Basta entrar na seção de televisores de alguma loja de produtos eletrônicos para se deparar com equipamentos que prometem taxas de atualização de 60 Hz, 120 Hz e até mesmo 480 Hz. No entanto, ao lado da etiqueta fornecida pelas fabricantes, raramente há alguma informação complementar que ajude a compreender o que esse dado quer dizer na realidade.

Embora a lógica nos diga que um valor maior representa algo melhor, na prática não é bem isso o que acontece. Ciente do efeito psicológico que números grandes têm na mente do consumidor, muitas empresas utilizam esse quesito como uma forma de “enganar” o público e convencê-lo a levar para casa um produto que não necessariamente é o melhor.

Neste artigo, esclarecemos quais as vantagens de possuir uma televisão com uma boa taxa de atualização de imagens e mostramos quais as táticas que fabricantes usam para “manipular” esse dado. Confira nossa explicação e, após finalizar a leitura, registre sua opinião sobre o assunto em nossa seção de comentários.

A questão da taxa de atualização

Normalmente medida em Hertz (Hz), a taxa de atualização de uma televisão se relaciona à quantidade de quadros que ela mostra a cada segundo. Praticamente todos os conteúdos que chegam à sua casa são produzidos em 60 Hz, embora haja algumas exceções.

O motivo pelo qual fabricantes tentam aumentar essa quantidade de quadros é uma limitação típica de painéis LCD relacionada ao seu tempo de resposta — a velocidade com que cada pixel individual alterna entre um estado ativo e um inativo. Telas com grandes dimensões costumam apresentar problemas nesse sentido, o que resulta na aparição de imagens “borradas” ou que exibem artefatos que parecem acompanhar os movimentos feitos por alguma pessoa ou objeto.

Para evitar esse problema, empresas criaram uma técnica na qual cada um dos 60 quadros enviados pela fonte dos conteúdos é reproduzido duas vezes — o que produz uma frequência efetiva de 120 Hz. Embora os benefícios dessa prática sejam questionados por alguns especialistas, a teoria é que isso força o cérebro dos telespectadores a registrar melhor a diferença entre quadros seguidos, acabando com a sensação de que há elementos “desfocados” ou “borrados”.

Leve em conta que, ao ser introduzida, essa tecnologia veio acompanhada por novas técnicas de processamento de imagem que também contribuíram para melhorar a experiência oferecida por painéis LCD. Ou seja, não foi simplesmente o aumento da taxa de atualização que conseguiu reduzir os artefatos que surgiam nas telas.

O início da “farsa”

O uso de frequências maiores como “estratégia” de marketing pode ser ligado ao ano de 2009, quando começaram a surgir os primeiros painéis que prometiam uma taxa de atualização de 240 Hz. Enquanto algumas fabricantes realmente entregavam o que prometiam — e efetivamente atualizavam imagens 240 vezes a cada segundo —, outras usaram um “método alternativo” para alcançar esse efeito.

Essa “opção secundária” consiste em manipular a maneira como o painel de iluminação traseiro em LED se comporta. Tipicamente, essa peça de hardware sempre fica ligada, no entanto é possível fazer com que ela fique “piscando”, o que faz com que seus olhos vejam imagens seguidas de um painel totalmente preto em rápida sucessão.

Como essa alternância acontece de forma extremamente rápida, você não nota o que está acontecendo e, tecnicamente, passa a ver duas imagens por segundo — mesmo que uma delas seja somente uma tela em preto. Essa prática comum, que também costuma reduzir borrões, é vendida pelas empresas como se o produto realmente oferecesse uma taxa de atualização dobrada.

Na prática, o que acontece é que, em vez de observar o dobro de quadro de imagens, o consumidor está vendo o mesmo quadro duas vezes — sendo que há a exibição de um painel totalmente preto entre essa repetição. O método, considerado “mentiroso” por alguns, traz como benefício o fato de que isso resulta em produtos com um preço de produção reduzido em relação àqueles que apostam em taxas de atualização reais.

Outro método usado para reduzir “borrões” é aumentar as capacidades de processamento de vídeo de um produto — técnica chamada por algumas fabricantes de “motion smoothing” (suavização de movimentos, em uma tradução livre). Como muitas televisões apresentam misturas entre essas três técnicas, a maioria das fabricantes adota valores genéricos com o objetivo de “esconder” do consumidor a taxa de atualização real de seus produtos.

Quais as vantagens de uma frequência maior?

Mesmo que você possua um produto que realmente tenha uma taxa de atualização superior, nem sempre é uma boa ideia usar ao máximo suas capacidades. Frequências acima de 60 Hz podem produzir um efeito surreal durante a reprodução de filmes e programas de televisão, visto que quadros adicionais podem fazer com que alguns deles pareçam rápido demais — além disso, detalhes de segundo plano ganham em detalhes, o que pode entregar o uso de materiais de baixa qualidade e efeitos especiais mal planejados.

As vantagens oferecidas por uma taxa de atualização maior acontecem quando acessamos conteúdos que envolvem movimentos rápidos — como esportes ou jogos eletrônicos. Nesses casos, vale a pena investir em um produto que tenha uma taxa de atualização efetiva acentuada, já que isso ajuda a tornar mais fácil o acompanhamento de uma ação.

Como regra geral, se aquilo que você está assistindo envolve o foco no rosto de pessoas reais conversando, é melhor reduzir a frequência utilizada para evitar que elas pareçam “bonecos assustadores”. Já quando o assunto assistido envolve muita ação ou personagens fictícios interagindo em um ambiente virtual, vale a pena apostar em uma taxa de atualização mais acentuada — felizmente, muitas das televisões disponíveis no mercado permitem realizar essa troca de maneira fácil através de alguns comandos do controle remoto.

Como fugir de valores irreais?

Infelizmente, dificilmente as fabricantes exibem o valor de atualização real de seus produtos na hora de convencer o público a comprá-los. No entanto, há um fator que torna bastante claro se uma televisão sofre de um caso de “propaganda enganosa”: o preço.

Como o uso de uma taxa de atualização maior exige hardwares mais poderosos, dificilmente você vai encontrar um dispositivo com frequência de 240 Hz reais sendo vendido por um valor “barato”. Isso explica por que produtos de marcas especializadas, como a Benq, costumam ser mais caros do que dispositivos feitos para um público mais amplo.

Na prática, a maioria dos grandes nomes do mercado, como Sony, LG e Samsung, costuma apostar em uma abordagem “mista”, adotando tanto técnicas que aumentam efetivamente a taxa de quadros por segundo quanto apelando para o uso de técnicas de iluminação diferenciada.

Embora as soluções que não mexem diretamente com a taxa de atualização de um aparelho ajudem a acabar com a ocorrência de “borrões”, os métodos utilizados para isso variam. Para se certificar de que você não está levando para casa um produto “enganoso”, recomendamos pesquisar informações sobre ele na internet e conferir a presença de termos como “suavização de movimentos/interpolação de movimentos”, que aumentam a chance de estarmos lidando com um painel de 120 Hz (ou mais) reais.

Caso o dispositivo examinado não contenha o poder de processamento associado a tais características, são grandes as chances de que ele possua um painel de 60 Hz que usa alguma técnica de iluminação especial.

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