Você talvez nunca tenha encarado o som como algo estratégico, mas engenheiros, publicitários e pesquisadores de um grande número de indústrias estão descobrindo que as pessoas respondem positivamente a... Bem, sons falsos.

Desde o sólido barulho satisfatório da porta do carro fechando até o som do caixa eletrônico separando o seu dinheiro para o saque, são todos feitos artificialmente para que os consumidores tenham uma confiança sonora nos seus produtos.

Sons graves demonstram estabilidade

A porta de um carro é basicamente oca, com algumas peças dentro. Por causa disso, se não houvesse um planejamento sonoro, o barulho que soaria ao ser fechada seria agudo, o que traz uma sensação de que o material não é sólido, de que a porta é frágil.

Para produzir o “clique” ideal, as portas são desenhadas para projetar o mínimo possível de altas frequências (sons agudos). Existem diversas patentes das fábricas visando resolver o problema, mas geralmente isso é alcançado colocando algum material diferenciado no ponto onde ocorre o contato da porta com o resto do carro.

Em média, levamos 1,8 segundos para fechar a porta de um automóvel, mas nesse tempo você presencia uma sinfonia projetada pelos engenheiros para dar a impressão de que o carro é sólido e forte.

Carros elétricos são os mais silenciosos

Aliás, eles são tão silenciosos, que se fosse do interesse das montadoras eles não produziriam som algum. Mas isso pode ser um problema para a segurança, pois outras pessoas poderiam não notar a aproximação do veículo elétrico.

Nissan Leaf (Fonte da imagem: Reprodução/Nissan)

Na Europa, está em processo de votação uma lei que obriga as fábricas a instalarem um sistema de som nos motores dos carros elétricos, de acordo com alguns padrões.

Um dos exemplos é o Nissan Leaf, que possui um alto-falante preso embaixo do motor e que é responsável por simular o famoso “vrum” dos motores. Tal prática está se tornando comum, para que todos no trânsito possam notar a chegada do veículo.

E nem o Skype escapa desse grupo

Um som menos óbvio, mas que ouvimos com frequência, é chamado de “som de conforto”. Os aparelhos telefônicos mais modernos possuem sistemas de redução de ruído que podem resultar em um silêncio completo durante a ligação e deixar você se perguntando se a chamada caiu.

Para evitar que isso aconteça, o Skype possui um som de estática que fica ao fundo das ligações e que é colocado lá artificialmente. Embora você não o perceba conscientemente, ele previne que alguém ache que a chamada não está mais conectada por acidente.

O “tic-tac” da seta nos veículos

Antigamente, para ligar a seta, os veículos possuíam um relé que fazia um barulho característico, cada vez que ligava e desligava a luz. Mas esse não é mais o caso, por isso os engenheiros tiveram de simular o som.

Embora em um primeiro momento pareça que todos os carros possuem o mesmo “tic-tac” na seta, as empresas pesquisam ativamente a melhor maneira de reproduzir o som. Por isso, enquanto o barulho está lá para lembrar-nos de que a seta está ligada, as montadoras aplicam ao som o mesmo cuidado que tomam ao tentar encontrar o ruído ideal para a porta.

Suas fotos já estão bem mais silenciosas, ou poderiam estar

O som do disparador da câmera é característico e qualquer pessoa é capaz de identificá-lo, mesmo sem saber onde foi produzido. Contudo, máquinas mais novas não produzem esse som naturalmente, precisando de um alto-falante para simulá-lo.

Adicionar o som à câmera é necessário como uma forma de feedback ao fotógrafo, para saber quando sua imagem foi efetivamente capturada. Aliás, no Japão, o som é obrigatório. Isso para evitar que pessoas tirem fotos de forma escondida (executando a prática do “upskirting”).

O item mais controverso: mas parece que o caixa eletrônico também está nos enganando

Nada melhor do que chegar ao caixa eletrônico, efetuar a operação para sacar dinheiro e então ouvir a máquina pacientemente contando seu dinheiro e colocando-o a disposição para retirada.

Esse artigo é controverso pois há muitas pessoas que afirmam que o som é verdadeiro e realmente corresponde às peças da máquina trabalhando. Outros afirmam que é aplicado um “atraso” ao processo, para que possamos acompanhar o prazeroso som do dinheiro chegando. Há, por fim, os mais radicais que dizem que o som é completamente manipulado por alto-falantes e a máquina, em si, não produz som algum.

Se algum leitor do Tecmundo tiver trabalhado com essas máquinas, por favor, compartilhe conosco tais informações.

 

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