A Huawei é uma empresa chinesa que muita gente não conhece, mas que, de forma sorrateira, virou uma das maiores do mundo em telecomunicações. Ao longo dos anos, ela acumulou fãs no Ocidente e dominou o mercado de serviços em sua terra natal.

Só que a empresa também se envolve em algumas polêmicas — e claro que a gente fala delas por aqui. Quer saber como ela cresceu e por que muita gente acredita que ela seja um pouco suspeita? Acompanhe a seguir toda a história da Huawei.

Início tardio

A história já começa um pouco diferente das outras. Isso porque a Huawei começou em 1987 na cidade de Shenzhen, um pouco mais tarde que outras empresas do ramo e por um executivo que já tinha mais de 40 anos. Ren Zhengfei era um engenheiro de tecnologia militar do Exército de Libertação Popular, o braço armado da China comunista.

O nome tem vários significados. O "hua" pode ser China, magnífico ou flor, o que explica o logotipo. Já o "hei" é conquista ou ação. Então, o nome é algo como "a China está agindo" ou “conquistando de forma magnífica”.

Para explicar direito essa origem, a gente precisa entender a situação do país nessa época. No fim da década de 70, Mao Tse-Tung morre e a República Popular da China, que era controlada pelo Partido Comunista, acaba sob o comando de Deng Xiaoping. Nessa época de transição, a China tava isolada do resto do mundo e, com o novo governo, ela faz uma abertura econômica, cultural e tecnológica.

Os logotipos antigo e atual da marca

Esse novo período ainda enfrenta um forte controle do Estado, mas já recebe até capital estrangeiro. Isso faz com que várias empresas dos mais diversos setores surgissem por lá tanto para atender o mercado interno quanto para o resto do mundo.

Primeiros passos

Os primeiros produtos comercializados por ela eram os PBX. Essa é a sigla para Private Branch Exchange, um aparelho de troca automática de ramais telefônicos. A Huawei começa importando alguns de Hong Kong, mas logo passa a fabricar os próprios modelos e vender para hoteis e pequenas empresas. O divisor de águas é o modelo C&C08, considerado top de linha no setor. 

Em 1990, a empresa decide investir pesado em pesquisa e desenvolvimento. O departamento já tinha 600 pessoas contratadas em um ano. Nessa época, nada ainda de smartphone. O negócio dela era primeiro redes e esses equipamentos do mercado corporativo, começando no interior e em zonas rurais e aos poucos passando para as maiores cidades da China.

Aí acontece a primeira polêmica. A Huawei foi acusada de receber alguns empréstimos de bancos estatais para prosperar logo no começo, e essa ajudinha é negada até hoje pela companhia. Mas ela mesma fechou várias parcerias com o governo para ajudar na infraestrutura de telecomunicações depois de alguns anos de existência.

Expansão sem parar

Em 1997, Ren faz uma viagem aos Estados Unidos para conhecer algumas das gigantes do Ocidente. Ele visitou sedes de empresas e percebeu o quanto a China estava atrasada no modelo de empresas de tecnologia.

Charles Ding, por anos o homem da Huawei no EUA

Foi aí que a expansão internacional começou. Em 98, ela fecha um contrato de cinco anos com a IBM para que a gigante da computação sirva de consultora na reestruturação e preparação da empresa para o mercado mundial. E, calma, porque a IBM ainda vai ter a história contada por aqui. No ano seguinte, a Huawei abre o primeiro laboratório de pesquisa fora do país, na Índia.

Os anos seguintes são de crescimento e muito investimento em redes e conectividades que estavam surgindo, como a GSM. Holanda, Suécia, Canadá e Estados Unidos também ganham escritórios e laboratórios da Huawei.

No mundo mobile

A divisão mobile surge em 2003 e o primeiro aparelho é o C300. Dois anos depois, ela lança o primeiro modelo próprio com 3G, o U626. Os dispositivos que rodam Android começam a aparecer em 2010, com destaque para o Huawei IDEOS. Ele tinha vários botões físicos de navegação e foi elogiado na época por ser bem mais barato que os produtos das rivais.

Huawei C300

Ela também começa a ganhar destaque na produção de modems. O E220, de 2006, foi considerado o mais rápido e compacto da época.

A entrada no mundo mobile foi muito bem-sucedida. Em 2010, a Huawei aumenta os ganhos em 30%, um número absurdo para uma época de tanta rivalidade entre as marcas. Três anos depois, ela já começa a ser considerada pela IDC uma das três maiores fabricantes globais de smartphones. Então, vamos ver mais alguns modelos e famílias de eletrônicos lançados pela marca.

O Huawei C8500 foi outro grande lançamento dessa época, chegando a 1 milhão de unidades vendidas em apenas 100 dias na China.

O modelo Huawei C800, um sucesso de vendas

De agosto de 2011, o Huawei Vision é o primeiro smartphone baseado na computação em nuvem. É nessa época que a empresa também apresenta seu serviço de armazenamento.

O extravagante Huawei Vision

Em 2010, é apresentado o primeiro Huawei Ascend, que rodava Android 2.1 e tinha só 2 GB de memória interna. Já descontinuada, essa foi uma das linhas mais duradouras da marca e alguns de seus modelos vivem competindo para ser o mais fino do mundo.

O primeiro Huawei Ascend

Outra linha famosa é a Honor, que se tornou oficial em 2013. Ela tem aparelhos mais baratos e de venda de preferência online, no estilo da Xiaomi. Os primeiros foram o Honor 3X e o 3C.

O Honor 3X

Tem ainda a família Mate, que traz dispositivos para quem gosta de telas maiores. Mas o atual queridinho da empresa é o Huawei P10, um top de linha com câmera traseira dupla da Leica e a opção de até 6 GB de RAM na versão Plus.

Fino e top de linha, esse é o Huawei P10

A Huawei também aposta em dispositivos vestíveis, mas sem direcionar tantos recursos. A estreia dela nesse mercado foi com a pulseira TalkBand B1, em 2014, mas hoje o carro-chefe desse setor é o Huawei Watch, que já está na segunda geração.

Huawei Watch 2

Ter um preço competitivo nesse mercado é difícil, e uma das estratégias da Huawei é fabricar o próprio processador. Para isso, ela é dona da HiSilicon, maior fabricante de circuitos integrados da China. Os chips Kirin existem desde 2015 e têm obtido resultados bem impressionantes em benchmarks.

Fazer o próprio chip pode bem mais barato do que licenciar, especialmente porque você ainda pode lucrar em cima disso ao assinar parcerias ou até vendê-los para outros dispositivos.

A empresa também tem uma interface própria em cima do Android; a skin se chama Emotion UI, ou só EMUI

Em parceria com a Google, ela fabricou o smartphone Nexus 6P em 2015. O aparelho traz um design diferenciado, especialmente na parte traseira, mas recebeu várias críticas por problemas técnicos.

Nexus 6P, que não foi lançado oficialmente no Brasil

A empresa também entra com menor força no mercado de laptops. O Huawei MateBook foi o primeiro 2 em 1 da marca.

Um modelo de negócios

A Huawei nunca abriu o capital para acionistas, mas o modelo de negócios dela é um pouco diferente. O CEO tem menos de 2% da empresa e o resto é dividido entre os próprios funcionários.  Outro ponto peculiar é que ela é a única entre as gigantes chinesas que tem mais renda gerada fora do país do que na terra natal.

E você se lembra da parceria com a IBM que ajudou e muito a marca? Ela resolveu seguir essa ideia e, ao longo dos anos, fez outros empreendimentos conjuntos com Motorola, Siemens e Symantec. Além disso, ela estabeleceu várias alianças com operadoras locais, tipo Vodafone, T-Mobile e Bell Canada. Isso permitiu o lançamento exclusivo de modelos e a assinatura de vários contratos.

Ela também se destaca por investir mais de 10% do faturamento em pesquisa e desenvolvimento.

Outro grande mercado dela é o de patentes. Em 2008, ela ficou em primeiro lugar no registro de propriedades intelectuais do Sistema Internacional de Patentes.

A Huawei lançou muitos produtos no mercado brasileiro e ainda conta com alguns planos de pesquisa e desenvolvimento e infraestrutura por aqui. Só que os smartphones não saem desde o fim de 2014, especialmente por causa da alta carga tributária do país.

Mais polêmicas

Voltando para as polêmicas, a mais recente é sobre alguns mercados em que a Huawei começou a participar. Ela expandiu tanto que acabou em países como Cuba, Síria e Irã, a maioria com relações bem complicadas com os Estados Unidos.

Em 2013, uma filial foi acusada de vender tecnologia norte-americana de antenas para o Irã. Isso é duplamente errado, primeiro porque o país tinha um bloqueio comercial para certos produtos, segundo porque equipamentos estavam sendo comercializando entre nações que não são exatamente bem-resolvidas.  Ela também já foi acusada de espionagem quando foi para o mercado dos Estados Unidos, mas isso ficou só na acusação mesmo.

O medo de uma companhia chinesa entrando nos EUA gerou montagens como essa

Atualmente, a Huawei foca em três áreas e vai muito bem em todas. Ela é a maior fabricante de equipamentos de telecomunicação do mundo, já é relevante no mercado corporativo, que é a aposta mais recente, e tem obtido ótimos resultados dentro e fora da China em mobile, sendo já a terceira maior do mundo em smartphones.

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