Se você é fã de cinema, deve se lembrar do espaço a cada vez que ouve aquela famosa música do Aerosmith (“I Don’t Wanna Miss a Thing”), que ficou marcada como a canção do filme “Armageddon”. Na ficção, astronautas norte-americanos vão até um asteroide que ameaça a Terra e o explodem para evitar uma catástrofe. E na vida real, isso seria possível?

Quando falamos no espaço, temos poucas respostas para uma infinidade de perguntas, pois pouco se conhece sobre o que existe fora da Terra. Quais são os limites que o universo nos impõe? Será que um dia será possível fazer mais do que tudo o que já fizemos? Estamos muito longe da possibilidade de pousar em asteroides?

O abandono dos ônibus espaciais

Os ônibus espaciais do programa Space Shuttle da NASA foram utilizados por 30 anos (entre 1981 e 2011), atingindo sucesso em missões dos mais diversos tipos. Neste ano, a Agência Espacial dos Estados Unidos afirmou que as espaçonaves deste tipo não farão mais viagens, pois o programa é muito caro e não permite muito mais do que já foi feito.

(Fonte da imagem: Reprodução/NASA)

George W. Bush (que governou os Estados Unidos entre 2001 e 2008) investiu muito dinheiro na NASA para levar o homem novamente à Lua até o ano de 2020, mas Barack Obama (atual presidente do país) decidiu encerrar os investimentos e apostar em viagens para os asteroides, as quais só devem ser possíveis entre 2020 e 2030.

Engenheiros da NASA planejam agora formas de criar espaçonaves que possuam maior eficiência na utilização de combustíveis para que seja possível chegar até regiões mais remotas do espaço. Somente dessa maneira seria possível realizar pousos em asteroides – em distâncias que permitam alguma interação segura.

Qual asteroide escolher?

Você sabe a que distância está a Lua? São 386 mil quilômetros. Parece muito? Mas não é nada perto dos 8 milhões de quilômetros que estão separando a Terra dos primeiros asteroides que poderiam ser utilizados como objetos de estudo para os seres humanos. Isso mostra por que não seria possível utilizar as naves do programa Space Shuttle, que possuem pouco espaço para combustível.

(Fonte da imagem: Reprodução/NASA)

Outra limitação imposta pelos ônibus espaciais era o tamanho. Por serem muito grandes, tornava-se impossível o pouso em superfícies pequenas ou irregulares. É preciso também pensar em encontrar asteroides de dimensões suficientes para análises. Paul Abell, cientista da NASA, disse em entrevista à New Scientist que “seria constrangedor tentar pousar em algo menor do que sua nave”.

Por essas razões, ele afirma que seria necessário encontrar um asteroide com pelo menos 50 metros. Dessa forma, as novas naves poderiam pousar neles com segurança e os astronautas ou sondas poderiam ter uma área razoável para realizar coletas de rochedos e outros materiais para análises posteriores.

Como pousar?                                      

Segundo o PhysOrg, para chegar até as remotas regiões de asteroides, seria necessário utilizar foguetes tão grandes quanto o Saturno V, que levou o homem até a Lua entre as décadas de 1960 e 1970. Isso representa altos custos de produção, mas os objetivos valeriam todos os esforços, segundo o presidente Obama.

Um dos maiores desafios a serem vencidos é o pouso. Asteroides viajam em velocidades que se aproximam dos 45 mil km/h e quase não oferecem gravidade, o que demanda a utilização de âncoras para que as naves espaciais possam se anexar a eles. Conforme relatado pelo The Guardian, esse é também o motivo para que os astronautas não possam andar pela superfície, da maneira que fizeram na Lua (qualquer impulso faria com que eles se perdessem no espaço).

(Fonte da imagem: Reprodução/NASA)

Você deve ter percebido que há uma certa contradição nas informações: é preciso de foguetes enormes para se chegar até lá, mas naves grandes não poderiam pousar. Por isso, seriam utilizados os mesmos recursos que foram disponibilizados para as missões da Lua: módulos parecidos com os lunares, mas muito mais avançados.

Módulos garantem menos impacto e podem se aproveitar da gravidade quase nula para decolar com mais facilidade e menor consumo de combustíveis. Em um primeiro momento, devem ser realizados com sondas robóticas, demorando algum tempo até que seja possível vermos astronautas humanos em solo de asteroides.

Por que fazer isso?

Uma dúvida que pode surgir na cabeça dos leitores é relacionada aos motivos que levariam o governo norte-americano e a NASA a investir tamanha quantia em tecnologias para viajar até remotas áreas do espaço. Uma das respostas parece dura, mas é realmente necessário pensar nela: garantir a sobrevivência da raça humana.

Assim como aconteceu no filme “Armageddon”, há chances de que em algumas décadas os asteroides tenham suas rotas desviadas para a órbita da Terra, o que poderia causar catástrofes inimagináveis (como você pode ver neste artigo que preparamos há algumas semanas).

Por essa razão, é necessário que se saiba do que eles são compostos. Pousar em um asteroide também pode permitir que sejam alocadas bombas e outros métodos de desvio orbital. Isso pode garantir que eles sofram desvios de destino. Ou seja, pode evitar que eles atinjam a Terra.

(Fonte da imagem: Reprodução/Discovery Channel)

Outros motivos são tanto financeiros quanto científicos. Expedições até asteroides podem ser muito mais baratas do que viagens até Marte, que era um dos destinos desejados pelo programa espacial norte-americano na época em que George W. Bush era o presidente. 

Lembrando que uma das possíveis origens dos asteroides é a formação do sistema solar, é provável que os materiais pelos quais eles são compostos carreguem uma série de informações sobre as movimentações cósmicas que causaram o nascimento do universo como conhecemos.

Há, inclusive, teorias que apontam para a presença, nos asteroides, de organismos semelhantes aos que deram origem à vida na Terra. Se isso for confirmado, poderemos não apenas ter mais provas de que existe vida fora daqui, como também teremos uma nova hipótese para a nossa evolução: talvez a vida primordial na Terra seja extraterrestre.

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Ainda deve demorar pelos menos 15 anos até que vejamos as primeiras missões não tripuladas voando até os asteroides, mas o avanço tecnológico que isso permite é imensurável. Isso sem falar nos benefícios científicos que podem ser obtidos. Agora, só nos resta esperar pelas novas publicações de pesquisas e testes que devem ser realizados pela NASA.

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