O que vem à sua cabeça quando você pensa em veículos elétricos? Talvez se lembre de carros (como aqueles fabricados pela Tesla Motors), de motocicletas (como este modelo que você pode alugar em São Paulo) ou até mesmo de bicicletas (a exemplo da Vela 1, que testamos faz algum tempo). Porém, é pouco provável que você visualize um patinete elétrico, justamente pela excentricidade que envolve esse tipo de automóvel.

Trata-se, como você já deve ter imaginado, de uma versão motorizada dos patinetes clássicos que toda criança sempre sonhou em ter. São equipamentos projetados para uso urbano, apropriados sobretudo para quem precisa percorrer trajetos curtos no caminho para casa, trabalho, faculdade e afins. Embora seja difícil encontrar esse tipo de produto no Brasil, algumas empresas ainda apostam nesse setor e têm certo sucesso no mercado.

O TecMundo visitou o estoque da Dropboards, uma companhia brasileira que trabalha com uma série de veículos motorizados, para testarmos o MoTronik 1000W-48V, um dos patinetes elétricos comercializados pela marca. Com um motor de 1000W, o modelo consegue atingir a velocidade máxima de 45 km/h e tem o preço sugerido de R$ 4,7 mil — um valor alto para você investir às cegas. Será que vale a pena? Confira em nosso review.

Especificações do Dropboards MoTronik 1000W-48V

Um veículo bem “diferente”

O MoTronik tem um visual bastante arrojado e até lembra um pouco os clássicos walk machines que faziam sucesso no Brasil algumas decadas atrás. O produto tem o corpo totalmente em metal e sua construção transpira robustez — basta olhar para o patinete para ter a plena certeza de que se trata de um veículo resistente. Para facilitar o transporte em carros, ônibus, trens e metrôs, o quadro pode ser dobrado em poucos segundos.

O modelo que testamos também possui assento removível e suspensões em ambas as rodas — que, aliás, são de 6,5 polegadas e vestem pneus de 270 x 90 mm desenhados especialmente para terrenos acidentados. Com essas especificações, fica claro que o MoTronik está pronto para enfrentar as vias esburacadas que o brasileiro está acostumado a percorrer em trajetos diários.

No cockpit do veículo, o piloto encontra uma ignição, um botão para ativar a lanterna dianteira, a buzina e um indicador de nível da bateria (que mostra se a capacidade está em 100%, 50% ou 0%, associando tais estados às cores verde, amarelo e vermelho, respectivamente). Temos ainda o botão Turbo, que, ao ser acionado, aumenta a potência do motor ao custo de maior consumo energético.

O MoTronik infelizmente não é equipado com setas indicadoras de direção, o que significa que você não poderá sinalizar sua intenção na hora de mudar de faixa ou entrar em um cruzamento. Porém, o patinete conta com uma luz de freio (bastante discreta, por sinal) que é ativada instantaneamente sempre que os manetes dos freios a disco são pressionados pelo piloto.

No geral, o veículo possui um ótimo acabamento e transpira robustez

Rodando com o MoTronik

Sua aceleração é extremamente potente

O funcionamento do patinete é bastante simples. Uma vez que a chave tenha sido inserida e girada na ignição, ele já está pronto para ser utilizado. Basta puxar o acelerador no punho direito do guidão para que o MoTronik comece a se mover. É difícil não ficar assustado na primeira vez em que você pilota o veículo: sua aceleração é extremamente potente, o que gera um “tranco” desconfortável para o piloto.

Por um lado, a forte aceleração é bem-vinda para que, ao parar nos semáfaros, você consiga partir junto com os outros automóveis sem maiores atrasos, por exemplo. Por outro lado, essa característica é um pouco perigosa para iniciantes, pois facilita a perda de controle sobre o patinete.

Modelo possui uma aceleração bastante potente

No geral, porém, é bastante divertido pilotar o MoTronik. O patinete alcança uma velocidade satisfatória para deslocamento no trânsito, e, uma vez em movimento, é fácil manobrá-lo para desviar de obstáculos na via e realizar curvas. Os freios funcionam muito bem e a posição de pilotagem é confortável, visto que os braços se mantêm retos para alcançar o guidão.

Um detalhe que incomoda no modelo testado é o fato de que o acelerador se resume a uma pequena “rodela” que você gira usando os dedos polegar, indicador e médio; não se trata de um punho inteiro como nas motocicletas ou bicicletas elétricas. Além disso, o MoTronik que testamos estava sem o velocímetro digital, embora na página do produto no site oficial da Dropboards conste a existência de tal item.

Perceba que o acelerador não encobre todo o punho direito

Autonomia e recarga

O TecMundo não teve a oportunidade de colocar a bateria elétrica de 12v/12ah do MoTronik à prova, visto que testamos o produto somente durante alguns minutos nas imediações do estoque da própria Dropboards. Porém, de acordo com a marca, o patinete consegue andar por mais ou menos 120 minutos antes de ficar sem energia elétrica — obviamente, essa média pode variar de acordo com a inclinação do trajeto percorrido.

A recarga deve ser feita através do carregador bivolt que acompanha o veículo, sendo necessárias de seis a oito horas para que o MoTronik possa estar nas ruas novamente. A bateria pode ser retirada do patinete para ser recarregada — dessa forma, você não precisa arrastar o veículo inteiro para dentro da sua casa sempre que precisar alimentá-lo; basta deixá-lo na garagem.

Ignição ajuda a impedir o uso não autorizado do patinete por terceiros

É realmente seguro?

Também é importante ressaltar uma característica bastante perigosa do MoTronik: graças ao desenho de seu corpo, ele é bastante instável. É necessário manter sempre as duas mãos no guidão — caso solte um dos punhos, mesmo que seja por um único segundo (para sinalizar uma mudança de faixa ou coçar o olho, por exemplo, duas situações comuns na vida de um ciclista), é bem provável que você acabe beijando o chão.

O MoTronik não é um brinquedo, mas sim um veículo de transporte pessoal

Acredite, foi isso que aconteceu com este redator que vos escreve: por um descuido momentâneo (e pelo costume de fazer isso em bicicletas), soltei o punho direito do veículo, e o resultado foi um desequilíbrio instantâneo da roda frontal, que gerou uma queda. Não podemos culpar a Dropboards por isso, visto que tal instabilidade é uma característica natural decorrente da forma como um patinete é construído.

De qualquer modo, aqui vale o alerta: o MoTronik (pelo menos em sua versão 1000W-48V) não é um brinquedo, mas sim um veículo de transporte pessoal. Embora a Dropboards tenha modelos com menos potência (que são justamente voltados para os pequenos), esta variante que experimentamos deve ser pilotada com atenção e cautela, pois o mínimo descuido pode se transformar em um acidente de trânsito fatal.

Embora confortável, o MoTronik se mostra um pouco instável

Vale a pena?

O MoTronik é, definitivamente, um veículo nada convencional. Vendido pelo preço sugerido de R$ 4.690, o produto parece feito para atrair entusiastas que não se satisfazem com os motores das bicicletas elétricas convencionais (que, na média, ficam na faixa dos 350W) e procuram um automóvel mais potente para rodar no trânsito da cidade. De fato, o patinete tem um motor respeitável e até mesmo as mais íngremes subidas parecem virar um caminho plano quando você pressiona o botão Turbo.

Além disso, é muito divertido — e confortável — pilotá-lo e não é necessário qualquer tipo de treino para dominar o modelo. Seus pés ficam bem seguros sobre a plataforma central, e a altura do guidão e a do selim propiciam uma posição de pilotagem agradável. A luz de freio, tal como a lanterna e a buzina eletrônica (que produz um som mais alto do que as analógicas) ajudam você a se divertir e trafegar com maior segurança.

Vale ou não a pena investir em um MoTronik?

Só sentimos falta das setas de sinalização — elas seriam essenciais neste caso, visto que você não pode sinalizar suas intenções de curva com os braços pelo risco de acabar perdendo o controle do automóvel no processo. Aliás, justamente por conta dessa natureza “selvagem” do MoTronik, recomendamos o produto para quem quer um veículo com mais “adrenalina” e que seja mais radical do que os outros disponíveis no mercado.

Sendo assim, caso você queira algo para andar tranquilamente na cidade, respeitando o seu próprio ritmo e priorizando segurança acima de tudo, uma bicicleta elétrica pode ser uma opção mais palpável. Por outro lado, se tudo o que você quer é uma autonomia invejável e um motor potente, talvez valha a pena investir em um MoTronik.