Apesar de uma viagem feita de avião ser consideravelmente menor do que aquela realizada por terra ou água, nós ainda não estamos satisfeitos com a velocidade a que as aeronaves podem chegar. Tanto que várias pesquisas estão sendo feitas para chegar a um nível além – algo que está prestes a se tornar realidade.

Um dos principais responsáveis pelos estudos que tentam tirar esse projeto do papel é a Agência Espacial Europeia, que pretende criar aviões de passageiros capazes de ultrapassar a velocidade do som em cinco vezes. Isso o tornaria seis vezes mais veloz que os modelos atuais.

Batizado de A2, o projeto da agência pretende superar as marcas obtidas até agora – inclusive o X-15, um híbrido de avião e míssil que, em 1960, ultrapassou a barreira do som por 90 segundos e pegou fogo em seguida – a partir de uma tecnologia bastante complexa. De acordo com o especialista em aerodinâmica da Imperial College London, Paul Bruce, o segredo está no chamado “Mach”.

No entanto, isso não quer dizer que, em suas próximas férias, você poderá ir de São Paulo a Tóquio em uma única manhã. De acordo com as previsões, o A2 só poderá ser uma realidade a partir do ano de 2040, principalmente por conta dos desafios que o instituto terá de vencer.

Problemas da aviação hipersônica

Segundo Bruce, o maior obstáculo está no fato de a física sofrer uma mudança a partir de 1.225 km/h – chamado na aeronáutica de Mach 1 –, principalmente porque os gases se comportam de maneira diferente da forma com que estamos habituados. Como o nível dos Machs altera à medida que a velocidade é dobrada e, a partir do Mach 5, há uma nova alteração da forma com que os elementos reagem, o problema fica ainda mais complexo.

Um ponto básico é o ar. Sabe aquelas máscaras que você vê pilotos usando em filmes? Basicamente, seria preciso que cada passageiro do avião utilizasse um equipamento semelhante para conseguir respirar.

(Fonte da imagem: Wikimedia Commons)

O combustível é outro impasse, pois as empresas aéreas precisariam desenvolver motores capazes de se adaptar às novas condições. Atualmente, os aviões conseguem chegar a 913 km/h, o que seria um equivalente a um Mach 0,85. Para que o A2 pudesse ser realidade, os engenheiros precisariam criar um modo de fazer com que os equipamentos se adaptassem aos diferentes níveis de velocidade, indo do subsônico ao hipersônico.

Além disso, a aeronave precisa ser feita de um material especial para que ela não tenha o mesmo fim do X-15 e se incendeie nos céus por causa do atrito.

Por fim, o maior desafio da aviação não está somente em sua concepção, mas também em termos práticos. De acordo com o repórter da revista Business Traveller, Tom Otley, é preciso criar a necessidade dessa alta velocidade antes de colocá-la no mercado. Para ele, de nada adianta superar a barreira do som se os preços para isso são inacessíveis para a maioria dos passageiros.

A2 em 2013?

Para viabilizar o desenvolvimento do A2, foram liberados 10 milhões de euros — cerca de R$ 24 milhões no câmbio atual — para superar todos os desafios necessários. Em 2013, um comitê irá avaliar os progressos da Agência Espacial Europeia para decidir se o apoio será mantido.

Por isso, segundo o coordenador do projeto, Johan Steelant, será possível conferir os primeiros resultados da aviação hipersônica.