O WhatsApp tem mais de 1,2 bilhão de usuários ativos no mundo, e 100 milhões deles e delas estão aqui no Brasil. Isso quer dizer que o nosso país é um dos maiores mercados para o aplicativo e, por esse motivo, o pessoal que trabalha lá conseguiu identificar alguns costumes típicos dos brazucas no mensageiro.

De acordo com o cofundador do WhatsApp, Brian Acton, existe uma tendência a usar bastante a voz para se comunicar no mensageiro que, inicialmente, foi criado apenas para mandar mensagens escritas. “Os brasileiros usam muito a voz, fazem muitas ligações. Vocês gostam de falar, creio eu. É uma característica cultural. Fiquei gratamente surpreso ao descobrir isso. Depois do lançamento das chamadas de voz, percebemos o quanto as pessoas gostam do recurso”, disse Acton à Exame.com.

O executivo ainda comentou assuntos delicados com a publicação brasileira, como a questão dos três bloqueios que o mensageiro sofreu no Brasil por não colaborar com a Justiça em casos de investigação. Acton considerou as medidas injustas porque, segundo ele, as ordens judiciais pediam informações que o mensageiro não tinha como fornecer.

Quando o WhatsApp "vem para o Brasil"?

É mais fácil e prático gerenciar tudo daqui da Califórnia

A Exame ainda questionou se o WhatsApp estuda um dia abrir um escritório por aqui, dada a importância do mercado nacional para o app. “Vamos avaliar isso conforme crescemos. Mas agora é mais fácil e prático gerenciar tudo daqui da Califórnia”, explicou Acton, que ressaltou que a negativa é apenas temporária. “A resposta não é um ‘não’, mas sim um ‘ainda não’”, completou.

Vale ressaltar que o WhatsApp tem conseguido ignorar ordens da Justiça brasileira basicamente por não ter uma representação no Brasil. Tentativas de juízes de chegar à empresa, que pertence ao Facebook, não renderam frutos, e algumas respostas do mensageiro foram inclusive consideradas arrogantes. O próprio Facebook já sofreu com a situação, e um de seus funcionários foi preso em março do ano passado por conta do imbróglio do WhatsApp com os tribunais.