Disney

Se você já sonhou mais de uma vez em ir para a Disney, saiba que nem tudo são flores por lá. Além de se divertir em brinquedos extraordinários, você também vai enfrentar filas enormes durante os períodos de férias, podendo curtir menos do que pretendia antes de começar a viagem.

E não pense que os funcionários do Magic Kingdom, carro-chefe dos parques temáticos da Disney, não sabem disso. Eles compreendem que você está (muito provavelmente) irritado com a espera e quer ser entretido durante este tempo “perdido”.

Para isso, os engenheiros da Disney (conhecidos como “imagineers”) estão investindo pesado em tecnologia, levando você rapidamente ao seu brinquedo favorito. A reportagem do “The New York Times” foi até os parques e conta como a Disney deve evoluir ainda mais, transformando o passeio em algo mais rápido e de acordo com o novo público, sempre conectado e que procura por divertimento sem esperas.

O “bunker” da Disney

Para lidar com os mais de 30 milhões de visitantes anuais, a Disney criou o Centro de Comando Operacional (ou Operational Command Center – OCC), localizado abaixo do castelo da Cinderela, no centro do Parque Magic Kingdom.

Castelo da Cinderela, no parque Magic Kingdom

Fonte da imagem: Wikicommons/Domínio Público

O bunker subterrâneo conta com câmeras de vídeo, programas de computadores, mapas digitais de parques e outras ferramentas que localizam pontos mais críticos e resolvem problemas relacionados a filas em tempo real.

Ali os funcionários possuem telas planas com as imagens de todos os cantos do parque e as atrações que estão em pleno funcionamento. Cada uma está destacada em verde, amarelo e vermelho, sinalizando as graduações de tempo de espera em cada um dos brinquedos.

Com isso, a sala de controle pode alertar os responsáveis pela montanha do “Piratas do Caribe”, por exemplo, a liberar mais barcos para diminuir o tempo de espera na fila. Isso faz com que o tempo diminua, e o monitor volte para a cor verde.

Caso não seja possível agilizar o procedimento dos brinquedos, outra opção é mandar o próprio capitão Jack Sparrow ou personagens mais conhecidos da Disney para entreter as pessoas enquanto aguardam. De acordo com Phil Homes, vice-presidente do Magic Kingdom, a iniciativa rápida traz alívio para as pessoas.

Fila para a Space Mountain

Fonte da imagem: The New York Times (Joe Burbank/Orlando Sentinel)

Para ajudar no fluxo de pessoas, caso um lado do parque esteja lotado enquanto outras atrações estão vazias, o centro de operações pode enviar uma “miniparada” chamada “Move It! Shake it! Celebrate It!” para redirecionar as pessoas para a área menos ocupada. Outros técnicos monitoram os restaurantes, observando a necessidade de outros caixas para atender pedidos ou distribuir cardápios para aqueles que aguardam sua vez.

Organizar é preciso

Segundo pesquisas da própria empresa, no Magic Kingdom, por exemplo, a média de tempo do usuário para cada brinquedo é de nove voltas. Isso quer dizer que, das mais de 40 atrações disponíveis no parque, o usuário pode passear por poucas delas.

Nos últimos meses, no entanto, o centro de operações conseguiu subir essa média em um ponto, chegando a 10 atrações (em média) para o público. Em tempo de férias, aumentar a média de brinquedos usados pelos pagantes é uma ótima notícia, mostrando que o sistema funciona.

O “The New York Times” também cita Bob Sehlinger, coautor de um guia para passear nos parques da Disney World. Para o escritor, “controle é o nome do meio da Disney, todavia, eles são os pioneiros nesse tipo de coisa (...) o desafio é que você possui poucas opções, uma vez que a banheira esteja cheia”.

Portanto, não é de se estranhar que a Disney não ache nada de mais nesse tipo de monitoramento. Para eles, isso é apenas um esforço de proporcionar uma experiência mais rica e ágil para quem visita os parques. O objetivo, claro, é que as pessoas voltem com mais frequência, aumentando assim o faturamento anual da empresa.

Quanto mais feliz você sair depois de conversar com o Pateta, Pato Donald ou Mickey, maiores as chances de retornar aos parques tanto nos Estados Unidos quanto nos resorts em Hong Kong ou Paris. Além disso, outro foco é aumentar a renda per capita, ou seja, quanto mais restaurantes e lojinhas de presentes você encontrar para comprar aquele chaveiro para os parentes, melhor.

Princesas da Disney, um dos produtos mais rentáveis da empresa

Fonte da imagem: Wikicommons/Domínio Público

A rapidez e a organização são, na verdade, investimentos naquele indivíduo que vai passear e adquirir os produtos de uma marca tão conhecida como a da Disney.

Inovações tecnológicas

Se você é mais velho, certamente sabe que tudo o que acontece nos parques não é exatamente magia, mas sim alta tecnologia. Por trás das cortinas, os técnicos analisam reservas em hotéis, voos para o destino e conferem o histórico de visitantes em cada data para prever os desafios para aquele dia.

Porém, os parques foram criados antes do século XXI e, assim, trazem um clima de nostalgia que não condiz com os padrões atuais. Não é à toa, portanto, que a Disney confie tanto na tecnologia para melhorar o passeio, uma vez que não pode modificar completamente a disposição de atrações do parque. Eles devem ser o exemplo a se seguir em termos tecnológicos, ou seja, pioneiros como em muitos aspectos da marca.

Portanto, a Disney já sai na frente com algumas novidades que seguem de perto a tecnologia e os novos convidados dos parques. Você pode, por exemplo, baixar um aplicativo e receber informações diversas sobre os parques (disponível apenas nos EUA).

Outra inovação interessante é a adição de videogames a áreas de espera. Isso mantém os visitantes entretidos, porém sem deixar a fila ainda mais demorada, já que cada game conta com apenas 90 segundos de duração.