As pessoas com necessidades especiais enfrentam inúmeras dificuldades em seus ambientes de estudo, trabalho e até mesmo lazer. Isto porque não conseguem se adaptar a muitas práticas do cotidiano, que envolvem a participação dos sentidos, habilidades e recursos que uma pessoa portadora de alguma deficiência muitas vezes não consegue desenvolver.

No entanto, felizmente, empresas e pesquisadores buscam facilitar a inserção dessas pessoas no mercado de trabalho e, em geral, no convívio social. É uma maneira de reverter o quadro descrito acima, através da criação de novos produtos adaptados às necessidades do portador, como veremos alguns exemplos a seguir.

Como anda a situação no Brasil


De acordo com dados do Ministério da Saúde, 25 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência, ou seja, o número corresponde a 14% da população do país — sendo que 40% representam o grupo de deficientes visuais (parcial ou total).

Isso levou o governo a tomar providências e implantar melhorias nas cidades para trazer maior segurança e comodidade a esta parcela da população. Alguns municípios possuem ônibus especiais com bancos preferenciais, gravações e letreiros luminosos informando a próxima parada, e plataformas para acesso de cadeira de rodas. Outro exemplo são os dispositivos sonoros para avisar quando o semáforo fica verde ou vermelho.

Símbolo Internacional de Acesso

Outra maneira encontrada para prestar assistência aos deficientes foi a de garantir maior chance na disputa por um emprego ou por uma vaga nas universidades. O artigo 93 da legislação de 1991 assegura que empresas com 100 ou mais funcionários devem “preencher de dois a cinco por cento dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência”. Já as instituições organizadoras de concursos públicos devem destinar 5% das vagas ao grupo.

Além de facilitar a integração dos deficientes através da implementação das políticas afirmativas, bem como da adaptação de espaços públicos para que ofereçam às pessoas portadoras de alguma necessidade especial a possibilidade de participação nas atividades regulares dos demais cidadãos, o Brasil — como forma de incentivo — busca oferecer subsídios e isentar de alguns impostos as empresas de tecnologia que se comprometem a desenvolver produtos adaptados às necessidades daquelas pessoas. O Governo Federal faz isto também com o intuito de reduzir os custos de produção, para que, consequentemente, o produto chegue mais barato na mão dos consumidores.

No início do mês, o Instituto de Tecnologia de Software de São Paulo (ITS) assinou uma parceria com a TechAccess para desenvolver um computador com custo em torno de R$ 3 mil para o consumidor – incluindo hardware e software – adaptado às pessoas com nanismo, assim como deficientes visuais ou físicos.

Pesquisas em universidades brasileiras

As universidades brasileiras também assumem a responsabilidade de desenvolver projetos, visando o bem-estar dos portadores de necessidades especiais.

Linguagem BrailleA Universidade Federal do Rio de janeiro (UFRJ) trabalhou com o Ministério de Educação para criar o software gratuito MecDaisy, nomeado assim por ser baseado no padrão internacional Daisy (sigla em inglês para Sistema de Informação de Acesso Digital).

O programa permite a transformação de textos escritos para a linguagem oral, digitalmente narrados através de um sintetizador de voz. Ainda oferece a adaptação em caracteres ampliados, opção de impressão em Braille e descrição de figuras, gráficos e imagens presentes no texto.

Já pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) construíram o protótipo de um aparelho capaz de traduzir documentos e páginas da Internet diretamente para o alfabeto Braille, descartando a necessidade de impressoras especiais. A superfície do chamado dispositivo anagliptográfico exibe os sinais em alto relevo e funciona como uma espécie de teclado de leitura conectado com computadores e notebooks.

Gadgets em prol dos cegos


Em janeiro deste ano, o músico Stevie Wonder compareceu à Consumer Electronics Show para defender a inclusão dos deficientes visuais na revolução digital. Ele e outros defensores da causa declararam no evento que as empresas precisam levar em consideração as necessidades desse grupo, fabricando aparelhos com interface mais simples para atender o público em geral.

O alvo da reclamação é a nova onda de eletrônicos com tela sensível ao toque. Os botões de rádios e microondas podiam ser identificados através do tato, sendo fácil de utilizar depois que o usuário se acostumasse com o teclado. Ao contrário da navegação por menus do touchscreen que, por vezes, necessita que a pessoa esteja (de fato) vendo a tela para usar o aparelho.

Algumas empresas se preocuparam em simplificar o manuseio dos seus produtos em prol dos deficientes visuais. A Toshiba lançou há poucas semanas atrás o celular Tactility. O design do teclado foi projetado em alto relevo, com algarismos na linguagem Braille, e permite que o usuário amarre um cordão para usar o celular em volta do pescoço.

Celular Tactility da Toshiba

A Samsung já está desenvolvendo seu segundo modelo de celulares para cegos, ainda em fase de desenvolvimento. O primeiro, lançado em 2006, chegou a receber o prêmio no Industrial Design Excellence Awards (IDEA) no mesmo ano. O celular Touch Messenger possui uma tela que possibilita o usuário a escrever e receber mensagens de texto em Braille através dos 12 botões dispostos no teclado.

Celular Touch Messeger da Samsung

O novo modelo ainda está em fase de desenvolvimento, mas já podemos conferir imagens do protótipo. Ele oferece praticamente as mesmas funções do Touch Messenger, com o design semelhante ao controle remoto de uma televisão. A inovação fica por conta do sistema “Electric Active Plastic”, capaz de gerar um código em Braille na tela do celular.

Braille Phone da Samsung

Mouse ocular para deficientes motores

A Universidade Federal de Manaus (AM) e a Fundação Desembargador Paulo Feitosa investiram seis anos no projeto do software e hardware. O mouse ocular permite que portadores de necessidades especiais (tetraplégicos, distrofia muscular, doenças degenerativas) possam usar plenamente o computador.

São fixados eletrodos na região próxima aos olhos da pessoa, responsáveis por converter os movimentos em comandos do computador. O mouse é controlado através da movimentação dos olhos e uma piscada é traduzida com um clique. Para digitar textos, o usuário pode utilizar um teclado virtual. Confira uma entrevista com os pesquisadores do projeto no vídeo abaixo, saiba mais sobre como funciona o mouse ocular e como essa tecnologia pode ajudar milhares de pessoas.

Stephen Hawking

Stephen Hawking é o maior exemplo de que a tecnologia pode ser uma aliada para os portadores de deficiências físicas e motoras.

Considerado um dos mais consagrados físicos teóricos de todo o mundo, Stephen Hawking convive com uma doença degenerativa — e ainda sem cura — chamada esclerose lateral amiotrófica, que paralisa os músculos do corpo, porém sem atingir as funções cerebrais.

Stephen HawkingHawking, que não consegue movimentar voluntariamente sua musculatura, utiliza um sintetizador de voz para poder se comunicar com as pessoas, dentre elas, seus alunos. Pois é, por mais incrível que possa parecer e apesar de todas as dificuldades que enfrenta pelas suas limitações físicas, o cientista leciona na Universidade de Cambridge, instituição na qual ocupa o posto de professor lucasiano de Matemática, cadeira já pertencente a ninguém menos do que Sir Isaac Newton.
 
A cadeira de rodas de Hawking é adaptada com equipamentos para atender suas necessidades. Depois de perder o movimento dos dedos, o cientista encontrou outra maneira de se comunicar. Um dispositivo acoplado na armação de óculos e conectado ao computador permite que Hawking “digite” frases através de movimentos dos músculos da fase, direcionando o raio para as palavras que deseja escrever.

A fonte de energia para o funcionamento do computador também foi adicionada à cadeira de rodas. Além da fonte interna, foram acopladas baterias parecidas com as de carros, na parte de baixo da cadeira.

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