Curiosity está cheia de sistemas e ferramentas escondidos (Fonte da imagem: NASA)

Na última segunda-feira (06), muitos brasileiros ficaram acordados até de madrugada para assistir, ao vivo, a um dos eventos mais aguardados do ano: a chegada da sonda Curiosity ao planeta Marte. A partir de então, imagens e outros dados começaram a ser enviados para a NASA e, consequentemente, compartilhados na internet com o público em geral.

Mas, analisando as imagens ou vendo as notícias diárias sobre as pesquisas realizadas pela Curiosity, talvez não seja possível perceber todos os equipamentos e ferramentas que fazem parte da sonda. Por isso, preparamos uma lista com os principais atrativos dessa máquina incrível. Confira!

1. Muitas câmeras para a sonda curiosa

Todo mundo quer ver imagens de Marte e, por isso, não podem faltar dispositivos capazes de capturar essas imagens exclusivas para nós. No total, a sonda Curiosity possui 17 câmeras fotográficas de 2 megapixels, incluindo uma capaz de produzir vídeos em 720p e 10 fps, além de possibilitar fotografias panorâmicas de 360º.

Outra dessas câmeras, conhecida como Mars Hand Lens Imager (MAHLI), pode tirar fotos macro de minerais em locais de difícil acesso, além de o equipamento poder se rotacionar e fotografar a própria sonda.

Ilustração retrata Curiosity usando a ChemCam (Fonte da imagem: NASA)

Como se não bastasse, mais quatro câmeras acopladas nos cantos da sonda ajudam o equipamento a montar um mapa tridimensional dos obstáculos do planeta, para poder contorná-los ao se locomover. Somada a elas está a ChemCam, capaz de vaporizar materiais com laser infravermelho e de analisar materiais com um espectrômetro.

2. Detector de Radiação (RAD)

Um dos primeiros instrumentos da Curiosity a ser ligado foi o detector de radição conhecido como RAD. Ele é importante não apenas para analisar a radiação da superfície marciana, mas também para monitorar a alteração desses valores durante a viagem de nove meses que realizou até o Planeta Vermelho. Além de contribuir para o bom funcionamento do equipamento, esta também é uma maneira de estimar a possibilidade de uma missão tripulada no futuro.

3. Gerador Termoelétrico de Radioisótopos (RTG)

Assim como outras sondas já enviadas para os confins do espaço, a Curiosity também funcionará, durante os próximos dois anos, com a eletricidade fornecida por uma bateria nuclear que conta com 32 esferas de dióxido de plutônio 238, cada uma do tamanho de uma bola de gude.

4. Sistema de Rejeição de Calor (HTS)

A sonda Curiosity terá que lidar com temperaturas que vão de 30 ºC a -128,8 ºC, demonstrando que o clima marciano é um bocado diferente do nosso. Para comparação, a temperatura natural mais baixa já registrada na Terra foi de -89 ºC, na Antártida.

A superfície de Marte lembra um grande deserto, com temperaturas extremas (Fonte da imagem: NASA)

Por isso, o equipamento da NASA conta com um sistema de regulação térmica que ajuda a Curiosity a manter-se na temperatura ideal. Na prática, esse aparato não é muito diferente dos sistemas de refrigeração a líquido usados em PCs com overclock.

A diferença é que, como a superfície de Marte se assemelha a um deserto — muito quente durante o dia e muito frio durante à noite —, o HTS precisa aquecer a sonda quando a temperatura ambiente abaixa e refrigerá-la quando o sol se levanta e transforma Marte em uma estufa.

5. Protegido contra radiação

Aqui, na Terra, nós e nossos computadores estamos seguros da radiação espacial, já que nossa atmosfera ajuda a filtrar raios cósmicos e partículas solares nocivas. Mas, em Marte, a situação muda. Por isso, com o propósito de evitar que a radiação possa alterar o comportamento da sonda de alguma forma, todos os eletrônicos da Curiosity possuem um sistema de proteção contra falhas. Se algum componente pifar, outro entra em ação rapidamente.

6. Sistema de comunicação via rádio

A sonda Curiosity possui duas formas de se comunicar com a Terra. Uma delas é por meio de um receptor de banda X de alto ganho e que pode se comunicar com a Terra com um atraso de menos de 13 minutos, graças à distância que se encontra de nós.

Porém, também existe a possibilidade de usar um sistema de rádio UHF para entrar em contato com a aeronave que orbita o Planeta Vermelho e que serve como uma estação de repetição do sinal.

7. CheMin e SAM

Uma das missões da Curiosity é a de coletar rochas para análise do solo marciano. Depois de coletar e esmagar essas rochas, a sonda entrega o pó proveniente delas para a análise de dois equipamentos muito importantes.

O primeiro deles é o CheMin (abreviação de “Chemistry and Mineralogy”), que usa uma técnica conhecida como difração de raios X. Assim, ao direcionar um feixe de raios X sobre o pó de minerais, cientistas podem analisar o espectro resultante dessa difração e deduzir mais propriedades sobre o solo.

A sonda possui equipamentos que são uma espécie de CSI da química (Fonte da imagem: NASA)

O outro equipamento essencial nessa missão é o SAM, considerado como o maior e mais complexo equipamento que a Curiosity carrega. Ao colocar uma amostra no SAM, o espectrômetro de massa do acessório determina, elemento por elemento, qual é a composição química da amostra. Além disso, um cromatógrafo a gás é usado para separar os diferentes compostos químicos e detectar compostos orgânicos que possuem carbono.

Se a Curiosity encontrar esses compostos orgânicos, tudo fica ainda mais interessante, já que eles são os responsáveis pela criação dos blocos básicos que dão origem à vida. Ou, melhor ainda, eles podem ser o que restou de vidas passadas que habitaram o planeta.

Fonte: Time, The Verge

Cupons de desconto TecMundo: