Especial Apollo 11: há 50 anos, o homem pisava pela primeira vez na Lua

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Há 50 anos, aconteceu nada menos do que um dos momentos mais incríveis da História do ser humano, certamente a maior conquista de homens e mulheres na área científica e de tecnologia até então: o módulo lunar Eagle tocou o solo da Lua às 20:17 UTC (Tempo Universal Coordenado, eram 17:17 no horário de Brasília) marcando a primeira vez em que uma pessoa pisou em terra firme fora do nosso planeta.

Essa conquista foi obtida pelos esforços do Projeto Apollo da NASA, que começou em fevereiro de 1966. O primeiro lançamento tripulado, marcado para fevereiro de 1967, não aconteceu por causa de uma catástrofe: um incêndio na plataforma de lançamento durante um teste em janeiro do mesmo ano matou os três astronautas que fariam um voo subortbital.

Os escolhidos para realizar a mais ousada missão espacial até então foram três americanos: Neil Armstrong, Michael Collins e Edwin “Buzz” Aldrin Jr.

Durante os anos seguintes, diversas missões do Projeto Apollo ajustaram o equipamento todo que levaria os primeiros humanos até a Lua. Para começar, o foguete propulsor Saturno V, que até hoje é considerado o maior, mais pesado e mais potente foguete já utilizado e o único a ter levado pessoas para além da órbita baixa da Terra.

aO foguete Saturno V na base de lançamento (Fonte: NASA)

Esse foguete conduzia o que era de fato chamado Apollo 11: o conjunto de módulo de comando — batizado de Columbia — e módulo lunar — o Eagle —, que juntos seriam os veículos responsáveis pelo sucesso da missão de levar pessoas para pisarem na Lua. Vale lembrar que com exceção do Saturno V, tudo isso deveria não apenas chegar no nosso satélite natural, mas também trazer de volta para a Terra os astronautas em total segurança.

Três homens com uma missão

Os escolhidos para realizar a mais ousada missão espacial até então foram três americanos: o comandante Neil Armstrong, engenheiro aeronáutico civil; o piloto do módulo de comando Michael Collins, militar e piloto de testes da Força Aérea, que nasceu em Roma, na Itália, mas era filho de americanos e cidadão do país; e Edwin “Buzz” Aldrin Jr., engenheiro mecânico militar e piloto de caças da Força Aérea. Os três fariam viajariam pelo espaço pela segunda e última vez na Apollo 11.

aDa esquerda para a direita: Neil Armostrong, Michael Collins e Edwin "Buzz" Aldrin em uma das fotos oficiais da missão Apollo 11 (Foto: NASA)

A Apollo 11 decolou da plataforma de lançamento 39A no Kennedy Space Center, da NASA, às 10h32 da manhã no dia 16 de julho de 1969. A decolagem do Saturno V foi tranquila e tudo aconteceu conforme o planejado. Assim que o foguete propulsor se desprendeu do conjunto de módulo de comando e módulo lunar, os três astronautas rumaram diretamente para a Lua em uma viagem que demorou cinco dias.

Ao alcançarem a Lua, a Apollo 11 deu a volta por trás do nosso satélite natural — momento em que perdia o sinal de contato com a Terra — e ao retornarem para a face que está virada para nós, desprenderam o módulo lunar para que ele pousasse na desolação empoeirada carregando humanos pela primeira vez.

aVista que os astronautas tinham da Terra e de parte do módulo lunar a partir do módulo de comando a caminho da Lua (Foto: NASA)

Salto gigantesco para a humanidade

Dentro do módulo lunar Eagle estavam Neil Armstrong, o comandante da missão, e Buzz Aldrin, piloto do veículo. Essa “alunissagem” precisa ser bem planejada: deve ser feita sempre com a Lua crescente, pois a inclinação da incidência da luz do Sol no satélite deve estar entre 5° e 14°. Isso acontece pois as sombras das pedras na superfície da Lua são usadas como referência para o pouso seguro.

Neil Armstrong, sobre os ombros de gigantes que proporcionaram esse feito, tocou o pé esquerdo — mas sem nenhum azar — no solo seco e empoeirado da Lua exatamente às 02h56 UTC (Tempo Universal Coordenado, eram 23h56 no horário de Brasília) do dia 20 de julho de 1969 e proferiu a frase imortal: “Esse é um pequeno passo para um homem, mas um salto gigantesco para a humanidade”.

Os dois astronautas ficaram separados de Michael Collins por 21 horas e meia. Ele ficou sozinho no controle do módulo de comando

Cerca de 12 minutos depois, Buzz Aldrin deixou o módulo lunar e acompanhou Armstrong na exploração da Lua, coletando amostras e posicionando experimentos científicos durante um total de duas horas e trinta e um minutos. Porém, para que essas duas horas e meia de caminhada na Lua fossem realizadas, os dois astronautas ficaram separados de Michael Collins por 21 horas e meia. Ele ficou sozinho no controle do módulo de comando que orbitou a Lua diversas vezes esperando Armstrong e Aldrin retornarem.

Após a caminhada na Lua e todas as atividades que haviam sido planejadas, Armstrong e Aldrin retornaram para o módulo lunar Eagle e descansaram por algumas horas antes do procedimento que ia tirar eles da superfície lunar e reacoplar o módulo lunar ao Columbia, que continuava rodando em torno da Lua com Michael Collins pilotando.

aBuzz Aldrin retira experimentos do módulo lunar pousado na Lua (Foto: NASA)

De volta à Terra

A partida da Lua foi tranquila. A decolagem se deu como estava planejado — apesar dela ter deslocado ar que derrubou a famosa bandeira dos Estados Unidos posicionada pelos astronautas no solo do satélite. Ao chegar novamente na órbita da Lua, o módulo lunar, de maneira minuciosamente calculada e sincronizada, encontrou-se com o módulo de comando e se uniram novamente. Armstrong e Aldrin reuniram-se com Collins no Columbia e a Eagle foi solta no espaço. Estava tudo pronto para o retorno para a Terra.

A viagem de volta durou até o dia 25 de julho de 1969, quando o módulo de comando fez o procedimento de reentrada em nossa atmosfera e caiu em um ponto no sudoeste do oceano Pacífico com o auxílio de três paraquedas após pouco mais de oito dias desde que haviam partido. Os astronautas foram resgatados pelo navio USS Hornet e levados até a base de Pearl Harbor, no Havaí.

Muito da história da conquista da Lua ainda está para ser contada, mas tudo graças ao esforço de tantas pessoas que conseguiram essa primeira vitória 50 anos atrás

Durante todo esse procedimento, os três ficaram em situação de quarentena, sem poder ter contato físico com outras pessoas para evitar o risco de contaminá-las com algo que pudessem ter trazido do espaço — hoje é muito fácil saber que não há esse risco, mas há 50 anos a NASA achou melhor prevenir do que remediar. Vinte e um dias depois, puderam todos retomar suas vidas normalmente — porém, agora, tendo que lidar com a fama de fazerem parte da primeira missão que levou o homem a pisar na Lua.

Diversas missões posteriores levaram mais homens para pisar na Lua — num total de 12 pessoas. A NASA nunca mais levou humanos para lá, desde 1972, mas agora tem em vista o projeto Artemis, que deve retornar com pessoas ao nosso satélite natural em 2024 e dessa vez, finalmente, levando pelo menos uma mulher. Muito da história da conquista da Lua ainda está para ser contada, mas tudo graças ao esforço de tantas pessoas que conseguiram essa primeira vitória 50 anos atrás.

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