Mercúrio pode ajudar a encontrar a “Terra 2.0”; entenda

2 min de leitura
Imagem de: Mercúrio pode ajudar a encontrar a “Terra 2.0”; entenda
Avatar do autor

Milhares de exoplanetas foram descobertos nas últimas décadas e outros tantos estão nas listas de possíveis candidatos. No entanto, apesar de a lista de mundos alienígenas catalogados não parar de aumentar, poucos deles apresentam características semelhantes às do nosso planeta – e os cientistas certamente seguem tentando encontrar uma “Terra 2.0” pelo Universo. Pois o geólogo planetário Paul Byrne, da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos EUA, propôs um método que pode ajudar na caçada por “irmãos” do nosso mundo e sua abordagem se baseia na ausência de vulcanismo em Mercúrio, o menor e mais interno integrante do Sistema Solar.

Busca por gêmeo perdido

Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol em nosso sistema planetário, apesar de ser rochoso como a Terra, não possui placas tectônicas como ocorre aqui. Por lá, a crosta é composta por uma única camada que, há cerca de 3,5 bilhões de anos, deixou de ser ativa, se solidificou completamente e, hoje, envolve o núcleo mercuriano derretido. Contudo, esse processo também fez com que a crosta do planetinha se contraísse, selando, com isso, toda e qualquer passagem de magma para a superfície – pondo, assim, um fim à atividade vulcânica em Mercúrio.

(Fonte: Digital Trends / NASA JLP / Reprodução)

E o que tudo isso tem a ver com a busca de uma "Terra 2.0"? Segundo Byrne, um bom ponto de partida para encontrar planetas como o nosso seria compreender melhor como a atividade vulcânica varia com o passar do tempo em outros mundos, uma vez que ela estaria diretamente relacionada com a idade e as dimensões dos planetas.

De acordo com Tracey Peake, em uma publicação do site Phys Org, como a tecnologia atual não permite que os cientistas possam observar a atividade vulcânica em exoplanetas distantes diretamente, Byrne conduziu análises do vulcanismo nos mundos rochosos que compõem o Sistema Solar, ou seja, em Marte, Vênus, Mercúrio e Terra – incluindo a Lua no estudo.

Vulcanismo

Em astros desprovidos de placas tectônicas, como é o caso de Mercúrio e da Lua, a atividade vulcânica não existe por conta da contração que suas crostas sofreram no decorrer de milhões de anos, que acabaram por encapsular o magma e não oferecem vias para que ele possa escapar até a superfície. Já onde há atividade, ela é resultante da emissão de radiação a partir dos núcleos dos planetas, ainda que o tipo e localização de vulcanismo mudem com o tempo.

(Fonte: Britannica / Reprodução)

O geólogo explicou então que, a partir da comparação da atividade vulcânica dos planetas rochosos do Sistema Solar, é possível determinar algumas regrinhas sobre como ela varia – e essas diretrizes podem ajudar os cientistas a limitarem o escopo de suas buscas por gêmeos da Terra. Isso porque, conforme propõe Byrne, se o objetivo for o de identificar vulcanismo em um exoplaneta com idade próxima à do nosso mundo, se suas dimensões forem semelhantes às de Mercúrio (ou às da Lua), é provável que sua crosta já tenha passado pelo processo de contração e, portanto, talvez seja mais produtivo focar os esforços em outro lugar.

Comentários

Conteúdo disponível somente online
Mercúrio pode ajudar a encontrar a “Terra 2.0”; entenda