Atual aposta de fabricantes para reaquecer a venda de televisores, os aparelhos compatíveis com a resolução 4K estão começando a se tornar mais acessíveis para o público em geral. No entanto, a velocidade da queda do preço desses dispositivos não está necessariamente sendo acompanhada pela disponibilidade de conteúdos nativos ao formato, o que pode tornar um tanto difícil encontrá-los.

Dessa forma, reunimos neste artigo algumas dicas de serviços e eletrônicos que se mostram essenciais para completar uma televisão com essas características. Afinal, por mais que seja bom assistir a conteúdos em 1080p com upscale, nada se compara à experiência de ver imagens produzidas pensando no novo formato.

Netflix

O sistema de transmissão de vídeos mais conhecido da atualidade foi um dos primeiros a apostar no formato de imagens 4K. Desde abril de 2014, o Netflix oferece a opção de assistir a algumas de suas séries gravadas nativamente no formato — a primeira oferta do tipo foi a segunda temporada de House of Cards (atualmente em seu terceiro ano).

Para ter acesso ao recurso, é preciso cumprir alguns requisitos básicos: entre eles, possuir uma televisão compatível com o codec HEVC (High Efficiency Video Coding)/H.265 — ausente da primeira geração de TVs UHD. Além disso, é preciso se certificar de que o aparelho utilizado possui suporte ao padrão HDMI 2.0 — clique aqui para conferir a lista completa dos produtos compatíveis.

Você também precisa optar pelo plano de assinatura “4 Telas + HD”, que custa R$ 26,90 por mês e está acessível para todos os que desejam usar o sistema. Por fim, é exigida uma conexão estável de 25 Mbps ou superior capaz de suportar a alta carga de dados que são enviados para gerar as imagens 4K.

Mesmo tendo sido uma das primeiras empresas a apostar no novo padrão, a Netflix ainda possui uma quantidade um tanto limitada de conteúdos no formato. Entre elas estão nomes conhecidos como “Breaking Bad”, o já citado “House of Cards” e “Marco Polo”, entre outras produções.

Amazon Prime

Caso você esteja disposto a apostar em alternativas focadas no exterior (o que implica em pagamentos em moeda estrangeira), o Amazon Prime Instant Video pode se mostrar uma boa ideia. Parte do sistema Prime da companhia, ele traz uma série de conteúdos em resolução 4K mediante um pagamento de US$ 99 anuais.

Entre os destaques da seleção oferecida pela empresa estão produções originais como “Alpha House”, “Mad Dogs” e “Transparent”. Além delas, há filmes como “The Amazing Spider-Man 2” e “O Código Da Vinci”, disponíveis para aluguel ou compra digital através da loja virtual associada ao sistema — clique aqui para conferir a lista de aparelhos compatíveis.

A principal vantagem do sistema Prime em relação ao Netflix é o fato de ele estar associado a outros serviços da Amazon, que incluem o armazenamento ilimitado de fotografias, um serviço de streaming de músicas e 500 mil ebooks gratuitos. No entanto, como isso se trata de um sistema que não está disponível diretamente a usuários brasileiros, você pode se ver obrigado a lidar com soluções como o uso de VPNs e proxys para conseguir acessar todo o conteúdo oferecido.

YouTube

O YouTube oferece uma seleção limitada de conteúdos em 4K nativo de forma gratuita, mas traz consigo alguns pré-requisitos próprios. O serviço da Google não usa o codec H.265, preferindo uma solução própria conhecida como VP9 — cuja principal vantagem é ser totalmente livre de royalties, característica que tem como objetivo aumentar sua difusão.

Com isso, é preciso contar com um hardware compatível para poder assistir aos vídeos. Entre as fabricantes que já mostraram suporte ao formato estão LG, Panasonic, Sony, Samsung, ARM e Intel — infelizmente, até o momento não há uma lista facilmente acessível dos produtos disponíveis no mercado que possuem compatibilidade com o codec.

Caso você não possua um dispositivo compatível com o formato da Google, infelizmente não vai ser possível aproveitar a qualidade nativa dos vídeos disponíveis. Nesse caso, ao tentar acessar os conteúdos ofertados, o sistema vai fazer a conversão automática para a melhor qualidade com a qual sua TV é capaz de trabalhar.

UltraFlix

Criado com o objetivo de se tornar o “Netflix dos conteúdos 4K”, o UltraFlix ainda é um projeto que parece estar em estágio bastante inicial — o que significa que ele está disponível de forma bastante restrita. Atualmente, o serviço dispõe de conteúdos exclusivamente em inglês e só funciona nativamente em alguns televisores produzidos pelaSony e pela Samsung.

Embora ofereça alguns vídeos em 4K de forma gratuita, o sistema exige que você pague valores variados para ter acesso às opções mais atrativas — incluindo sucessos recentes como “Interstellar”. O principal problema apresentado ao público brasileiro é o fato de a novidade estar baseada nos Estados Unidos, o que significa que você vai precisar de um cartão internacional para usá-lo (o que implica em transações em dólar que incluem taxas como o IOF).

Outro inconveniente resultante disso é o fato de que não há legendas em português do Brasil nos filmes e seriados disponíveis. Assim, quem não possui um bom domínio da língua inglesa vai ter poucos motivos para investir no serviço, cujo conteúdo ainda se mostra bastante pequeno em relação às demais opções listadas neste artigo.

Sony Video Unlimited

Uma das primeiras companhias a investir pesado no padrão 4K, a Sony disponibiliza uma quantidade limitada de conteúdos nessa resolução através do serviço de vídeos Unlimited, que chegou oficialmente ao Brasil em agosto de 2014. Filmes e séries no padrão UHD podem ser adquiridos mediante aluguel ou compra, por valores que variam conforme a idade da produção desejada.

O acesso ao sistema pode ser feito tanto pelas próprias televisões UHD produzidas pela empresa quanto através de aparelhos como o PlayStation 4 e alguns dos leitores de Blu-ray produzidos pela companhia. Assim como acontece no Netflix, uma única cota no sistema garante o acesso aos conteúdos já adquiridos em uma grande variedade de aparelhos — incluindo aqueles que não necessariamente possuem a marca da fabricante japonesa.

Reprodutor de Blu-ray

Embora ainda não exista um reprodutor Blu-ray capaz de trabalhar nativamente com conteúdos em 4K (algo que a Blu-Ray Disc Association prometeu para o segundo trimestre deste ano), um aparelho do tipo é um belo acompanhamento para uma TV 4K. A alta resolução dos conteúdos disponíveis no formato geralmente se adapta bem ao processo de upscale dos aparelhos do tipo disponíveis no mercado.

Na prática, essa opção se mostra a melhor escolha para aqueles que não querem ter que apelar a sistemas de assinatura online ou não dispõem de uma conexão banda larga capaz de suportar as transferências necessárias. Também surge como vantagem a grande disponibilidade de conteúdos oferecidos nos discos, que incluem desde séries e filmes antigos até lançamentos recentes do cinema e da televisão.

Suas próprias produções

Apesar de muitas câmeras fotográficas e gravadoras de vídeo já trabalharem com conteúdos 4K, é o segmento dos smartphones que oferece a maneira mais acessível de entrar nesse universo. Um número cada vez maior de aparelhos já consegue trabalhar com o formato, mesmo que de forma limitada por restrições de armazenamento.

Modelos produzidos por marcas como Samsung, Sony, Google, Motorola, LG e Apple (só para citar alguns exemplos) já permitem capturar pequenos vídeos com a resolução. Além deles, alguns aparelhos Lumia — 930, Icon e 1520 — ganharam tal capacidade após a Microsoft liberar a atualização Denim para download.

Caso você opte por essa solução, vai ser necessário conectar seu aparelho diretamente à sua televisão ou usar um computador como um meio intermediário para a reprodução de seus vídeos. Em todo caso, também vale a pena investir em um cartão SD de alta capacidade para não ter que apagar outros conteúdos de seu aparelho para abrir espaço para vídeos em 4K.

Conteúdo ainda restrito

Mesmo ganhando espaço entre as produtoras de conteúdo, fato é que os conteúdos nativos em 4K ainda se mostram bastante restritos no contexto atual. Dessa forma, caso você adquira um televisor compatível com a tecnologia, vai ser inevitável ter que se acostumar a lidar com filmes e séries que passam por um processo de upscale.

Levando em consideração que muitos produtores ainda sequer trabalham com o formato 1080p, deve demorar alguns anos até que o UHD se torne plenamente difundido. No entanto, não nos surpreenderíamos se empresas como a HBO (através do sistema HBO Go) e provedoras de TV por assinatura passassem a oferecer uma grande quantidade de produções no formato como forma de ampliar sua base de assinantes.

Já quem espera que canais convencionais apostem no formato provavelmente vai ter suas expectativas frustradas. Apesar de estarem diminuindo, os custos de produção associados ao formato ainda se mostram proibitivos, assim como a quantidade de banda necessária para transmitir a quantidade de dados exigida pelo padrão.

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