Na série de filmes Matrix, acompanhamos as aventuras de Neo, personagem interpretado pelo ator Keanu Reeves que vive dividido entre dois ambientes, o real e o virtual. A história conta a luta entre os homens e as máquinas, que aprisionaram a humanidade para utilizá-la como forma de energia para suas operações. Para que os humanos conseguissem sobreviver foi necessário criar uma nova realidade, tão convincente que seria impossível diferenciá-la do mundo real.

Não somente os ambientes, mas também texturas, cheiros e sabores eram extremamente convincentes, fazendo com que a ideia de que aquilo não era real fosse absurda. Uma das cenas chave do primeiro filme mostra um personagem dizendo que, apesar de saber que o pedaço de carne que estava comendo não é real, a simulação era tão convincente que era melhor viver aprisionado e provar daquilo do que viver no duro mundo real.

Apesar de utilizarmos cada vez mais princípios da realidade virtual em nosso dia a dia, ainda estamos longe de chegar ao mesmo nível encontrado na série Matrix. Atualmente, por mais convincente que seja a tecnologia empregada, ainda temos a sensação de que aquilo não é algo real, mas sim somente uma simulação de um ambiente que na verdade não existe.

Porém, pesquisadores das universidades de York e Warwick apresentam uma nova tecnologia que promete nos aproximar ainda mais do universo apresentado pelos filmes. Além de ver, ouvir e tocar objetos virtuais, será possível sentir cheiros, gosto e interagir com objetos que não existem na realidade, como veículos. Segundo as pesquisas, a nova tecnologia é uma evolução da Realidade Virtual, criando uma Virtualidade Real.

Virtualidade Real?

O termo Virtualidade Real é utilizado para definir uma experiência multi-sensorial de alta fidelidade, em um ambiente que provoca no cérebro a mesma resposta que um ambiente real. Desta forma, o usuário tem a sensação de que está presente naquele local, sendo incapaz de distinguir entre o que existe ou não. Mais ou menos como em Matrix, mas sem os inconvenientes de ter que conectar um cabo à base do crânio e ter de fugir de programas assassinos.

Com as tecnologias de realidade virtuais disponíveis, os sentidos que são melhores estimulados e proporcionam uma maior sensação de ambiente real são a visão e a audição. Chegamos a um ponto em que a computação gráfica está tão bem desenvolvida que é quase possível confundir ambientes reais com aqueles produzidos através dos computadores. Da mesma forma, mecanismos cada vez mais sofisticados permitem criar a ilusão de sons vindos de diversas direções diferentes, proporcionando uma sensação muito realista aos ambientes.

Outros sistemas avançados já permitem obter informações táteis de objetos não existentes, permitindo sentir texturas, peso e temperatura. As tecnologias atuais podem ser encontradas em diversas aplicações diferentes, como videogames e cinema. Porém, o principal campo de utilização de mecanismos avançados de realidade virtual está na área de treinamento, principalmente no campo militar.

Cheiro e gosto de objetos virtuais

Para levar a tecnologia disponível atualmente a um novo patamar, os pesquisadores das universidades de York e Warwick desenvolveram um capacete que permite ao usuário não somente ver, trocar e ouvir os objetos, mas também sentir sabores e cheiros associados com a cena que estão presenciando. É mais ou menos como a cena de Matrix descrita acima: agora além de ver um pedaço de carne em cima de um prato, será possível realmente ter a sensação de que você está comendo aquilo.

Os cheiros reproduzidos pelo aparelho são gerados eletronicamente através de uma técnica que libera uma quantidade pré-determinada de odores quando necessário. Como os sentidos de cheiro e paladar estão estritamente ligados na biologia humana, a mesma técnica pode ser empregada para os dois objetivos. Porém, os pesquisadores visam chegar a um passo além, proporcionando uma sensação de textura relacionada a algo que esteja na boca do usuário.

Embora o protótipo apresentado tenha a forma de um capacete, o objetivo dos pesquisadores é construir um verdadeiro casulo visual, responsável por isolar o usuário totalmente do ambiente externo. Além das tecnologias disponíveis no aparelho, será utilizada uma série de tecnologias de movimentação, constituídas de pisos inteligentes que se movimentam conforme a direção em que a pessoa anda. É como uma esteira, mas os movimentos podem ser feitos em qualquer direção.

Utilizações da Virtualidade Real

A possibilidades de uso de ferramentas baseadas em virtualidade real são diversas: imagine um jogo de terror  que possui não somente gráficos realistas e sons assustadores de gemidos e gritos vindos de todo o lado, mas em que você pode sentir realmente o cheiro podre dos zumbis que vêm em sua direção. O cinema será outro grande beneficiado, pois vai permitir que você se sinta quase personagem ao interagir com ambientes e atores exibidos na tela.

A indústria pode utilizar esta tecnologia como forma de determinar características de produtos mesmo antes de construí-los. A britânica Broughton, construtora de Airbus do Reino Unido, já utiliza ambientes totalmente virtuais como forma de testar a resistência e conforto de todas as suas produções. Desta forma, é possível fazer os ajustes de projeto necessários antes de montar o produto final.

Sem dúvida, as áreas mais beneficiadas por esta nova tecnologia são as de terapia e aquelas relacionadas a treinamentos em áreas perigosas. Atualmente existem diversas pesquisas que pensam em utilizar a virtualidade real como forma de tratar stress pós-traumático em veteranos de guerra, permitindo simulações de combate realistas, com a inclusão de cheiros do campo de batalha. Já na área de treinamento, seria possível simular a utilização de maquinário delicado ou localizado em áreas de risco à vida humana, pois evita a ocorrência de acidentes que poderiam machucar alguém na vida real.

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