Não há como dizer que a situação do lixo não é preocupante. Em todo o mundo, milhares de cidades sofrem com o problema de coleta e também com a destinação de resíduos. Afinal de contas, como fazer para levar e armazenar o lixo até locais em que eles não se transformem em resíduos tóxicos — que ameaçam a saúde de lençóis freáticos e ecossistemas inteiros em algumas regiões.

Pois uma empresa brasileira chamada IMAP (com base no RS) está trazendo o que pode ser uma ótima solução sustentável para esse problema — sendo que isso vale principalmente para as cidades pequenas e que contam com populações inferiores aos 25 mil habitantes. Trata-se do Ecosol, que revoluciona o sistema de armazenamento e aterramento do lixo. Confira mais sobre isso agora mesmo.

As etapas do Ecosol

O sistema “ECOSOL – Coleta, Compactação, Embolsamento e Destino Final” possui as quatro etapas bem especificadas e promete tornar a coleta mais adequada aos padrões ambientais. E todas elas são necessárias para que o processo se torne sustentável e permita um melhor aproveitamento dos aterros. Com isso, ainda existe uma conservação do ambiente muito mais correta.

A empresa gaúcha pretende vender o sistema — que já foi patenteado — para prefeituras, buscando levar suas soluções para ambientes públicos e melhorar a qualidade de vida das regiões que optarem por suas iniciativas. Como dissemos anteriormente, esses sistemas utilizam quatro etapas indissociáveis, vamos conhecer cada uma delas?

Coleta

O sistema Ecosol utiliza caminhões adaptados para permitir que todo o processo seja realizado. Este veículo se chama “Coletor Embolsador” e ele também é responsável pela segunda parte do processo. Neste início, os trabalhadores responsáveis pela coleta dos lixos da população devem depositar os sacos de resíduos diretamente em uma área definida da estrutura — como já acontece em sistemas convencionais.

Coleta Ecosol

Compactador

Depois de o lixo ser depositado no interior da caçamba, partes internas do veículo são responsáveis por fazer com que todo o lixo seja compactado. Nessa etapa, os caminhões são responsáveis por fazer com que a água seja retirada do lixo, evitando que seja acumulado chorume no processo. Cada caminhão pode suportar até 12 toneladas de lixo e 800 litros de chorume em seus tanques laterais.

Embolsamento

Depois de a água ser retirada do lixo, os caminhões ainda são capazes de acondicionar os resíduos dentro de enormes bolsões para até 4 toneladas de lixo, cada uma — essas bolsas vão ser parte essencial para o processo de aterramento, pois evitam que o lixo seja depositado a céu aberto acumulando mau cheiro, animais e chorume.

Bolsas em período de quarentena

Destino final

Com as embalagens secas, ainda é necessário manter os bolsões em ambientes provisórios pelo período de 30 dias. Nesse tempo, o sistema Ecosol trabalha com a criação de direcionadores de líquidos que possam ter sobrado das etapas anteriores, fazendo com que o chorume seja armazenado em caixas para o processamento posterior.

Depois desse período, os bolsões podem enfim ser levados até o aterro definitivo. Lá, eles podem ficar aterrados por até 12 anos antes de serem levados para estações de processamento ou reciclagem — sendo que a empresa promete o reaproveitamento de até 70% de todo o material coletado.

Ilustração de aterramento e armazenamento

Vantagens

Como já dissemos, esse tipo de coleta traz muito mais segurança ambiental aos municípios, principalmente por evitar o acúmulo de lixo a céu aberto em meio a regiões que possam gerar doenças ou contaminações de solo ou lençóis freáticos. Fora isso, também existe redução nos odores e a melhoria no aproveitamento dos materiais em reciclagem e processamento.

Se analisarmos as cidades pequenas com até 20 mil habitantes, somente um caminhão do sistema Ecosol seria suficiente para toda a coleta — considerando uma média de 600 gramas diários por pessoa. Ainda é possível criar consórcios para que várias cidades dividam um único aterro, por exemplo, para a deposição de bolsas de vários caminhões. 

Por fim, também é importante destacar que torna-se mais econômico estocar lixo como matéria prima para reciclagem e processamento — facilitando também o transporte em momentos posteriores. Será que algum dia  o Ecosol e sistemas similares vão poder ser vistos nas grandes cidades?

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