Apesar de filmes capazes de registrar imagens em cores já existirem desde os primeiros anos do século XX, foi só após a década de 1920 que isso se popularizou no cinema, conforme as tecnologias para trazer cores para as imagens em movimento foram se tornando cada vez mais avançadas.

Produções coloridas existiram praticamente desde sempre no mundo do cinema. Grandes nomes do mundo dos efeitos especiais, como Georges Méliès, já usavam técnicas para produzir filmes coloridos, mesmo sendo complicadas, demoradas e trabalhosas, e, portanto, caras. No começo de tudo, a colorização era feita quadro a quadro e as películas, exibidas com uma limitação de cores para o público que precisava pagar mais por elas.

Um dos primeiros filmes coloridos da história do cinema: "Home  Footage", de Edward Turner (1901/1902)

Cores primárias

Isso indica que, obviamente, os filmes ainda eram produzidos – ou seja, gravados – em preto e branco, e sua cor era acrescentada em pós-produção, manualmente. Porém, ainda na primeira década do século XX, foi criado um meio de registrar imagens em movimento com suas cores.

Edward Turner e G. A. Smith desenvolveram um processo chamado Kinemacolor, capaz de usar filtros de cores separados e, posteriormente, projetar as imagens de maneira que os tons de cores eram visualizados corretamente. Nessa época, uma série de filmes – ainda “mudos” – foram feitos usando essas tecnologias primitivas para tentar retratar as imagens com suas cores originais.

"La Vie et la Passion de Jésus Christ", filme francês colorido de 1903

Somando e subtraindo

O Kinemacolor usava o que era chamado de sistema de cor aditiva e que aprendemos no primário: a “soma” de cores primárias gera cores secundárias (como azul + amarelo = verde), e assim por diante. A sobreposição de filtros com cores diferentes gerava tons adicionais e coloriam os filmes que eram originalmente em preto e branco.

Processos envolvendo a subtração de cores foram introduzidos no ramo na década de 1920 e também usavam filmes originalmente em preto e branco, mas tinham uma vantagem sobre o que era empregado antes: como o resultado era uma impressão colorida, não eram necessários dispositivos especiais e filtros para exibir o produto final. Foi apenas na década de 1930 que um sistema surgiu para mudar de vez a história do cinema.

Processo de colorização de filmes com Kinemacolor usando as cores verde e vermelho

Technicolor

Foi nos anos 1930 que os primeiros grandes clássicos de maior sucesso foram concebidos pelos cineastas. A Sétima Arte já estava consagrada como um meio de entretenimento de grande alcance popular e finalmente um método de colorização de imagens caiu no gosto de Hollywood, que já despontava com seus grandes estúdios e uma produção acelerada de grandes películas. Têm destaque nessa época, por suas cores vívidas e imagem cristalina – para a época –, os filmes “E o Vento Levou” e “O Mágico de Oz”, ambos de 1939.

Porém, a tecnologia data de muito antes disso e já havia sido usada para lançar o filme “The Gulf Between”, de 1919, que usava um sistema aditivo de duas cores (vermelho e verde). A empresa, fundada em Boston no ano de 1914 por Herbert Kalmus, Daniel Frost Comstock e W. Burton Wescott, pegou o “tech” usado em seu nome do MIT, o Massachusetts Institute of Technology, onde dois dos fundadores estudaram quando jovens. Aí, foi só misturar o “color”, e pronto!

Exemplo de filme que usa o sistema de duas cores da Technicolor – bom, mas ainda não ideal

Empurrãozinho da Disney

O sistema substituiu o Kinemacolor como principal processo na colorização de filmes e, aos poucos, foi ficando cada vez melhor. Após aposentar o primeiro processo da tecnologia, o aditivo, a empresa passou a usar a subtração de cores no que foi chamado de “two-strip Technicolor”. Isso, porém, ainda não foi o que fez a companhia emplacar no mundo do cinema.

No início dos anos 1930, o cinema colorido estava perdendo popularidade, e sua produção diminuía vertiginosamente. Foi quando os criadores da Technicolor desenvolveram uma câmera que prometia o registro de todas as cores – indo além do espectro de verde e vermelho dos processos anteriores. Os estúdios de cinema gostaram e voltaram a registrar imagens coloridas, então muito mais próximas à realidade e mais “amigáveis” à visão.

A Disney foi umas empresas que adotaram a Technicolor com mais afinco, levando cores vivas para seus desenhos animados em produções como “Flowers and Trees”, de 1932 – que ganhou o Oscar de Melhor Curta-Metragem de Animação –, e “Three Little Pigs”, de 1933. Finalmente, o sistema de coloração ganhou de vez o coração da Disney com os clássicos “Branca de Neve e os Sete Anões”, de 1937, e “Fantasia”, de 1940.

"Flower and Trees", de 1932

Nas graças de Hollywood

Com a ajuda dos desenhos animados – e você já deve ter visto vários deles passando nos programas matinais, sempre com os dizeres “In Technicolor” nos créditos –, o sistema de cores revolucionou a maneira como se fazia cinema e, ainda mais, como se assistia. As cores vivas de animações e filmes ganharam o gosto do público, e a relativa facilidade para se usar as câmeras com esse sistema fez com que Hollywood abraçasse de vez a Technicolor, que coloriu suas películas até 1955, quando outras tecnologias a tornaram ultrapassada.

É claro que alguns problemas tiveram que ser driblados pelos cineastas assim que adotaram o processo: as produtoras não podiam comprar as câmeras da Technicolor, apenas alugá-las – incluindo técnicos operadores – para registrar seus filmes. Os estúdios precisavam estar sempre muito bem iluminados, pois o filme era lento (ASA 5). Isso aumentava o calor no set de filmagem de maneira que ficava quase insuportável atuar. Tudo isso foi sendo aprimorado durante as décadas em que a Technicolor reinou no cinema colorido.

As cores vivas de "O Mágico de Oz", de 1939

Um novo mundo para os efeitos especiais

Daí para frente, tudo é história: filmes se tornaram praticamente todos coloridos e, a partir de então, os outros efeitos especiais precisaram se adaptar – e muito! A mudança, porém, marcou não apenas a Era de Ouro do Cinema, mas a arte como um todo. E depois disso, com a popularização de novas tecnologias – como os computadores –, os efeitos especiais deram um passo de gigante para chegar àquilo que vemos hoje em dia.

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