Walkman da Sony, que teria sido inventado no Brasil, faz 38 anos de idade

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Quem cresceu nos anos 2000 pode dizer que conheceu uma série de dispositivos portáteis para ouvir música. Indo desde os antigos Discmans até os smartphones de hoje, passando por MP3 Players, que pareciam pendrives com interfaces de comando, iPods, Zune e vários outros, foram muitos os meios que usamos para carregar música com a gente para onde precisássemos ir.

Quem é um pouco mais velho, portanto, deve se lembrar muito bem dos walkmans, os primeiros dispositivos portáteis de áudio e que reproduziam as famosas fitas cassete, que a gente acabava rebobinando usando uma caneta para não gastar as pilhas do aparelho. O Walkman foi produzido pela Sony e lançado em 1º de julho de 1979, ou seja, está completando 38 anos de idade muito bem vividos.

Primeiro modelo de Walkman lançado pela Sony

Os primórdios e a invenção no Brasil

Pavel nasceu na Alemanha em 1945, mas veio para São Paulo com apenas 6 anos de idade e foi chefe de programação da TV Cultura

Quanto a quem inventou o dispositivo, a resposta está envolta em polêmica. Apesar dos créditos do conceito serem de Akio Morita, cofundador e, na época, CEO da Sony; e do primeiro protótipo ter sido feito pelo engenheiro Nobutoshi Kihara (a pedido de outro cofundador da empresa, Masaru Ibuka), Andreas Pavel, um alemão que cresceu no Brasil, já havia patenteado a ideia em 1977.

Pavel processou a Sony pelo uso de sua criação e batalhou contra a empresa nos tribunais por mais de 20 anos até entrarem em um acordo, no qual a companhia japonesa pagou muitos milhões de euros (o valor exato nunca foi revelado) em troca de o inventor retirar as acusações. Pavel nasceu na Alemanha em 1945, mas veio para São Paulo com apenas seis anos de idade e foi chefe de programação da TV Cultura em 1967.

Andreas Pavel, inventor do Walkman

Caldeirão cultural

O alemão radicado no Brasil também foi responsável pelo planejamento editorial da Abril Cultural de 1970 a 1973 e vivia envolto por personalidades do mundo das artes, da literatura, da música, da arquitetura e da política no Brasil. Foi nesse contexto histórico e cultural que inventou seu sistema portátil de execução musical e que acabou sendo patenteado só em 1977, quando se mudou para a Itália.

Pavel procurou diversas empresas que tivessem interesse em lançar o dispositivo que imaginou, mas não obteve sucesso. Dois anos depois, o Walkman era lançado pela empresa japonesa Sony no lado oposto do mundo de onde havia sido pensado pela primeira vez.

Inventor e invenção

O sucesso do Walkman

Poucas coisas atestam sucesso mais do que quando o nome próprio de uma marca de produto passa a ser usado para descrever qualquer dispositivo do mesmo tipo, e foi isso que aconteceu com o Walkman da Sony, que, apesar da marca registrada, é usado para definir qualquer dispositivo portátil que toque rádio e/ou fitas cassete cujo áudio pode ser escutado por meio de fones de ouvido, sendo inclusive registrado no dicionário Oxford de língua inglesa em 1986.

O aparelho só chegou aos Estados Unidos e à Europa em 1980 e foi um grande sucesso. Nessa década, o Walkman ganhou concorrência de outras marcas

Lançado no Japão em 1º de julho de 1979, os primeiros modelos de Walkman custavam em torno de US$ 150, ou quase US$ 500 com a inflação ajustada para os dias de hoje. Isso seria o equivalente a mais de R$ 1,6 mil reais.

Curioso é que esse primeiro modelo possuía duas entradas para fones de ouvido, permitindo dividir o mesmo aparelho com um colega, coisa que não era possível durante os anos 1990, por exemplo. O dispositivo só chegou aos Estados Unidos e à Europa em 1980 e foi um grande sucesso. Nessa década, o Walkman ganhou concorrência de outras marcas, como Panasonic, Toshiba e Aiwa.

Diferentes modelos do Walkman

Curiosidades

Além do clássico Walkman de fita cassete que a maioria das pessoas conheceu, a Sony lançou uma série de “spin-offs” do dispositivo. Lançado em 1982, o Walkman Professional tinha uma qualidade de reprodução sonora maior que o modelo comum e era capaz de gravar conteúdo nas fitas.

Em 1989, a Sony colocou no mercado o Video Walkman, que contava com uma tela a cores de 3 polegadas na qual o usuário podia assistir a vídeos

Já em 1989, a Sony colocou no mercado o Video Walkman, que contava com uma tela a cores de 3 polegadas na qual o usuário podia assistir a vídeos que rodavam em fitas tipo Video 8. Outras versões do Walkman foram o MiniDisc Walkman (que rodava CDs em miniatura), o Network Walkman (que já aceitava a cópia de música digital em um pequeno dispositivo de armazenamento, mas em um formato exclusivo da Sony) e o Walkman MP3 (que passou a executar música de arquivos MP3, AAC e WMA).

O Video Walkman

Sucesso e sucessores

O sucesso do dispositivo gerou uma série de outros similares, como o Discman (também marca registrada da Sony), que adotou como mídia de reprodução os CDs, após a queda de popularidade das fitas cassete. A empresa japonesa virou referência no mercado de áudio e serviu como exemplo quando Steve Jobs colocou a Apple nesse mesmo ramo ao lançar o iTunes e o iPod, uma espécie de “sucessor espiritual” dos walkmans.

Por incrível que pareça, o Walkman foi fabricado pela Sony até outubro de 2010, quando teve sua produção cancelada

A marca Walkman chegou a ser usada pela Sony em alguns de seus smartphones, que tinham como destaque, adivinhe, sua qualidade de reprodução musical, e apenas em 2015 o nome Walkman foi retirado do aplicativo musical da empresa japonesa que vem embutido no sistema Android de seus smartphones, mudando-o para apenas Music. Por incrível que pareça, o Walkman foi fabricado pela Sony até outubro de 2010, quando teve sua produção cancelada após pouco mais de 30 anos de duração.

Parte importante da vida da maioria das pessoas com mais de 30 anos hoje que gostam de música, o Walkman da Sony vendeu cerca de 385 milhões de unidades no mundo todo até o ano de 2009.

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