Turismo espacial pode ser o trampolim para o espaço profundo

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Imagem: iStock/Nadia Bormotova/Reprodução
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Se 600 milhões de pessoas acompanharam o lançamento da Apollo 11 em direção à Lua, o último lançamento da SpaceX à Estação Espacial Internacional (ISS) teve 2,6 milhões de espectadores via streaming no YouTube. Voos espaciais definitivamente entraram na rotina da civilização humana: a corrida pela supremacia das nações deu lugar à ciência, que se prepara para abrir espaço para o turismo.

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Obviamente, será para poucos – em 2001, o empresário russo Dennis Tito pagou para visitar a ISS (sua passagem a bordo da nave russa Soyuz custou, à época, US$ 20 milhões);  o próximo turista espacial a desembolsar uma pequena fortuna (dessa vez, para ir à Lua) é o milionário japonês Yusaku Maezawa que, a bordo do foguete da SpaceX, espera sobrevoar o satélite em 2023, dentro da missão dearMoon, com mais oito civis, além da tripulação (valor estimado por assento: US$ 70 milhões).

“Vejo o início de uma era em que mais pessoas poderão experimentar o espaço. O turismo espacial é uma forma de demonstrar ao público em geral a segurança e a confiabilidade das viagens espaciais”, explica a cientista política Wendy Whitman Cobb, em um artigo para o site The Conversation.

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Segundo ela, apenas sete pessoas conseguiram subir ao espaço como turista desde 2001, “mas esse número deve dobrar nos próximos 12 meses”. Para o empresário e filantropo Dylan Taylor, fundador da Space for Humanity (organização sem fins lucrativos criada para promover a democratização da exploração espacial), “a viagem suborbital provavelmente será o subsetor do turismo espacial a se materializar primeiro”.

Filão para bilionários

Voos suborbitais comerciais se tornaram um filão com a entrada, no início deste século, de empresas privadas que visavam explorar a evolução da tecnologia espacial, todas elas com bilionários à frente: Virgin Galactic (Richard Branson, do grupo Virgin), Blue Origin (Jeff Bezos, da Amazon) e SpaceX (de Elon Musk, da Tesla).

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Das três, a que mais está à frente é a SpaceX. “Atualmente, a empresa tem dois lançamentos turísticos planejados: uma programada para setembro de 2021, financiado pelo empresário bilionário Jared Isaacman”, diz Cobb. O outro vai unir a empresa de Musk à startup Axiom Space para levar ao espaço o investidor imobiliário Larry Connor e CEO do grupo de investimentos Mavrik, Mark Pathy.

Mais do que apenas uma forma de turismo, Elon Musk quer inaugurar a era do “Concorde espacial”, cobrindo rotas entre centros financeiros mundiais (como Nova York, Londres, Dubai) usando foguetes Starship para transportar cem pessoas ao redor do mundo em cerca de meia hora.

Rotina

Enquanto o CEO da Tesla trabalha para alcançar Marte, o fundador da Amazon, segundo Wendy Whitman Cobb, “quer expandir a humanidade e a indústria para o próprio espaço. A Blue Origin avançou lenta e silenciosamente no desenvolvimento de seu foguete New Shepard que, lançado com sucesso pela primeira vez em 2015, acabará por oferecer aos turistas um passeio suborbital até a borda do espaço. Para Jeff Bezos, esses voos representam um esforço em tornar as viagens espaciais uma rotina, confiável e acessível às pessoas ”, disse a cientista política.

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A Virgin Galactic, por sua vez, trabalha em uma nave para transportar seis passageiros em um voo suborbital de duas horas e meia, a US$ 200 mil por cabeça (o mesmo que deve cobrar a Blue Origin). É um turismo para poucos, mas ainda bem mais em conta que os US$ 22 milhões pagos por Tito.

Segundo disse Dylan Taylor ao site Space, “os voos suborbitais da SpaceX eventualmente atenderão os cidadãos comuns. Se 5% dos 150 milhões de passageiros que voam dez horas pagarem US$ 2.500 por viagem, o retorno chegará aos US$ 20 bilhões anuais. O turismo espacial será o trampolim para o espaço profundo."

Turismo espacial pode ser o trampolim para o espaço profundo