e internacional do país. Só que aí aconteceu a Guerra da Coreia, e o conflito e a instabilidade da região obrigou Byung-Chull Lee a deixar a cidade.

A primeira unidade da Samsung

Ele quase perdeu todo o negócio por causa do conflito, mas a diversidade de produtos oferecidos e espalhados por várias cidades manteve a Samsung de pé. Negócios bem variados, como construção de refinarias, venda de fertilizantes e até de seguros de vida ajudaram a empresa a sobreviver. O nome “Samsung Corporation” foi oficializado no fim da década de 1940, quando um parceiro comercial impulsionou ainda mais a companhia.

Que venham os aparelhos!

Já em 1969, finalmente nasceu a Samsung Electronics. O que era pra ser apenas mais um braço dessa já enorme empresa virou um de seus principais setores. O primeiro produto foi um televisor preto e branco que foi um sucesso, mas logo ela passou a fazer também modelos a cores e lançar eletrodomésticos, como geladeiras, máquinas de lavar e fornos de micro-ondas.

Na década de 1970, a Samsung abraçou mais áreas e ajudou até na fabricação de navios, além de entrar na indústria de semicondutores

A Samsung também entrou no mercado da computação do jeito dela, chegando com tudo. Ela se tornou em 1992 a maior fabricante de chips de memória e discos de armazenamento pra PCs.

Continuando o legado

Em 1987, morreu o fundador Byung-Chull Lee. Quem assumiu a presidência foi um de seus filhos, Lee Kun-hee, que está no cargo até hoje. Ele foi o responsável por transformar a Samsung em uma marca global, expandindo as vendas para outros países e incluindo executivos estrangeiros.

Byung-Chull Lee, fundador da Samsung

A Samsung foi então reestruturada e separada para focar só em algumas indústrias, mas ainda fabricando muita coisa. Ela ficou com os setores de pesquisa e desenvolvimento em produtos químicos, engenharia e eletrônicos, deixando de lado a parte de alimentos.

Chips e celulares: agora o jogo começa

Mas quando ela se tornou a Samsung que conhecemos hoje? Seguindo com a história, o setor de telecomunicações nasceu na década de 1970, mas a empresa agiu com calma no começo, fazendo pesquisas e criando componentes.

O celular de estreia foi o SH-100. Ele surgiu em 1988, depois que engenheiros da Samsung compraram celulares da Motorola para estudar como ele funcionava. Não foi um sucesso comercial, mas se tornou histórico por ser o primeiro criado e fabricado inteiramente na Coreia do Sul.

SH-100

A partir daí, você já conhece a história. A Samsung expandiu mundialmente o mercado de celulares, inclusive abrindo uma fábrica no Brasil em 1998. Vale relembrar alguns dos modelos dessa época, que não ficaram tão famosos quanto alguns concorrentes, mas estão na memória de muita gente.

  • X480

Esse foi um flip famoso, que era leve e compacto para a época.

  • D500

Com teclado deslizável, ele vinha em várias cores e foi o primeiro da Samsung a passar de 1 milhão de unidades vendidas.

  • E1100

Outro sucesso, com a hoje em dia inimaginável tela de só 1,52". A bateria durava 13 dias em standby.

  • E1207

Um simpático dual chip vendido até hoje em lojas brasileiras, já que faz o básico de um celular.

  • Blue Earth

Uma das bizarrices da empresa, esse modelo tem design sustentável e painéis solares para recarga.

Expandindo a galáxia

Tem como falar de celular Samsung hoje em dia sem desconectá-la da família Galaxy? O primeiro lançado foi Samsung Galaxy i7500, em 2009, já com sistema operacional Android. Tanto ele quanto o primeiro Galaxy S, que saiu no ano seguinte, não fizeram muito alarde no mercado, mas receberam ótimas avaliações.

O famoso Galaxy Y

Nem todo mundo gosta da interface TouchWiz, é verdade, mas ela se mostrava uma alternativa original no mercado. E como não falar do Galaxy Y, primeiro modelo de muita gente e super em conta no Brasil? Estrondoso mesmo foi o Galaxy S2, que foi um sucesso esmagador e colocou a empresa de vez entre as maiores fabricantes de smartphones — para nunca mais sair das cabeças.

No começo de 2012, a Samsung se tornou a maior fabricante de telefonia do mundo, ultrapassando gigantes como Nokia e Motorola

Os outros Galaxy seguiram com inovações e um hardware poderoso, geralmente apresentados durante o Mobile World Congress, sempre em fevereiro e em Barcelona. Quem quebrou essa tradição foi Galaxy S8, que trouxe o Infinity Display com bordas quase imperceptíveis e nova assistente pessoal Bixby.

E os smartphones geraram algumas variantes. O primeiro Galaxy Note foi lançado com muita desconfiança. Em 2011, uma tela de 5,3 polegadas era considerada imensa e pouca gente acreditava em um híbrido entre tablet e celular. Se deu certo? Em só dois meses, 1 milhão de unidades foram vendidas, e a série é uma das mais badaladas da empresa.

E não dá para esquecer a linha Galaxy Tab, cujo modelo de estreia foi o primeiro tablet do mercado com Android.

Galaxy Tab

Em termos de celulares, a lista vai longe: poderíamos falar das famílias A, J, C, Ativ, Grand e por aí vai. É simplesmente impossível listar todas as famílias de tablets e celulares da Samsung. A empresa é até criticada por lançar aparelhos demais dos modelos de entrada até os top de linha, vários deles muito parecidos entre si ou só para alguns mercados.

Polêmicas e tropeços

E claro que uma empresa tão grande e influente não poderia escapar de algumas polêmicas. A Samsung é cheia delas: algumas bem explicadas, outras nem tanto. O presidente Lee Kun-hee chegou a pedir as contas em 2008 por causa de acusações de evasão fiscal e pagamento de subornos, mas foi perdoado pelo governo e voltou dois anos depois.

Lee Kun-hee teve que se explicar para as autoridades

Mais recentemente, o seu próprio filho e atual herdeiro da marca também teve problemas com a Lei. Lee Jae-yong responde em julgamento por fazer parte de um escândalo de corrupção que envolve até a ex-presidente da Coreia da Sul.

Além disso, existe também toda a história envolvendo o Galaxy Note 7. Por problemas na composição e montagem das baterias, vários modelos explodiram ou entraram em combustão do nada. O produto sofreu recall, foi proibido em voos e virou piada mundial.

A Samsung encarou o tribunal muitas vezes desde 2011 por acusações de quebra de patente da Apple e contra-atacou acusando a Maçã de cópia da interface e do formato de seus produtos. Depois de anos de apelações e tentativas de banir a venda dos aparelhos uma da outra, a disputa ainda não acabou, mas a Samsung tem perdido as últimas batalhas na corte e deve ser obrigada a pagar uma bolada para a rival.

Apesar da rivalidade, a Samsung fornece chips e outros componentes para produtos como o iPhone e o iPad, em uma parceria que ajuda os dois lados.

***

Junto com outras empresas, a Samsung ajudou a Coreia do Sul a virar uma potência mundial no setor e continua relevante até hoje por lá e em todas as partes do mundo. Você pode até não ser um grande fã dela, mas não tem como negar que ela é hoje um dos principais nomes do mundo da tecnologia.

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