Água e materiais orgânicos são encontrados no asteroide Itokawa

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Cientistas da Royal Holloway, da Universidade de Londres (Inglaterra), encontraram água e materiais orgânicos em uma pequena amostra da superfície do asteroide Itokawa, que foi trazida à Terra por meio de uma missão da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA). A descoberta foi revelada no estudo publicado na Scientific Reports, nessa quinta-feira (4).

É a primeira vez que estes tipos de compostos, considerados elementos-chave para a vida na Terra, são identificados em um asteroide. Além de reforçar a teoria sobre a origem da vida no planeta ter relação com objetos celestes transportando água e outras moléculas cruciais, a novidade pode mudar a compreensão das rochas espaciais em geral.

O estudo teve como base uma partícula recolhida pela missão Hayabusa, lançada pela JAXA em maio de 2003. Pouco mais de dois anos após a decolagem, a espaçonave fez um pouso rápido na superfície do Itokawa, em novembro de 2005, para coletar amostras.

A missão Hayabusa coletou a amostra em 2005.A missão Hayabusa coletou a amostra em 2005.Fonte:  NASA/Divulgação 

Mesmo enfrentando dificuldades como problemas de comunicação com a equipe em solo e falhas no motor, a nave conseguiu retornar à Terra em junho de 2010, pousando em Woomera, na Austrália, com a importante carga que foi analisada minuciosamente em laboratório.

Estudo da amostra

Batizada de “Amazon” pela equipe de pesquisadores, a pequena amostra do objeto revelou detalhes importantes a respeito dele, sugerindo que a rocha espacial foi destruída e formada novamente pelo menos uma vez ao longo da sua história.

O estudo mostrou que o Itokawa tem evoluído constantemente ao longo de bilhões de anos, incorporando água e compostos orgânicos de origem externa durante todo esse processo, assim como aconteceu com a Terra em um passado distante, no início de sua formação.

Amostra minúscula do Itokawa usada no estudo, em destaque.Amostra minúscula do Itokawa usada no estudo, em destaque.Fonte:  Nature/Reprodução 

As análises apontam que a rocha enfrentou um aquecimento extremo (a mais de 600 ºC), desidratação e estilhaçamento, provavelmente devido a um impacto “catastrófico”, segundo a pesquisa. Mesmo assim, ela se reconstruiu a partir dos fragmentos restantes e se reidratou com água obtida de poeira e meteoritos ricos em carbono, impactados com o corpo celeste após o seu resfriamento.

“Depois de ser estudada detalhadamente por uma equipe internacional de pesquisadores, nossa análise de um único grão mostrou que ele preservou a matéria orgânica primitiva (não aquecida) e processada (aquecida) em dez mícrons (um milésimo de centímetro) de distância”, explicou a especialista do Departamento de Ciências da Terra da Royal Holloway Queenie Chan, uma das participantes da pesquisa.

Mudança de foco

Essa descoberta de água e materiais orgânicos no asteroide Itokawa, que acaba de ser anunciada, pode levar os cientistas a mudar de estratégia ao planejar as próximas missões espaciais para coletar amostras de corpos celestes e trazê-las para análise na Terra.

Até o momento, a maioria dos programas realizados pelas agências espaciais para tentar encontrar elementos vitais à vida nessas rochas que cruzam o céu têm como alvo os asteroides do tipo C. Eles são ricos em carbono e apresentam composição química semelhante à do Sol.

Amostras do Bennu estão a caminho da Terra.Amostras do Bennu estão a caminho da Terra.Fonte:  NASA/Divulgação 

Como o Itokawa é um asteroide do tipo S, rico em sílica e constituído por uma mistura de níquel e ferro, os pesquisadores podem colocar rochas com estas mesmas características entre as prioritárias para os futuros lançamentos. Isso porque o estudo comprovou a presença de materiais importantes para o surgimento da vida nele.

“O sucesso desta missão e a análise da amostra que retornou à Terra, desde então, pavimentou o caminho para uma análise mais detalhada do material carbonáceo retornado por missões como a Hayabusa2 da JAXA e a OSIRIS-Rex da NASA”, comentou Chan. As naves citadas por ela recolheram, recentemente, amostras dos asteroides Ryugu e Bennu, respectivamente.