Imagine se equipes de dispositivos inteligentes pudessem salvar áreas afetadas por desastres naturais? É isso o que os cientistas Emma Hart e Jeremy Pitt abordam em recente artigo publicado no Phys. Segundo eles, os aparelhos poderiam minimizar efeitos de catástrofes, oriundas de mudanças climáticas, como as que ocorreram em 2017 nos Estados Unidos, no México, em Macau, em Hong Kong e em Tóquio.

Em todas essas situações, os habitantes foram afetados de maneira negativa, havendo inclusive casos de mortes.

Para os pesquisadores, porém, o uso de tecnologias modernas, como smartphones, sensores e drones, poderia minimizar tais consequências. Dessa forma, os dispositivos seriam planejados  em uma rede inteligente. Mas isso não é algo tão simples, tanto que se tornou um grande desafio para muitos engenheiros de software. O interessante é que, embora pareça algo distante, a ideia já apresenta sinais de ser uma realidade, a partir de estudos e colaborações de diversas áreas do conhecimento.

Catástrofes naturais poderiam ser minimizadas com ações temporárias

De acordo com Hart e Pitt, em áreas afetadas por furacões, terremotos e erupções vulcânicas, é essencial o uso de sistemas funcionais de comunicação. Isso pode ser fortemente aplicado em casos de resgate de vítimas e compartilhamento de informações referentes à arrecadação ou à distribuição de suprimentos. Também é uma forma de garantir a comunicação entre as pessoas de modo geral, em especial familiares e amigos.

O próximo passo a ser seguido é estruturar redes ad hoc de múltiplos dispositivos, capazes de reunir e transmitir dados. Entre as soluções propostas pelos cientistas, estariam:

  • Sensores lançados a partir de aviões para verificação e extração de amostras de áreas;
  • Drones programados para localizar vítimas;
  • Robôs criados para varredura desses locais.

O objetivo principal seria garantir que esses aparelhos inteligentes enviassem informações colhidas em campo para smartphones. A partir disso, ações e decisões necessárias poderiam colocadas em prática.

Em outro contexto, os pesquisadores destacam que soluções voltadas para a criação de energia alternativa também devem ser colocadas em prática. Elas podem funcionar de modo coordenado, a partir de pequenos dispositivos. Ainda, podem ser concebidas desde geradores menores a painéis solares. Outro grande desafio está no fato de se programar essa rede para trabalhar com foco em solução de problemas de maior prioridade. No caso, os aparelhos também devem ser capazes de se organizar e responder a novos eventos de forma eficiente.

Os especialistas citam como exemplo uma plataforma de compartilhamento de informações alocada em Jacarta, na Indonésia. Por meio de sensores instalados nas ruas da cidade, seus habitantes recebem nos smartphones notícias sobre mudanças climáticas e situações de emergência. Porém, criar e programar um software capaz de funcionar adequadamente nessas situações é ainda muito complexo. Afinal, há maiores chances de instabilidade, como lentidão durante a comunicação entre todos os dispositivos.

Inspirações para a formação de uma equipe de dispositivos inteligentes

Hart e Pitt ressaltam que, apesar de haver muitos avanços no desenvolvimento de tecnologias baseadas em algoritmos, ainda existe muito a ser feito. Diante disso, explicam que elas também poderiam contribuir em diversas situações presentes em nosso cotidiano, já que esse tipo de solução tem sido aplicada, por exemplo, no gerenciamento de semáforos e distribuição de energia elétrica de diversas cidades.

Os pesquisadores também apontam que alguns programadores têm explorado áreas baseadas em outros campos do conhecimento para aprimorar esses sistemas. Exemplo disso seria o trabalho desenvolvido por Elinor Ostrom. A ganhadora do Nobel de Ciências Econômicas identificou que algumas comunidades de lugares, como Quênia, Turquia, Guatemala, Nepal e Los Angeles têm a capacidade de administrar e compartilhar diversos recursos e, ao mesmo tempo, conservá-los para as próximas gerações.

Ostrom notou algumas características e princípios adotados por essas pessoas, os quais poderiam ser aplicados em qualquer lugar do mundo. Entre esses comportamentos está o de que os membros dessas comunidades possuem um sistema gerenciado e monitorado por eles mesmos. Os cientistas ainda citam estudos desenvolvidos pelo filósofo Nicholas Rescher. Ele defende que a distribuição de recompensas e punições é baseada nas seguintes regras: igualdade, necessidade, habilidade, esforço, produtividade, utilidade social, fornecimento e demanda.

Desse modo, o objetivo principal é identificar qual dessas regras pode ser aplicada em uma determinada situação. E seria justamente essa a lógica que os profissionais da área têm procurado percorrer. A ideia seria a de que redes inteligentes sejam capazes de perceber a ausência de recursos importantes e solucionar conflitos entre diversos dispositivos. Os pesquisadores também afirmam que teorias no campo da Biologia Evolucionista podem colaborar significativamente com esse tipo de trabalho.

Nesse caso, eles consideraram a concepção de que os animais se adaptam a diferentes mudanças ambientais para garantir a sobrevivência ao longo de suas vidas. Logo, as espécies que lidam melhor com essas situações acabam se tornando dominantes, enquanto as demais desaparecem completamente. O conceito tem sido aplicado em robôs, programados para o autodesenvolvimento em condições instáveis. Com isso, eles aprendem por meio de experiências e têm seus algoritmos orientados para a “evolução” de novos comportamentos.

Diante dessas constatações, Hart e Pitt ressaltam a importância de se inter-relacionar os diversos campos do conhecimento em busca de um objetivo comum. Isso seria essencial para reduzir os danos causados por mudanças climáticas e estar à frente de desastres naturais. Seria então esta a chave para o futuro da humanidade?

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