Usar eletrônicos hoje em dia é uma verdadeira batalha contra todo o tipo de malware e ferramenta hacker para monitorar suas informações. Um artigo publicado pelos pesquisadores Steve Engelhard e Arvind Narayanan, porém, revelou que há uma ameaça ainda maior a considerar nessa “guerra”: o status da bateria de seu dispositivo.

Pode parecer estranho, mas acredite. Segundo os cientistas (ambos vindos da Universidade de Stanford), hackers teriam encontrado uma maneira de utilizar a bateria de seus eletrônicos portáteis como uma forma de monitorar seus passos na internet. Para piorar, não há como usar softwares de proteção, como antivírus, antispywares ou qualquer ferramenta de limpeza, para impedir que isso aconteça.

O método tira proveito de uma API chamada HTML5 Battery Status, que analisa a carga de seu dispositivo e permite a um servidor saber se seu site deve carregar uma versão mais econômica de sua página, caso a energia restante seja pouca. Com a ajuda dessa ferramenta, eles conseguem coletar de seu eletrônico uma informação precisa da energia de seu aparelho, bem como o tempo restante de uso até que ele desligue, como a imagem abaixo mostra:

Com 14 milhões de combinações diferentes, fica fácil usar esses dados como uma impressão digital de seu aparelho

Mas de que adiantaria para eles terem acesso às informações de sua bateria? Bem, o fato é que esses dados podem ser utilizados como uma identificação quase única de seu aparelho, graças às 14 milhões de combinações dos níveis de bateria e tempo restante de uso, permitindo que hackers rastreiem todos os sites que você visita, por exemplo.

O método é tão eficiente, vale notar, que hackers seriam capazes de identificar dois sites diferentes acessados pelo seu aparelho mesmo se um for aberto normalmente no navegador, enquanto o outro é aberto em outro browser, por uma aba anônima e com um software VPN. E as informações ficam ainda mais precisar para cada segundo que você utiliza o eletrônico.

A parte mais complicada desse novo método, como comentamos anteriormente, é que você não tem uma maneira de impedí-lo por softwares ou outras ferramentas. A única maneira de impedir que isso aconteça, no fim das contas, é conectar seu dispositivo à tomada ou desativar a ferramenta – o que é possível de fazer apenas no Firefox.

Uma ameaça ou não?

É importante notar que esse problema, de fato, não é exatamente novidade: serviços de segurança vêm debatendo sobre possíveis perigos que essa API pode oferecer há algum tempo. Em resposta a isso, muitas desenvolvedoras de browsers já estão estudando a possibilidade de adicionar uma opção para desligar esse sistema.

Enquanto isso, suas informações estão à mercê de terceiros – que nem sempre são hackers, como muitos imaginam. Esse é o caso do Uber, por exemplo, que utilizou esse método para monitorar seus clientes; descobrindo, como resultado, que pessoas com pouca bateria no celular tendem a pagar mais caro para ter sua carona o quanto antes.

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