A transmissão de dados e músicas pelo rádio parece cada vez mais coisa do passado. A popularização da internet móvel fez com que a transmissão radiofônica perdesse um de seus poucos trunfos, a transmissão de dados em tempo real. Com a possibilidade de acessar dados em qualquer lugar sem precisar de um receptor, parece que a velha prática de escutar músicas ou notícias sobre o trânsito estava fadada ao fim.

Porém, a tecnologia DAB (“Digital Audio Broadcasting” ou “Radiodifusão de Áudio Digital”) promete dar um novo fôlego ao meio de comunicação, promovendo uma verdadeira revolução tanto em matéria de estações disponíveis quanto em qualidade de transmissão. Com ela, não é mais preciso se preocupar com interferências presentes nas transmissões AM e FM, além de receber informações complementares em formato multimídia, como fotos, vídeos e mapas interativos.

As transmissões atuais de AM e FM são baseadas em sinais analógicos, deteriorados facilmente devido a interferências externas, como condições atmosféricas, falhas de sinais elétricos e condições geográficas como declives no terreno e presença de edifícios.

O DAB utiliza um sistema chamado Coded Orthogonal Frequency Division Multiplex (COFDM), que envia uma série de bits que podem ser reconhecidos mesmo na presença de interferências, garantindo a qualidade da informação transmitida.

O COFDM funciona ao dividir a uma única transmissão em milhares de sinais com menor ocupação espectral. Combinando isto com o uso de técnicas avançadas de modulação, o sinal resultante possui uma grande resistência a qualquer tipo de interferência. Por mais que alguns dos sinais sejam afetados por obstáculos, o receptor DAB é capaz de reconstruir e reproduzir a transmissão perfeitamente.

A maior vantagem de utilizar o COFDM é que não existe mais a necessidade de separar frequências na hora de transmitir diversas programações diferentes, no chamado sistema multiplex. Desta forma, é possível acessar diversas estações diferentes sintonizando somente uma freqüência, algo que seria impossível nas rádios AM e FM tradicionais.

Isto permite expandir o número de estações disponíveis, sem nenhum tipo de interferência. É mais ou menos como em um cinema moderno, permitindo que em um mesmo local o usuário tenha a sua disposição uma quantidade de programação bastante diversa.

O que diferencia uma transmissão da outra é a quantidade de bitrates utilizada por cada programação. Em uma comparação com um arquivo MP3 tradicional, é como comparar um arquivo em 320 Kbps com um em 192 Kbps. Por mais que ambos representem a mesma música, na prática possuem dados completamente diferentes, e é assim que o sistema DAB funciona. 

Por exemplo: em determinada freqüência sintonizada é possível escutar uma transmissão musical codificada em 256 Kbps, um programa falado gravado em mono utilizando 64 Kbps e ainda outra transmissão de músicas, dessa vez com uma qualidade de 128 Kbps. É claro, a qualidade do áudio resultante depende bastante do bitrate utilizado. Assim, programações que precisam de uma qualidade de reprodução melhor são feitas utilizando um bitrate maior, enquanto aquelas que precisam de menor fidelidade, como a transmissão exclusiva de voz, utilizam uma menor quantidade de bits.

Para garantir a qualidade sonora das transmissões, o DAB utiliza uma compressão altamente eficiente chamada de MUSICAM, também conhecido como MPEG Layer II, responsável por remover frequências dos sons que não são perceptíveis pelo ouvido humano. A taxa de amostragem utilizada pode ser de 24 ou 48Hz, e o nível de compressão depende do tipo de conteúdo que deve ser transmitido. Normalmente este valor é determinado pela provedora de conteúdo responsável pela programação transmitida.

A versão mais recente do DAB, chamada de DAB+ utiliza um codec diferente, conhecido como AAC+ ou aacPlus, três vezes mais eficiente do que o MPEG Layer II. Com isto, é possível transmitir muito mais estações em uma mesma frequência, sem perder qualidade de áudio. O problema de utilizar esta nova codificação é a necessidade de comprar novos receptores: quem já tem algum aparelho capaz de receber transmissões DAB convencionais não poderá receber transmissões DAB+.

A novidade mais promissora no que diz respeito à qualidade de transmissão é a tecnologia DAB Surround, desenvolvida pelos engenheiros alemães do instituto Fraunhofer. Esta nova forma de transmissão promete fazer com que até a melhor transmissão em FM pareça ter qualidade de áudio risonha quando comparada com o sistema DAB. Mais ou menos como comparar a qualidade de som de um CD com a de um antigo LP.

A nova tecnologia funciona da seguinte forma: certos parâmetros responsáveis por representar a imagem especial do áudio surround original são transmitidos em conjunto com um sinal mono ou stereo convencional. Quando a transmissão é recebida, os dados relativos ao sistema surround são decodificados e expandidos em um áudio de alta qualidade, com suporte a diversos canais de saída.

O resultado é uma qualidade de som impressionante, muito maior do que aquela encontrada em sistemas que simplesmente simulam um ambiente em surround. As informações extras que são enviadas representam pouco bitrate adicional, entre 4 a 10 Kbps. Desta forma, não há o problema de diminuir o número de estações disponíveis em uma mesma frequência devido à diminuição dos bitrates disponíveis.

A vantagem do DAB Surround é a possibilidade de utilizá-lo em conjunto com diversos codecs de áudio, o que o torna compatível tanto com o sistema DAB convencional quanto com o DAB+. Quem não tem um sistema surround não precisa se preocupar com incompatibilidade de sinal: como sempre acompanha um sinal em mono ou stereo convencional, estes serão reproduzidos normalmente caso o receptor utilizado não seja compatível com a nova tecnologia.

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