Barra de proteína é realmente uma escolha saudável?

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As barras de proteínas saíram das lojas especializadas em nutrição esportiva nos últimos anos — agora, elas podem ser encontradas em farmácias, supermercados e até em bancas de revista. Com a promessa de fornecer um aporte de proteína de uma maneira prática para quem tem uma vida corrida, elas podem ser aliadas na conquista de objetivos de performance e forma física, desde que você conte com orientação de um profissional e sempre esteja atento ao rótulo do produto

“As quantidades de proteínas e de outros nutrientes e ingredientes, como vitaminas, açúcar e carboidratos, variam muito entre as marcas”, diz Sueli Longo, nutricionista especializada em nutrição do esporte e do exercício físico e presidente da SBAN (Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição). 

Barras de proteína podem ser uma opção prática para complementar a ingestão de proteínas de quem pratica atividade física (Shutterstock)

“Olhar para a informação nutricional do produto é extremamente importante para saber o que você está recebendo”, afirma Longo.  

Como escolher a barra de proteína para o seu dia a dia 

No Brasil, as quantidades de proteína nas barras costumam variar entre 10 gramas e 25 gramas. Já as quantidades de gordura e carboidratos podem variar ainda mais, e nem sempre estão facilmente visíveis nas embalagens. Vale lembrar que as barras de proteína são produtos diferentes das barras de cereais, que não contém as quantidades maiores de proteínas. 

Para navegar entre essas informações, uma visita ao nutricionista é essencial. “A primeira coisa que precisamos saber é se há necessidade de aumentar o aporte de proteína. O uso do produto está associado à prática de atividade física em um volume que justifique o consumo das barras”, diz a nutricionista. 

O especialista vai fazer um gerenciamento das escolhas alimentares de acordo com o momento de cada pessoa. Uma medida de composição corporal e de peso ajudam a orientar sobre as necessidades individuais e, quando é preciso aumentar a ingestão de proteínas, mas há dificuldade de incluir esse componente na alimentação, as barrinhas podem entrar em lanches intermediários para fazer um complemento.  

Barras de proteína podem conter pó de whey (proteína do soro de leite), muito popular entre os atletas (Shutterstock)

Os exames também devem estar em dia para saber qual é a melhor escolha para você. “Se é preciso controlar as quantidades de açúcar na dieta, o que pode acontecer mesmo com praticantes de exercício físico, a escolha do produto deve estar dentro do contexto do planejamento alimentar adequado”, acrescenta Longo.  

O que vale para todos, lembra a especialista, é a importância de diminuir o consumo de açúcares adicionados, sódio e gorduras. 

Qual a quantidade de proteína ideal? 

A quantidade ideal de proteínas que cada pessoa precisa é um número individual, e que vai depender de diversos fatores, como composição corporal, objetivos de performance esportiva e forma física, e o volume de atividade física praticada. Assim, somente um especialista pode avaliar e fazer essa conta.  

O consumo de um suplemento de proteína está associado à prática de atividade física (Shutterstock)

De acordo com Kristi Wempen, nutricionista da Mayo Clinic, empresa prestadora de serviços médicos nos Estados Unidos, o consumo de mais de 2 gramas de proteína por quilograma de peso corporal por dia já pode ser considerado excessivo.  

Em texto publicado no site da instituição, Wempen diz que pessoas que praticam alguma atividade física regularmente podem necessitar de 1,1 gramas a 1,5 gramas de proteína por quilograma de peso corporal por dia. Pessoas que fazem musculação ou em treinamento mais intenso para provas de corrida ou ciclismo podem precisar diariamente de 1,2 gramas a 1,7 gramas de proteína por quilograma de peso corporal.  

Segundo Longo, da SBAN, as pessoas supervalorizam a proteína na dieta. “Aumentar a quantidade de proteínas não significa que os objetivos de desempenho serão atingidos. O sucesso está atrelado ao treino e à matriz alimentar. Tudo que você come e bebe vai interferir”, diz a nutricionista. 

“As pessoas esquecem outros ingredientes importantes. Existe uma ação específica da proteína, mas também tem a ação da água, das vitaminas, dos minerais e carboidratos”, completa.  

Quais são os malefícios do consumo em excesso? 

Por mais que as proteínas, junto de um treinamento adequado, sejam essenciais para atingirmos objetivos estéticos e esportivos, qualquer alimento em excesso pode apresentar riscos. No caso das barras de proteína, ou de outros suplementos proteicos, como o popular whey, as quantidades de açúcar, carboidratos e gorduras do produto podem prejudicar o corpo. Além disso, a absorção de proteínas que o corpo é capaz de fazer é limitada.    

“O corpo não consegue estocar proteína, então uma vez que a quantidade necessária é alcançada, qualquer volume extra é usado para energia ou guardado como gordura. Qualquer excesso de calorias de qualquer fonte é armazenado como gordura no corpo”, afirma Wempen em seu texto. 

“O consumo extra de proteína pode levar a níveis mais altos de lipídios no sangue e doenças do coração pois muitos alimentos ricos em proteína têm maiores quantidades de gordura saturada”, escreve Wempen.  

O excesso de proteína também pode sobrecarregar os rins, o que apresenta um risco adicional para pessoas que possuem alguma predisposição para doença renal, acrescenta a especialista. 

Segundo Wempen, as fontes de proteínas mais saudáveis são as plantas, como soja, nozes, sementes, feijões e lentilhas; carnes magras, como frango e peru sem pele; peixes e outros frutos do mar; claras de ovos e laticínios com baixo teor de gordura.