Astrônomos descobrem halo de matéria escura em galáxia primitiva

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Imagem: Paul Volkmer/Unsplash
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Uma galáxia situada a cerca de 163 mil anos-luz da Via Láctea, muito menor, mais antiga e bem na periferia da atração gravitacional de nossa região do espaço, oferece informações únicas a respeito das primeiras estruturas galácticas do Universo a pesquisadores daqui da Terra, inclusive as mais misteriosas, como a publicada na última terça-feira (2) no periódico Nature Astronomy. Ao redor da Tucana II, um time de astrônomos encontrou evidências de um halo de matéria escura.

Anirudh Chiti, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), em entrevista ao Gizmodo, explica o que os permitiu chegar a essa conclusão: "Sabemos que o material está lá porque, para que os sistemas permaneçam ligados, deve haver mais do que aquilo que percebemos a partir da luz das estrelas. Sem ele, as galáxias que conhecemos, ou pelo menos as coisas que as circundam, simplesmente se separariam."

Só para se ter uma ideia, os limites gravitacionais do local chegam a ser de três a cinco vezes mais massivos que o cogitado em estudos anteriores, sugerindo que mesmo as estruturas mais antigas apresentam corpos do tipo. Afinal, a Tucana II é a formação mais quimicamente primitiva conhecida pela humanidade – e alguns de seus astros têm um teor de metal muito baixo, já que tais elementos foram produzidos apenas um tempo depois da explosão inicial.

Imagem da Tucana II capturada pelo Hubble.Imagem da Tucana II capturada pelo Hubble.Fonte:  Reprodução 

Colisões e resultados

O fato de que os astros da galáxia atuam em sinergia foi o que levou a equipe de cientistas a suspeitar da existência de algo a mais. Chiti explica o porquê: "Ao olharmos para a região do céu em que a Tucana II se encontra, não vemos um agrupamento ou densidade excessiva de estrelas. Detectamos a presença do sistema em questão por lá somente por visualizarmos um grupo delas se movendo na mesma velocidade."

Anna Frebel, também astrônoma do MIT, exemplifica o cenário em comunicado à imprensa, dizendo que tudo se assemelha à "água do banho descendo pelo ralo."

Uma das hipóteses levantadas pelos estudiosos é de que tudo não passe do resultado de uma fusão galáctica anterior, um choque cósmico no qual um sistema foi consumido por outro e que condensou estrelas de diferentes origens em uma formação inédita. Isso, complementam, justifica a presença de algumas mais velhas nas extremidades e outras mais novas próximas do centro.

Independentemente de qual seja o motivo de seu nascimento, ressaltam, um evento semelhante é esperado no futuro, no qual a Via Láctea "engolirá" sua vizinha menos expressiva, dada a potência gravitacional que exerce sobre ela.

Colisões galácticas modificam estruturas do Universo.Colisões galácticas modificam estruturas do Universo.Fonte:  Reprodução 

De todo modo, ainda há muito a se descobrir, já que não se sabe exatamente, ainda, o que é a matéria escura. Teorias não faltam por aí, nem dedicação de especialistas, mas é certo que, em algum momento, sentiremos os efeitos do que desconhecemos – seja enquanto estivermos na Terra ou depois de nossa passagem por aqui.

Fontes

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