Mal o poderoso telescópio espacial japonês ASTRO-H entrou em órbita e o equipamento já está fora de operação. Após uma série de problemas que deixaram o veículo fora de comunicação, a situação aparentemente se provou pior do que esperado: não apenas o satélite está perdido por completo, como sua falha teria sido causada por um conjunto de erros humanos e problemas em seu software.

As más novas vieram em um anúncio oficial feito pela JAXA (a NASA nipônica), no dia 28 de abril. Simulações feitas pela equipe envolvida no projeto concluíram que ambos os painéis solares responsáveis por gerar a energia do satélite, bem como outras peças do aparelho, teriam se quebrado do equipamento, como resultado de sua alta rotação. Os cálculos, vale notar, foram reforçados por informações vindas de várias outras organizações pelo mundo.

Com isso, o grupo decidiu que vai cessar seus esforços de restaurar comunicações com o ASTRO-H e que o satélite artificial foi declarado como perdido em definitivo.

Um erro que poderia ter sido evitado

Todo o incidente como um todo definitivamente é ruim por si só. Mas o pior de tudo, como comentamos anteriormente, é que tudo isso não foi resultado de uma colisão com lixo espacial (o que eles acreditavam ser o caso, originalmente), e sim de uma série de falhas de por parte da equipe do projeto ação e bugs no próprio satélite.

O caso teve início durante uma passagem do ASTRO-H por uma área da Terra afetada por um fenômeno natural chamada Anomalia Magnética do Atlântico Sul, que expôs o satélite a uma quantidade maior de partículas energéticas. Ao realizar, no entanto, uma manobra pré-programada dentro dessa área, que colocaria as lentes do equipamento para observar a Nebulosa de Caranguejo, a radiação adicional da área afetou as leituras do satélite.

Achando que estava girando mais rápido do que o programado, o satélite deixou de usar seu sistema de posicionamento com base no rastreamento das estrelas. No lugar disso, ele passou a utilizar seu giroscópio – que também estava sob efeito da radiação, trazendo valores maiores do que os reais para o movimento do observatório.

Nós vamos revisar cuidadosamente todas as fases do design, manufatura, verificação e operações para identificar as causar que possam ter levado a esta anomalia incluindo fatores de fundo

Na tentativa de corrigir a rotação exagerada relatada pelos giroscópios (que na verdade nunca existiu), um conjunto de pequenos motores conhecidos como rodas de reação entrou em operação, com o intuito de contrapor e neutralizar o movimento do veículo. Para ajudar, um bug no software do ASTRO-H fez com que esses motores girassem para o lado contrário ao esperado, colocando o observatório para rodar ainda mais rápido.

Felizmente, prevendo que toda essa cascata de infelicidades ocorresse, o ASTRO-H foi projetado para entrar automaticamente em modo de segurança em situações como essa. Uma pena que a execução de um comando que não havia sido testado anteriormente fez com que a situação saísse ainda mais do controle, piorando a rotação além do que o modo de segurança poderia dar conta.

Junte a tudo isso o fato de que o incidente ocorreu enquanto o satélite estava do outro lado da Terra com relação à base da JAXA, dando um enorme atraso nas comunicações entre ambos os lados da operação. O resultado é aquele que já falamos: antes que pudessem corrigir as falhas do ASTRO-H, o satélite girou cada vez mais rápido, até que eventualmente se despedaçou.

De volta à prancheta por mais uma década

Não é preciso dizer que os prejuízos causados pela isso são enormes, visto o curto período em que o equipamento esteve em operação e que a fabricação do observatório custou US$ 286 milhões. Com isso, a equipe do projeto vai se focar no estudo dos elementos que causaram as múltiplas falhas no ASTRO-H; a previsão de um novo satélite para substituí-lo ser lançado é para daqui não menos de 12 anos.

“Portanto, a JAXA vai cessar os esforços para restaurar o ASTRO-H e vai se focar na investigação das causas da anomalia. Nós vamos revisar cuidadosamente todas as fases do design, manufatura, verificação e operações para identificar as causar que possam ter levado a esta anomalia incluindo fatores de fundo”.

É importante frisar, por fim, que o satélite ainda foi capaz de fazer várias observações científicas valorosas, mesmo em seu curto período de operação. A JAXA afirma que deve trazer algumas das informações descobertas em breve, através de artigos em revistas científicas especializadas.

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