A Samsung possui uma ampla variedade de dispositivos de entrada, com nomenclaturas tão parecidas que confundem. Só a linha Duos conta com sete modelos, e um deles é o Galaxy Core Plus, criado especialmente para bater de frente com dispositivos da concorrência, como Moto E, LG L70 e Sony Xperia E1 (clique nos links para acessar as análises dos dispositivos).

O aparelho conta com suporte para dois chips, TV Digital com antena embutida, câmera de 5 megapixels e processador dual-core, e já está sendo vendido nas lojas pelo preço médio de 540 reais. Mas será que ele vale o que custa ou é melhor que seus concorrentes? É o que você confere agora em nossa análise realizada a partir de um smartphone cedido por empréstimo pela loja Cissa Magazine.

Design

Os aparelhos da Samsung costumam ser bem parecidos entre si, e esse é o caso do Galaxy Core Plus. A parte metálica lateral e a tampa traseira são parecidas com a do Galaxy S4, enquanto a parte frontal é idêntica à do Galaxy S3. Além disso, o aparelho é quadrado como o S5 na parte superior e arredondado como o S3 na parte inferior. Ele ainda pode ser confundido facilmente com um Galaxy S4 Mini devido ao seu tamanho e design.

Enquanto a parte frontal e a lateral são muito bem acabadas, com um design premium, a tampa traseira de plástico tira a nobreza do visual. Apesar disso, ela é bem resistente, até mais que a de dispositivos top de linha, como o Galaxy S5.

O peso de 131 gramas e a espessura do dispositivo de 9,4 milímetros são bem similares às medidas de seus concorrentes diretos. O dispositivo se encaixa muito bem na mão devido ao tamanho da tela, mas a tampa traseira é bem lisa, transmitindo insegurança na hora de segurar o dispositivo.

Tela

A tela de LCD é resistiva e multitouch. Por se tratar de um aparelho de entrada, seu tamanho de 4,3 polegadas está bem adequado, permitindo operar o dispositivo com apenas uma mão. Entretanto, as bordas superior e inferior poderiam ser menores, já que há um desperdício de espaço.

A resolução WVGA é uma abaixo da HD, mas deixa a desejar. Embora ela não incomode no dia a dia, em determinados casos, como em jogos e textos longos, você poderá sentir um leve desconforto, principalmente porque a tela é bem reflexiva. Em nossos testes, ficou bem difícil de operar o aparelho sob forte luz solar, mesmo com brilho máximo.

Além disso, leves inclinações no celular fazem as imagens sumirem, o que é um ponto negativo. O brilho é alterado de modo significativo e o tempo de resposta aos toques é preciso, sem apresentar atrasos ou engasgos. Mesmo não contando com nenhum tipo de proteção, como a Gorila Glass, a tela parece bem resistente.

Aplicativos e funcionalidades

Os programas disponibilizados pela Samsung não são bonitos e também não funcionam como um diferencial para o aparelho, exceto o Rádio e a TV Digital. Todos os demais ou são básicos, como telefone e agenda de contatos, ou possuem versões melhores na Google Play, como o player de vídeo e música, serviço de email, entre outros.

Além disso, você não pode desinstalar nenhum dos programas que já vêm de fábrica. São 17 aplicativos que vão ocupar o pequeno espaço de armazenamento, servindo de entulho para o seu aparelho, como a loja Galaxy Apps, que apresenta uma pequena coleção de programas (quase todos disponíveis na Google Play), o mensageiro instantâneo ChatON, que quase ninguém usa, e o jogo Little Big City, que, para piorar, é apenas uma versão de demonstração.

O recurso de TV Digital é um dos grandes destaques, sendo capaz até de gravar as imagens que estão sendo exibidas. A resolução da transmissão aparentemente é a mesma da tela. Além disso, você poderá ver televisão em uma janela menor, tirar screenshots das imagens, usar um temporizador para desligar e até acessar o guia de programação dos canais.

Já o sistema dual-chip é bem inteligente e permite receber chamadas de um cartão SIM mesmo que você esteja usando o outro. Além disso, ele é capaz de decidir automaticamente qual chip usar na hora de fazer ligações para que você possa economizar.

O aparelho oferece apenas 4 GB de memória, sendo que 2 GB são ocupados pelo sistema. Dessa forma, sobram apenas 2 GB para você instalar aplicativos, o que é pouquíssimo espaço. Mesmo oferecendo suporte para cartões de 64 GB, eles não permitem instalar programas, apenas armazenar arquivos, músicas, fotos e vídeos, como em todo Android.

Câmera

A câmera principal possui flash LED e conta com 5 megapixels. Ela oferece um desempenho razoável. Em nossos testes, ela não se saiu bem em fotos tiradas à noite, apresentando granulações e cores predominantemente frias. Em ambientes fechados com pouca luminosidade, as fotos ficaram razoavelmente boas, e desta vez com predominância de cores quentes.

De dia e com sol, a câmera foi muito bem, com imagens bem nítidas, além de apresentar uma boa fidelidade de cores. O recurso se equipara com o de outros modelos, mostrando um desempenho pior que a do Moto E, mas com resultados similares aos das câmeras do Xperia E1 e LG L70.

A câmera conta com recursos extras. O disparo contínuo, por exemplo, que tira até 20 fotos sequenciais, falhou: as imagens capturadas em movimento ficaram todas borradas. Já o detector de sorrisos funcionou muito bem, enquanto a captura de fotos panorâmicas também trabalhou direitinho. 

Já a câmera frontal é VGA e isso vai atrapalhar suas selfies consideravelmente. A qualidade fica abaixo do esperado, mesmo para um celular de entrada, com bastante granulações, mesmo em ambientes abertos de dia.

A resolução máxima de gravação de vídeo é 720p (HD) e a câmera grava no formato mp4. A qualidade das filmagens é razoável: se exibida dentro do formato original, fica boa; porém, se você for assistir em tela cheia em um PC, por exemplo, a baixa resolução ficará evidente, mesmo quando o vídeo é gravado com qualidade HD.

Áudio

A qualidade do áudio externo surpreendeu. Talvez pelo fato de o aparelho contar com TV Digital, a Samsung deu uma atenção especial a este recurso. Porém, há um problema: os baixos são quase imperceptíveis, enquanto os agudos se destacam até demais.

No volume máximo, há um leve aumento de ruídos, mas nada que atrapalhe a qualidade, que se mostrou razoável. O som não é tão alto, mas também não é baixo.

A qualidade do fone de ouvido é razoável. O agudo é bom e não distorce, mesmo no volume máximo; já o grave passa praticamente batido e mal aparece, deixando o som estridente.

Ao passar o volume dos 80%, o aparelho indica que sua audição poderá ser prejudicada. O fone é confortável e conta com um pequeno controle com microfone e botão para pausar e trocar de música. Entretanto, não é possível aumentar ou diminuir o volume.

Bateria

A bateria do smartphone é aceitável para ser usada no dia a dia. Testamos o dispositivo por vários dias de forma assídua, com 100% da carga a partir das 9h da manhã, mexendo em apps como Facebook, WhatsApp, Spotify, Messenger e Gmail, além de internet e até alguns jogos, com WiFi e 3G ligados o tempo todo. Nessas condições, a carga aguentou quase um dia inteiro, precisando ser recarregada apenas por volta das 21h.

É bom lembrar que testar a durabilidade da bateria em um aparelho é muito difícil, pois cada dispositivo opera de maneira diferente, além de ser utilizado de forma distinta. Entretanto, quem usa os principais aplicativos com frequência não deverá se decepcionar com o tempo de carga.

Testes de desempenho

O dispositivo teve um desempenho considerado bom pelo AnTuTu Benchmark, mas com ressalvas, como o desempenho da CPU, considerada ruim por não executar aplicativos pesados com suavidade. Além disso, ele ficou abaixo de todos os concorrentes diretos, como Moto E, Xperia E1 e LG L70, ao marcar 11.650 pontos.

Testamos também o aparelho com o GFX Bench, voltado para mensurar a qualidade gráfica. Isso inclui itens como estabilidade de desempenho, qualidade de renderização e consumo de energia. Os resultados são revelados em média de frames por segundo (fps) – quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho. O aparelho marcou 12,4 pontos, ficando acima de todos os seus concorrentes diretos.

Vale a pena?

O grande problema do Galaxy Core Plus é o seu desempenho fraco, causando vários engasgos e travamentos. Isso acontece porque o consumo de memória RAM frequentemente vai ao limite. O aparelho tem um preço médio de R$540, maior que o Moto E (R$525), mas apresenta um desempenho pior que o smartphone de entrada da Motorola, por exemplo.

O Xperia E1 também se sai melhor que Galaxy Core Plus, talvez por contar com uma versão de interface do sistema operacional mais enxuta. Embora os aparelhos tenham configurações similares, o dispositivo da Sony leva a melhor por gerenciar os recursos de forma mais inteligente.

O LG L70 também leva vantagem no mesmo quesito: o desempenho. A CPU do Galaxy Core Plus é um dos grandes problemas do dispositivo e a lentidão é o que mais incomoda, atrapalhando sua usabilidade no dia a dia. Já o dispositivo da LG se saiu bem em nossa análise.

É sabido que a modificação no Android feita pela Samsung (chamada de TouchWiz) é lenta e isso é perceptível principalmente em modelos com menor poder de processamento, como é o caso do Galaxy Core Plus. A empresa ainda adaptou a interface do Galaxy S4 para rodar no aparelho, e isso teve um custo alto, pois prejudicou a performance do dispositivo.

O Galaxy Core Plus é bem construído, tem um visual bonito e conta com uma bateria razoavelmente decente, além de oferecer funções extras, como TV Digital e o sistema dual chip. Mas essas vantagens acabam desaparecendo diante do desempenho fraco do hardware associado ao software da Samsung. Por isso, talvez seja mais interessante optar por seus concorrentes, que apresentam desempenho melhor e mais fluido, por um preço similar ou menor.

O smartphone Samsung Galaxy Core Plus pode ser adquirido na loja Cissa Magazine pelo preço de R$ 503,99 (consulta em 08 de setembro de 2014).

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