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Ciência

Cientistas criam robô 'canibal' que se desenvolve absorvendo peças de outras máquinas

Projeto universitário é conceito que envolve módulos mecânicos com IA e foco em uso futuro de sustentabilidade.

Avatar do(a) autor(a): Nilton Cesar Monastier Kleina

schedule24/07/2025, às 16:00

updateAtualizado em 26/07/2025, às 12:03

Pesquisadores da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, desenvolveram um novo conceito que pode mudar a atual perspectiva da estrutura de robôs. A novidade é uma série de máquinas que podem consumir peças umas das outras para crescer ou otimizar o próprio movimento.

A ideia foi publicada em um artigo na revista Science Advances e em um vídeo feito pela equipe de engenheiros que apresenta a ideia. O robô criado pelo grupo é descrito como uma espécie de "canibal", já que ele é capaz de se unir a pedaços de fragmentos de outras unidades.

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A inspiração da equipe veio na comparação de uma estrutura artificial com a biologia de seres vivos: embora a 'mente' das máquinas esteja melhorando em ritmo acelerado, os corpos de robôs ainda são "monolíticos, nada adaptativos e impossíveis de reciclar", enquanto corpos de várias espécies até se transformam ao longo das gerações para se adaptar.

Como funciona o robô "canibal"

  • O projeto atualmente só existe na forma do Truss Link, um módulo robótico em formato de bastão e com conexão magnética nas extremidades;
  • O robô conceitual tem forma e operação inspirados no Geomag, um brinquedo de conexão a partir de ímãs e que possui alta capacidade de personalização;
  • Ele pode expandir nas laterais a partir de um mecanismo de projeção, se contrair para se arrastar em superfícies e se conectar com outros módulos a partir dos mais variados ângulos;
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A movimentação modular e a “captura” de novas unidades pelo robô. (Imagem: Reprodução/Columbia University)
  • Em uma versão futura, os módulos podem ser capazes de aumentar de tamanho ou até se "curar" usando outros bastões iguais (para descartar unidades descarregadas, por exemplo) ou até peças de outros equipamentos que também possuam suporte para conexão magnética;
  • A ligação de vários Truss Links (chamada de "metabolismo robótico" no artigo) pode gerar estruturas de duas ou três dimensões capazes de se mover e até manipular objetos. Segundo um exemplo dos pesquisadores, um robô na forma de um tetraedro 3D pode integrar um elo que funciona como uma espécie de andador, o que permite um aumento de 66,5% em sua velocidade;

Para que serve esse tipo de robô?

A ideia da equipe de engenheiros é que os equipamentos tenham várias utilidades no futuro, já que eles podem ser compostos de múltiplos segmentos e formar estruturas complexas.

O futuro do conceito imagina o projeto como capaz de gerar robôs autônomos que formarão pontes, antenas, equipamentos de resgate e outros objetos modulares, tornando o desenvolvimento dessa área até mais sustentável e barato ao reutilizar peças e unidades.

Além disso, com a aplicação de recursos de inteligência artificial (IA), as unidades podem se comunicar entre si e formar uma rede focada em determinados objetivos. Os pesquisadores creem que esse é um passo na direção de sistemas autônomos que são também capazes de se preservar contra possíveis problemas ou defeitos, por exemplo.

Por enquanto, o trabalho é apenas feito em laboratório e sob condições específicas, sem qualquer previsão para aplicação prática ou integração dos módulos Truss Links com outras peças metálicas que não são idênticas entre si.

Você sabe exatamente o que é um robô, incluindo conceitos, tipos e evolução ao longo dos anos? Confira essas e mais informações sobre o tema neste artigo!

Perguntas Frequentes

O que é o robô "canibal" criado pela Universidade de Columbia?
O robô "canibal" é um conceito desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Columbia que consiste em módulos robóticos capazes de se conectar entre si e absorver peças de outras unidades semelhantes. Essa capacidade permite que o robô cresça, se repare ou otimize seus movimentos, inspirando-se em processos biológicos de adaptação e regeneração.
Como funciona o módulo Truss Link?
O Truss Link é um módulo robótico em formato de bastão com conexões magnéticas nas extremidades. Ele pode se expandir lateralmente, se contrair para se mover e se conectar com outros módulos em diversos ângulos. Inspirado no brinquedo Geomag, o Truss Link permite alta personalização e montagem de estruturas complexas.
Por que o robô é chamado de "canibal"?
O termo "canibal" é usado de forma conceitual para descrever a capacidade do robô de incorporar partes de outras unidades semelhantes. Isso inclui a substituição de módulos descarregados ou danificados por novos, aproveitando peças de outras máquinas compatíveis com o sistema magnético de conexão.
O que é "metabolismo robótico"?
"Metabolismo robótico" é o termo usado pelos pesquisadores para descrever o processo de conexão e reorganização dos módulos Truss Link. Essa dinâmica permite que os robôs formem estruturas bidimensionais ou tridimensionais, capazes de se mover e manipular objetos, como no exemplo de um robô em forma de tetraedro que aumenta sua velocidade ao incorporar um elo adicional.
Quais são as possíveis aplicações futuras desse tipo de robô?
Os pesquisadores vislumbram diversas aplicações para esses robôs modulares, como a construção de pontes, antenas, equipamentos de resgate e outras estruturas autônomas. A reutilização de peças e a capacidade de adaptação tornam o conceito promissor para soluções sustentáveis e de baixo custo.
Qual o papel da inteligência artificial (IA) nesse projeto?
A inteligência artificial permite que os módulos se comuniquem entre si e colaborem para atingir objetivos específicos. Isso abre caminho para sistemas robóticos autônomos que podem se adaptar, se preservar e até se reorganizar diante de falhas ou mudanças no ambiente.
O projeto já está sendo usado fora do laboratório?
Não. Atualmente, o projeto está em fase conceitual e experimental, sendo testado apenas em laboratório e sob condições controladas. Ainda não há previsão para aplicação prática ou integração com peças metálicas diferentes das usadas nos testes.
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