Estamos sozinhos no Universo?

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Imagem: https://apod.nasa.gov/apod/ap191129.html
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Com o avanço contínuo do conhecimento astronômico, o sentimento de que estamos próximos de achar vida fora da Terra é cada vez maior. Estamos entendendo cada vez melhor quais condições foram necessárias para existir vida na Terra e, além disso, encontrando configurações cada vez mais semelhantes em outros sistemas.

Infelizmente, a pergunta ainda não foi respondida: estamos sozinhos? A resposta é: ainda não encontramos de fato vida fora da Terra.

Cena do filme Cena do filme "A Chegada"Fonte:  Palavras de Cinema 

Mas, quando falamos de vida fora da Terra, a imaginação hollywoodiana conquista nossos pensamentos. Pensamos em criaturas inteligentes, com civilizações bem estruturadas e tecnologia tão avançada que mal podemos compreender. Afinal, é isso que os profissionais da Astronomia procuram? Posso falar facilmente que não! O que estamos procurando hoje são sinais de vida mais simples (mesmo que toda forma de vida seja complexa por si só). Isso porque as chances de encontrar uma vida menos complexa é mais fácil. Caso exista vida fora da Terra, formas de vida mais simples, como bactérias, devem ser mais abundantes.

Animação de bactérias se movendoAnimação de bactérias se movendo.Fonte:  GIPHY 

E como procuramos esses sinais de vida? Primeiro, temos que entender que a definição de vida é mais complexa do que imaginamos. Depois de vários debates, cientistas entenderam que definir vida de forma ampla é uma tarefa complicada. Entretanto, buscar formas de vida que já conhecemos e poder reconhecê-las pode ser uma saída para esse problema.

Afinal, o que aconteceria se encontrássemos uma forma de vida que não sabemos reconhecer como uma? Então, a busca pela vida fora da Terra é baseada em todas as formas de vida que conhecemos aqui em nosso planeta. E o que todas elas têm em comum? A necessidade de água para existir. Então, esse é o ponto número um para desenvolver a estratégia dessa procura.

Encontrando exoplanetas que possam ter água líquida na superfície, nós restringimos nossos alvos à busca de sinais de vida! Você espera encontrar mais vida em uma floresta ou em um deserto? Na primeira opção, provavelmente. A estratégia para busca de vida fora da Terra segue o mesmo raciocínio. Como detectar esses sinais em si pede uma tecnologia mais avançada e análises mais complexas, procuramos primeiro a presença de água.

Floresta do CamboatáFloresta do Camboatá.Fonte:  Revista Piaui 

O segundo passo seria procurar por bioassinaturas. Estudando a atmosfera de exoplanetas que podem ter água líquida na superfície, é possível encontrar pistas da presença de vida (ou não) nesse local. Isso porque, como na Terra, esperamos que um planeta que suporte vida tenha sua atmosfera fortemente alterada. Determinados elementos presentes na atmosfera terrestre só podem ser explicados pela presença de seres vivos, como oxigênio, metano, ozônio e outros. E o mesmo se procura em exoplanetas.

Representcaão de bioassinaturas na TerraRepresentção de bioassinaturas na Terra.Fonte:  Astropontos 

Esses são alguns pontos de estratégias de como procuramos vida fora da Terra. Entretanto, nós também sabemos que existem bactérias super-resistentes chamadas extremófilos. Esses pequenos seres são capazes de sobreviver em locais com densidade próxima do vácuo, altos índices de radiação, temperaturas extremas e diversos fatores que seriam impossíveis para nós suportarmos.

Se existem extremófilos, também existem locais exóticos que talvez tenha vida. Uma dessas apostas é o próprio Sistema Solar. Ano passado, um estudo revelou que podem existir bactérias vivendo na atmosfera de Vênus, um planeta conhecido por ser agressivo e inóspito. Outros pontos poderiam ser em luas de planetas gigantes gasosos, que estão muito distantes do Sol. Por exemplo, Europa (capa da coluna), uma das luas de Júpiter, tem um oceano enorme subterrâneo! Titã, uma das luas de Saturno, é o único corpo do Sistema Solar em que encontramos corpos líquidos estáveis na superfície.

Imagem de um tardígrado, um extremófilo também conhecido como Imagem de um tardígrado, um extremófilo também conhecido como "urso-d'agua".Fonte:  Revista Galileo 

Cada vez mais encontramos locais promissores para hospedar vida e, portanto, estamos mais próximos do que será uma das maiores descobertas da humanidade: vida em outro local, além da nossa pequena nave azul que orbita uma pequena estrela amarela entre tantas outras na imensidão do Universo.

Agora, e se existir vida inteligente em outros sistemas? Quais desses locais poderiam detectar vida inteligente aqui na Terra? Quais seriam as outras civilizações para as quais os alienígenas seríamos nós? Esta pergunta foi respondida recentemente em uma publicação na revista Nature.

E a resposta é: em torno de 2 mil sistemas estelares poderiam detectar a vida humana de fora da Terra. Parece muito, mas só na Via Láctea existem na ordem de centenas de bilhares de estrelas. No Universo inteiro, estima-se que existe em torno de 1 trilhão de estrelas. E, de tudo isso, apenas 2 mil sistemas poderiam detectar nossa curta presença no Universo.

Será que estamos sozinhos?

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Camila Esperança, colunista do Tecmundo, é bacharel e mestre em Astronomia. Atualmente, é doutoranda no Observatório Europeu do Sul (Alemanha). Autointitulada legista de galáxias, investiga cenários evolutivos para galáxias e possíveis alterações no surgimento de estrelas.

Estamos sozinhos no Universo?