Astrônomos usam ondas de rádio para descobrir uma anã marrom

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Imagem: NASA/JPL-Caltech/Divulgação
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Anãs marrons são consideradas pela ciência como um projeto de estrela que não deu certo. Um elo perdido entre planetas gigantes como Júpiter e estrelas pequenas, elas não têm massa suficiente para iniciar a fusão do hidrogênio em seu núcleo. Mesmo mais quentes e massivas que planetas, por causa da sua baixa luminosidade encontrá-las sempre foi um trabalho para astrônomos caçadores que usam o infravermelho – até agora: astrônomos do Instituto de Astronomia do Havaí (IfA) e do Instituto Holandês para Radioastronomia (ASTRON) encontraram uma usando observações de rádio.

.  NASA/JPL-Caltech/UCB 

Designada BDR J1750 + 3809, essa estrela anã marrom apelidada de Elegast pelos pesquisadores que a descobriram foi achada usando-se os dados do europeu Low-Frequency Array (LOFAR). Os resultados, publicados no início deste mês no periódico The Astrophysical Journal Letters, foram confirmados posteriormente pelo Observatório Internacional Gemini e pelo NASA InfraRed Telescope Facility, ambos no Havaí.

"Por que apontar nosso radiotelescópio para anãs marrons já catalogadas? Vamos apenas fazer uma grande imagem do céu e descobrir esses objetos diretamente via rádio", lembra o astrônomo do ASTRON e principal autor do estudo, Harish Vedantham.

Inversão do método

Anãs marrons também são emissoras de rádio, mas as catalogadas foram detectadas primeiro via infravermelho. A equipe de pesquisadores decidiu inverter o método, usando o LOFAR primeiro para descobrir fontes de rádio frias e fracas para, então, comprovar a descoberta através de telescópios capazes de captar a radiação no infravermelho. O resultado foi a BDR J1750 + 3809.

As sobras do calor que formaram essas “estrelas fracassadas” produzem o tênue brilho captado por comprimentos de onda infravermelhos. Com suas atmosferas gasosas, elas podem agora ser encontradas por radiotelescópios sensíveis como o LOFAR, abrindo também a possibilidade de se rastrear exoplanetas semelhantes aos gigantes gasosos que temos em nosso sistema solar.

Impressão artística da Elegast, com as linhas azuis representando as linhas do campo magnético.Impressão artística da Elegast, com as linhas azuis representando as linhas do campo magnético.Fonte:  ASTRON / Danielle Futselaar/Divulgação 

“A descoberta da Elegast abre a possibilidade de medirmos as propriedades dos campos magnéticos dos exoplanetas, um fator importante tanto na análise de sua atmosfera como de sua evolução. Este trabalho traz um novo método para encontrarmos objetos que, de outra forma, seriam muito tênues para serem detectados com tem sido feito nos últimos 25 anos”, disse o astrônomo e coautor Michael Liu, do IfA.