Um novo material desenvolvido por pesquisadores da Universidade John Hopkins promete revolucionar em breve as cirurgias de reconstrução facial. A novidade, que é metade sintética e metade biológica, pode ser injetada sob a pele e moldada de forma totalmente livre – em seguida, basta expô-la à luz para que o formato se torne fixo.

Segundo Jennifer, uma das responsáveis pelo trabalho acadêmico que descreve a novidade, a substituição de tecidos leves é um dos principais desafios enfrentados pelos cirurgiões atualmente. Enquanto ossos podem ser reproduzidos facilmente usando plásticos ou metais, reconstituir com fidelidade lábios e bochechas ainda é muito difícil. Os implantes disponíveis atualmente se mostram insuficientes para reconstruir defeitos maiores, como aqueles deixados por tumores ou traumas excessivos.

Características biológicas e sintéticas

(Fonte da imagem: Technology Review)O novo material utiliza uma mistura de ácido hialurônico, material biológico usado em implantes que substituem tecidos leves, e polietileno glicol, que possui características sintéticas. A mistura desses elementos resulta em um polímero que pode ser facilmente injetado, dispensando procedimentos cirúrgicos invasivos.

O material é bastante flexível, e pode ser moldado livremente para reproduzir as características do rosto humano. Através da utilização de uma luz com comprimento de onda bastante específico, o polímero rearranja suas células e se transforma em um material estável, garantindo uma maior rigidez ao implante. O processo ocorre de forma rápida, e bastam dois minutos de exposição a LEDs na cor verde para que o implante se assente.

Segundo Farshid Guilak, professor de cirurgia ortopédica e engenharia biomédica da Universidade Duke, o uso de luz visível no processo é muito importante. Ao dispensar o uso de luzes ultravioletas, a intervenção cirúrgica se torna mais segura e evita casos em que as células morrem ou o DNA do paciente é alterado de alguma forma.

Testes bem sucedidos

Para testar a novidade, os pesquisadores injetaram os implantes nas costas de ratos. Em seguidas, foram testadas diversas relações entre os materiais utilizados para detectar aquela com a maior durabilidade. Os resultados possuem características variáveis de elasticidade e resistência, o que permite aos médicos ajustar as propriedades físicas de um implante dependendo das necessidades que surgem.

Em seguida, foram realizados testes em uma clínica do Canadá, na qual pequenos pedaços do material foram injetados em pacientes que fariam cirurgias de preenchimento da barriga. Os implantes duraram aproximadamente 12 semanas, e tiveram como única consequência negativa a inflamação da área ao redor.

A próxima etapa do projeto é constituída por testes clínicos em larga escala. Além de resolver os problemas de irritação, os pesquisadores têm como principal desafio a redução dos materiais sintéticos usados no material. O objetivo final é tornar a novidade disponível o mais breve possível para uso clínico, situação que ainda não tem previsão definida para acontecer.

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