Um novo relatório divulgado pela Google mostra que entre setembro de 2014 e novembro de 2015, os carros autônomos da companhia sofreram 272 falhas de operação e 69 intervenções voluntárias. Além disso, a companhia afirma que os veículos teriam provocado acidentes não fosse a intervenção direta de seus motoristas — as 10 ocorrências do tipo registradas durante o período não foram responsabilidade do sistema autônomo.

O relatório enviado ao Departamento de Veículos Motorizados da Califórnia (DMV) faz parte de um acordo que o Estado fez com diversas companhias de tecnologia. Elas podem testar seus carros autômatos contanto que enviem relatórios anuais indicam o número de “separações” ocorridos durante o momento.

Essas “separações” classificam os incidentes em que um motorista humano teve que interagir diretamente com o veículo para corrigir algum problema de rota ou evitar um acidente. Durante o período contemplado pelo último relatório da Google foram analisadas as atividades de 49 carros — incluindo os modelos “Koala” e uma frota de Lexus RX450s com modificações.

Detalhes do relatório

Os veículos conseguiram andar aproximadamente 682 mil quilômetros de forma autônoma, durante os quais foram registrados 341 incidentes em que o controle foi dado a uma pessoa ou em que o carro cessou seu funcionamento para evitar acidentes. Entre as 272 falhas de operação ocorridas estão problemas relacionados a sensores defeituosos ou a componentes de freio e direcionamento que apresentaram problemas.

Estranhamente, a Google afirmou que seus motoristas tiveram que assumir os controles dos carros “milhares de vezes”, mas só relatou os incidentes em que uma resolução supostamente só era possível com a intervenção humana. Para chegar a essa decisão, a companhia repassa cada incidente em um simulador online que é capaz de prever o comportamento de outros motoristas, pedestres e cicilistas.

“A Google poderia ser mais clara em relação à forma como define as interações que são reportadas”, afirmou ao The Guardian o professor assistente de Direito da Universidade da Carolina do Sul, Bryant Walker Smith. “O DMV está livre para interpretar suas próprias regras e pode ter questionamentos a fazer nesse ponto”.

Segundo Johnn M. Simpson, diretor de privacidade da Consumer Watchdog, grupo baseado na Califórnia, a divulgação do relatório representa um avanço positivo. No entanto, ele acredita que a companhia também deveria liberar quaisquer vídeos dos incidentes e dados técnicos coletados. “Como ela pode propor um carro sem volante ou freios quando seus próprios testes mostram que em 15 meses a tecnologia falhou 272 vezes e um motorista decidiu intervir 69 vezes?”, questiona.

O desempenho de outras companhias

Além da Google, nomes como Volkswagen/Audi, Mercedes-Benz, Delphi, Tesla, Bosch e Nissan também enviaram ao DMV relatórios sobre o comportamento de seus veículos autônomos. Somados, eles registraram 2.894 separações, sendo que a única empresa a não registrar qualquer ocorrência do tipo foi a Tesla.

Os documentos mostram que ainda deve demorar um tempo considerável para que carros autônomos sejam aceitos pelas autoridades. Entre os termos determinados pelo Estado da Califórnia para que veículos do tipo possam ser vendidos comercialmente está a diminuição do número de acidentes potenciais que eles podem causar, e a marca atual ainda está longe de poder ser considerada ideal.

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