Quanto a qualidade gráfica de um jogo realmente representa? Digamos, a despeito do áudio, da incrível jogabilidade e do bom humor... Qual é, exatamente, o peso que um verdadeiro espetáculo visual tem na hora de formar o legado de um jogo?

Talvez o caminho mais rápido e fácil aqui fosse o de simplesmente desmerecer os belos polígonos virtuais que constituem os jogos modernos; isso a fim de chamar a atenção para um discurso que, hoje, já é quase senso-comum: “o que importa mesmo é a qualidade da experiência de um jogo”.

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Mas é possível ir ainda mais longe. Há quem diga, por exemplo, que jogos mais abstratos representam um apelo extra para a imaginação dos jogadores — mais ou menos como a diferença entre ler um bom livro e assistir a um filme. Afinal, deve existir algum mérito na capacidade de enxergar, às vezes em alguns poucos quadradinhos, toda uma realidade futurista, um conto com dragões e princesas etc.

Entretanto, parece que mesmo a porção mais “cult” da indústria do entretenimento eletrônico teve que aprender a “enxergar” que, de fato, os gráficos hoje em dia têm um peso muito maior do que já tiveram um dia.

Afinal, mesmo sem apostar em uma realidade em que “bons jogos” sejam “jogos com bons gráficos”, é impossível descartar a importância das modernas tecnologias gráficas para o atual estágio de desenvolvimento dos games — sobretudo no que se refere às proporções atualmente conquistadas. Que o diga aquele famoso designer de civilizações antigas...

A sedução das imagensBelos gráficos como uma porta de entrada para novos jogadores
Mesmo o mais cético dos jogadores provavelmente teria dificuldades para fingir indiferença diante de alguns dos jogos mais belos e realistas da atual geração. Títulos como Heavy Rain ou, mais recentemente, Battlefield 3 trazem consigo um diferencial à toda prova: o apelo imediato aos nossos sentidos.

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Por isso mesmo, provavelmente seria difícil imaginar uma forma mais eficiente de avançar com as trincheiras do entretenimento eletrônico sobre novos públicos. “Eu costumava adorar a ideia de desafiar a imaginação dos jogadores”, afirmou o lendário Syd Meier em entrevista ao site Game Informer. “Mostrava a eles alguns poucos pixels em 16 cores e tentava convencê-los de que controlavam um império que deveria sobreviver ao teste do tempo”.

Entretanto, o designer conclui: “mas eu penso que, hoje, os jogadores realmente não estão mais dispostos a fazer esse investimento, então nós vamos trazer à vida mundos em 3D”. Para Meier, entretanto, as possibilidades trazidas pelas novas tecnologias gráficas foram capazes de ampliar o mercado atual de games de uma forma que teria sido impossível há alguns anos. “Você deve ignorar a sua descrença e estar disposto a entrar nesse mundo”.

Dessa forma, é bastante provável que os espetáculos visuais da atual geração tenham arregimentado uma enorme quantia extra de jogadores — eventualmente, retirando-os das poltronas dos cinemas. Entretanto, há uma pergunta que ainda deveria ser feita aqui: por quanto tempo ainda os gráficos conseguirão manter novos e velhos jogadores ligados a uma experiência de jogo?

A lição da NintendoMenos gráficos e mais criatividade?
Talvez seja uma verdade quase incontestável que o rápido e constante crescimento do poderio gráfico acabou por funcionar como uma verdadeira locomotiva para a indústria de jogos — se não acredita, basta lembrar-se de uma época em que “video games” eram apenas uma curiosidade tecnológica.

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Entretanto, há quem aposte que essa hegemonia (responsabilidade?) deve sofrer algumas mudanças durante as próximas gerações. Afinal, quem não se surpreendeu com o sucesso esmagador do Nintendo Wii — talvez não o melhor “video game” para alguns críticos... Mas certamente um dos melhores produtos trazidos pelo entretenimento eletrônico em vários anos, conforme vários números deixaram claro durante muito tempo.

Para o presidente da Electronic Arts, Peter Moore, o grande motivo gerador da atual geração são as experiências. Ou, mais precisamente, o quão única será a experiência trazida pelo seu próximo console. “É difícil ver o quão além nós ainda poderemos ir, partindo de uma perspectiva baseada no realismo e na fidelidade dos gráficos”, afirmou Moore em entrevista à revista EDGE.