A Motorola é uma das fabricantes de aparelhos celulares mais tradicionais de todas. A empresa começou a sua história no setor antes de muita gente que está no mercado hoje em dia.

O tempo passou e a empresa acabou sendo comprada pela Google até que, recentemente, passou para as mãos da Lenovo. Muitos acreditaram que isso acabaria com a Motorola, principalmente depois do estrondoso sucesso do Moto G, que se popularizou em mercados emergentes, como o Brasil.

No último “censo TecMundo” pudemos conferir que o aparelho é mesmo o queridinho dos brasileiros, mostrando que a Motorola acertou a mão na criação do modelo, trazendo um hardware decente por um preço justo.

Agora ela tenta repetir o sucesso, mas trazendo um celular para ocupar uma posição abaixo do Moto G. O Moto E possui basicamente o mesmo design de seu irmão maior, mas chega com um hardware um pouco mais simples e um preço ainda mais baixo.

O modelo tem a pretensão de ser o primeiro smartphone de muita gente e ser o celular que vai matar os “dumbphones”, aqueles aparelhos que só fazem ligação e mandam mensagens. Mas será que ele tem o que é preciso para fazer isso?

Especificações

Design

O Moto E segue o mesmo padrão do Moto G; os dois são muito parecidos por fora, sendo que a principal diferença está na parte da frente. Ele também traz duas barras para esconder o microfone e o alto-falante, que passou de trás para frente nesse modelo. Já na parte traseira os dois são praticamente iguais, com exceção do flash, recurso ausente no aparelho em questão.

A novidade foi desenvolvida para ocupar o mercado de entrada de smartphones, mas nem por isso possui um visual frágil. A carcaça traseira é de plástico, mas bem mais robusta que em outros smartphones. Para completar, ela possui uma textura emborrachada que também ajuda na hora de segurar o aparelho e garante mais firmeza ao conjunto.

Quem gosta de personalizar o celular vai gostar de saber que a carcaça traseira do Moto E vem em cores diferentes, garantindo a personalização do celular. O modelo com TV digital, inclusive, já vem com duas capinhas extras para que você não se canse do visual do aparelho.

Com exceção dos botões de força e volume, o Moto E não possui botões físicos. Os controles tradicionais ficam na própria tela do aparelho, assim como no Moto G e no Moto X.

O formato do aparelho também é bem confortável, tanto na mão quanto no bolso. A responsável por isso é a superfície curva e as bordas levemente arredondadas do smartphone.

Tela

A tela utiliza o Gorilla Glass 3, tecnologia que torna o aparelho bastante resistente a riscos e acidentes. As 4,3 polegadas trabalham com uma resolução de 540x960 pixels, o que resulta em uma taxa de aproximadamente 256 ppi (pixels por polegada). Apesar de ser uma definição inferior à do Moto G, a qualidade de imagem é bastante satisfatória nesse aparelho, ainda mais por se tratar de um celular de entrada.

É possível perceber alguns serrilhados no contorno das letras ou dentro dos jogos, por exemplo, mas é preciso procurar pelos defeitos. Na prática, essa resolução de tela funciona muito bem, além de garantir algum desempenho extra ao aparelho. Como o processador é mais simples que o do seu irmão mais velho, renderizar imagens menores ajuda a manter o sistema mais fluido; e isso é algo que não deve ser desprezado.

Apesar de ter boa definição, a imagem no geral não está livre de problemas. O painel LCD é simples e não apresenta uma taxa de brilho muito alta, o que prejudica um pouco a visualização de imagens em ambientes com muita luz.

As cores tendem a se distorcer um pouco na hora do scroll, efeito que felizmente não chega a atrapalhar o uso do aparelho. Isso é pouco perceptível, mas não há como negar que ele esteja presente, principalmente depois passar um bom tempo lendo algum texto na tela do Moto E.

O vidro da tela, mesmo sendo Gorilla Glass, aparenta ser bem fino. Isso porque quando tocamos a superfície com um pouco mais de força é possível ver as “ondinhas” típicas do efeito de dispersão dos cristais do LCD.

Armazenamento e cartão micro SD

A Motorola optou por incluir apenas 4 GB de espaço de armazenamento nesse telefone. Apesar de a empresa não carregar a interface com recursos extras ou aplicativos próprios (e nem sempre úteis), sobra menos de 2 GB para você instalar os programas e aplicativos. Isso faz com que a instalação de um cartão micro SD seja mais que obrigatória para o Moto E.

Entretanto, sabemos o Android não permite que aplicativos sejam instalados no cartão; apenas fotos e músicas podem ser armazenadas ali. Isso faz com que você precise gerenciar muito bem o que instala no smartphone. Geralmente a maioria dos programas para Android são pequenos, mas jogos maiores deverão ser um problema. A Motorola adicionou um recurso que permite que alguns aplicativos sejam movidos para o cartão de memória depois de instalados, mas isso não funciona com todos os aplicativos.

Interface e aplicativos Motorola

Não há muito o que comentar da interface do Moto E, uma vez que a Motorola optou por trabalhar com o Android tradicional, quase sem modificações. Isso traz algumas vantagens claras, mas também apresenta algumas desvantagens.

Do lado positivo temos um sistema leve e fluido que roda muito bem apesar de o hardware do Moto E não ser dos mais avançados. Isso permite que seja possível alternar entre aplicativos abertos com extrema facilidade, sendo algo que indiscutivelmente não pode ser desprezado.

Por outro lado, no Moto E você não vai encontrar muitos recursos visuais e nem mesmo widgets pré-instalados na tela inicial. Eles estão presentes, mas será preciso configurar tudo manualmente.

A central de notificações também é bem mais simples que em outros celulares, pois não é possível realizar o ajuste avançado de recursos, como a Samsung oferece nos aparelhos da linha Galaxy, por exemplo. Isso contribui para a leveza do sistema, mas pode prejudicar um pouco a usabilidade do aparelho, já que você não poderá configurar teclas de atalho, por exemplo.

O Moto E também está trazendo o Motorola Alerta, um aplicativo que pode enviar mensagens aos seus amigos e familiares caso você se encontre em perigo. Sendo assim, caso você sofra um acidente ou seja vítima de alguma ação criminosa, basta ligar o Motorola Alerta para que seus parentes ganhem informações mais concisas que lhes permitam prestar socorro.

E não acaba por aí: o aplicativo também permite que você determine locais como “Casa”, “Trabalho” e “Escola”, notificando automaticamente os contatos escolhidos sempre que você chegar a esses locais (uma espécie de check-in privado, digamos).

Apesar de bastante interessante e funcional, ele deixa a desejar em um ponto: não existe um modo rápido de ativação do “modo perigo”; ou seja, é preciso abrir o aplicativo para enviar os alertas. A Samsung apresentou um modo mais inteligente de realizar essa tarefa, que é pressionando o botão power três vezes seguidas para ativar a função, permitindo que você faça isso com o aparelho no bolso, por exemplo.

Outro recurso de segurança incluído no aparelho permite que você assuma o controle remoto do aparelho caso ele tenha sido roubado. Fazendo isso, é possível formatar a memória do aparelho e até mesmo bloquear o sistema, tornando o gadget inútil nas mãos dos meliantes.

A Motorola também inclui o Assist, um aplicativo dedicado a facilitar a configuração do aparelho. Você pode ajustar o período que estiver dormindo ou em reunião para não ser incomodado, por exemplo. Isso também pode ser feito automaticamente com base na sua agenda.

Para completar, existe uma ferramenta de migração criada especialmente para facilitar a troca de aparelho: você seleciona a fonte de origem (seu smartphone antigo, que pode ser iOS ou Android) e a ferramenta ajuda você a transferir os seus dados importantes para o seu novo Moto E.

Hardware e desempenho

O Snapdragon 200 presente do Moto E possui um processador Cortex-A7 dual-core de 1,2 GHz e o acelerador gráfico é o Adreno 302 em seu interior. Esse conjunto surpreendeu durante os testes; e foi uma surpresa boa.

Apesar de ser inferior ao Moto G, esse aparelho foi capaz de responder muito bem em quase tudo o que foi testado, incluindo jogos, navegação na internet, vídeos e redes sociais. Tudo isso já rodando o KitKat, a última versão do Android.

A interface flui muito bem e não apresenta engasgos. Parte disso é por causa da versão pura utilizada pela Motorola. Isso significa que não existem camadas extras de software sobre o sistema para trazer novas funções e mais carga para o processador.

O jogo Injustice: Gods Among Us é um exemplo de um jogo relativamente pesado, mas que roda muito bem no aparelho. O game apresentou algumas “engasgadinhas” durante as partidas, mais precisamente em cutscenes ou quando novos personagens são selecionados no meio das lutas. Fora isso, a pancadaria rolou sem problemas.

Apesar de apresentar apenas 1 GB de RAM e um processador simples, alternar entre aplicativos abertos em segundo plano funciona muito bem nesse aparelho. Durante o período de testes, utilizamos o aparelho normalmente no dia a dia e em nenhum momento ele decepcionou.

Dual SIM, rádio e televisão

O Moto E carrega recursos bem atraentes e um deles é o suporte a dois chips SIM. O sistema também carrega um recurso que é batizado como chamada inteligente e funciona assim: cada vez que você vai fazer uma ligação, o aparelho identifica a operadora do número de destino e sugere o chip da mesma operadora (se ele estiver disponível, é claro).

Essa configuração pode ser gravada na memória para facilitar o acesso mais tarde. Deste modo, basta memorizar as configurações e ligar normalmente para os seus contatos. O aparelho vai sempre selecionar automaticamente a melhor operadora e você não precisará se preocupar com a seleção manual dos chips.

O Moto E também carrega um receptor de TV digital, o que significa que agora você vai poder assistir aos seus programas favoritos em qualquer lugar, é claro, desde que na sua cidade já exista sinal digital. O aparelho pode captar os sinais sem muita dificuldade, bastando sintonizá-los no aparelho.

A parte chata é que a antena de TV necessária para a sintonização dos canais é quase uma “gambiarra”, pois ela é conectada ao plug dos fones de ouvido. Felizmente isso não impede que o som seja ouvido pelos próprios speakers do aparelho ou através dos fones de ouvido, que são conectados à extremidade superior da antena.

É uma solução funcional e inteligente adotada pela Motorola, mas que não supera as tradicionais antenas retráteis — encontradas em alguns modelos mais antigos — em termos de praticidade.

A parte boa é que o receptor funciona muito bem. Contudo, vale lembrar que a qualidade do sinal depende muito do local em que você se encontra, logo, não é possível garantir que a TV funcione perfeitamente em qualquer ponto do país.

O rádio, assim como na maioria dos telefones, precisa dos fones de ouvido para funcionar, uma vez que os mesmos servem como antena FM. O aplicativo é bastante intuitivo e faz uma varredura pelas estações de rádio assim que aberto pela primeira vez. Ele salva tudo na memória para que seja fácil localizar a frequência mais tarde.

Câmera

A câmera do Moto E é um dos seus recursos mais básicos. Com apenas 5 megapixels de resolução e sem flash, ela consegue “quebrar um galho” mas não impressiona muito. O aplicativo de câmera da Motorola possui algumas ferramentas bem simples para facilitar o registro das imagens, entre elas HDR, controle de exposição, foto panorâmica, geolocalização e formato da imagem.

Destas, a que parece mais útil para controlar a qualidade das fotos é o controlador de exposição, que deixa você ajustar a luminosidade que será captada pela câmera. Esse é o único jeito de tentar melhorar a qualidade das fotos, já que o foco da câmera é fixo.

O modelo também não oferece uma câmera frontal, o que deve impossibilitar as videochamadas e até mesmo dificultar o registro das famosas “selfies”. É claro que esses recursos são opcionais e não devem impactar muito na escolha do aparelho, principalmente em um modelo de baixo custo.

Em ambientes com uma boa quantidade de luz, o Moto E dá conta do recado e o resultado é razoável. Entretanto, quando as fotos são batidas dentro de casa, ou em ambientes menos iluminados, o resultado são imagens granuladas e com baixa qualidade.

Testes de desempenho

AnTuTu Benchmark 4

Um dos aplicativos de benchmark mais conceituados em sua categoria, o AnTuTu Benchmark 4 faz testes de interface, CPU, GPU e memória RAM. Os resultados são somados e geram uma pontuação final. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

GFX Benchmark

O GFX Bench é voltado para mensurar a qualidade gráfica. Isso inclui itens como estabilidade de desempenho, qualidade de renderização e consumo de energia. Os resultados são revelados em média de frames por segundo (fps). Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

3D Mark

O 3D Mark é, talvez, o mais conhecido software de benchmark do mercado. No mundo todo, pessoas utilizam esse software para medir o desempenho de suas máquinas e agora também dispositivos móveis. O foco dos testes é o processamento de gráficos em três dimensões.

O teste utilizado é o Ice Storm Unlimited, que serve para fazer comparações diretas entre diferentes processadores e GPUs.

Bateria

A bateria de 1.980 mAh não fez feio durante os testes. Utilizamos o aparelho por vários dias como celular principal. Durante a maior parte do tempo, o uso foi para receber e responder mensagens, atender algumas ligações, navegação na internet e até mesmo assistir a alguns vídeos.

Em quase todos os dias foi possível fazer a bateria render um dia inteiro de uso e ainda sobrar cerca de 30%, um resultado muito bom, principalmente para um uso de moderado a alto do aparelho.

Já em testes isolados, os resultados foram semelhantes. O nosso teste de reprodução de vídeos funciona assim: deixamos um vídeo alta definição rodando via streaming pelo WiFi com o brilho no máximo, até que a bateria se esgote completamente.

Nesse teste, a bateria precisou de 5 horas e 55 minutos para se esgotar completamente. Com isso, podemos concluir que a bateria do Moto E é muito boa.

Vale a pena?

Repetir o sucesso do Moto G é uma tarefa incrivelmente difícil, isso porque a Motorola conseguiu reunir no mesmo aparelho uma série de recursos e funcionalidades que casaram perfeitamente com o bolso e o gosto do público.

O Moto E não veio para ocupar o mesmo lugar de seu irmão maior, ele veio para ocupar uma posição abaixo na hierarquia. Como dissemos no início, o seu objetivo é substituir os celulares tradicionais que ainda existem por aí. E, pelo menos nisso, a empresa acertou. O celular possui uma ótima qualidade a um preço que cabe no bolso.

No dia a dia, é difícil perceber a diferença de desempenho desse modelo para o Moto G, por exemplo. Essas diferenças podem ser percebidas em atividades mais específicas, como fotos, já que a câmera desse aparelho é inferior.

O modelo chega para competir com diversos modelos já firmes na categoria, como o Lumia 520, o Xperia E1 ou o Novo Lumia 630, que promete os mesmos recursos e um preço no mesmo patamar. É claro que cada um possui os seus próprios diferenciais, e isso é o que deverá impulsionar as escolhas dos consumidores.

No geral, a Motorola conseguiu criar um smartphone muito bom e por um preço bastante acessível, mas que deve encontrar fortes concorrentes no mercado. Um deles é o próprio Moto G, que apresenta resultados melhores por uma diferença pequena de preço.

Desse modo, se a TV não for um diferencial importante para você, talvez seja melhor economizar um pouco mais e ficar com o Moto G.

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