Talvez você não tenha ouvido falar, mas os bootcamps são um programa imersivo para formar profissionais de maneira mais rápida que uma faculdade normal. Eles são mais comuns fora do Brasil, mas por aqui já têm surgido empresas que oferecem esse serviço.

Na tecnologia, esses estudos são focados em ensinar as habilidades-chave, que permitem que uma pessoa consiga absorver conhecimento suficiente para trabalhar imediatamente. É como se fosse um curso técnico, só que mais intenso e em menor tempo — entre 2 e 3 meses apenas.

É uma estratégia que tem crescido muito e ganhado o apoio de grandes empresas, que abrem espaço para contratação de pessoas com essa formação. Porém, um ex-Googler, chamado Ross Williamson, experiente em contratação de profissionais de programação e desenvolvimento, alerta para as limitações dessa formação.

Segundo ele, os bootcamps são muito bem-vindos, mas quem ingressa nesse curso deve entender que suas capacidades precisam ser melhoradas com estudos complementares. Basta que, à medida que trabalha, a pessoa comece a estudar, especialmente duas competências-chaves: Estrutura de Dados e Algoritmos e Probabilidade e Estatística.

Para Williamson, essas duas matérias são de alta necessidade para a capacidade crítica, principalmente ao lidar com algoritmos mais complexos, como Big-O. Os conhecimentos passados pelos professores dentro dessas áreas são insuficientes para o dia a dia do profissional no mercado de trabalho.

O problema que vejo com os graduados do bootcamp é que eles não têm habilidade na análise Big-O. Um amigo meu passou por um dos maiores e me disse que eles dedicaram cerca de uma semana ao Big-O. Eles simplesmente não têm tempo para cobri-lo em profundidade

Vale mesmo a pena?

Quem se forma em Engenharia da Computação passa cerca de 4 anos estudando em detalhes, enquanto os alunos dos bootcamps o fazem em poucos meses. Olhando por esse lado, poderíamos desacreditar que a pessoa conseguisse avançar profissionalmente, afinal, em tese, seria um conteúdo de bagagem de mão.

Porém, a realidade é bem diferente. Mesmo em tempo corrido é possível sim aprender o bastante para trabalhar, inclusive em grandes empresas, como a própria Google. Quem procura uma mudança de carreira vê uma grande oportunidade para fazê-la, estudando em um curso imersivo desses. Porém, essa pessoa precisará entender que a sua capacidade só servirá para um cargo júnior e ela terá que se dedicar muito a aprender o que o curso não ofereceu.

O que você acha da ideia dos bootcamps? Conhece algum aqui no Brasil? Deixe a sua opinião nos comentários.

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