Em outubro de 2011, as Nações Unidas anunciaram que a população da Terra já ultrapassou os 7 bilhões de habitantes. A estatística surpreendente é um recorde na história da humanidade, já que nunca antes houve tantas pessoas dividindo o mesmo espaço e recursos naturais.

A divulgação do número revive uma questão antiga: a quantidade de humanos vivos supera a de mortos durante a história de nossa espécie? Segundo um estudo realizado pelo Population Reference Bureau, em Washington, a resposta é um grande e sonoro não.

Para chegar ao resultado, os responsáveis pelo projeto tiveram que realizar medições começando no surgimento do primeiro Homo sapiens, há aproximadamente 50 mil anos. O principal problema nesse sentido é que, para 99% do período em que humanos caminharam pela Terra, não existem dados precisos sobre o número de mortos e nascidos — situação que força os pesquisadores a trabalhar com adivinhações educadas.

Informações escassas

No começo de nossa história como espécie, precisávamos nos reproduzir em grande velocidade para conseguir sobreviver. Segundo a pesquisadora Wendy Baldwin, havia cerca de 80 nascimentos por grupo de 1000 pessoas — quantidade que parece absurda para os padrões atuais, em que há aproximadamente 23 nascimentos por grupo de 1000 indivíduos.

O grande valor era compensado pelo fato de a expectativa de vida ser muito baixa, o que fazia com que muitas das crianças nunca sobrevivessem para ter seus próprios descendentes. “Hoje, a expectativa de vida é de aproximadamente 75-80 (anos), e pela maior parte da história humana esse não era o caso”, explica Wendy.

A falta de registros faz com que seja muito difícil calcular com precisão a quantidade de pessoas que nasceram, viveram e morreram no decorrer de nossa história. “Temos estimativas de que durante a Idade Média houve pontos em que a expectativa de vida era de somente 10-12 anos, o que significa que muitas pessoas sequer saíram da infância”, complementa a pesquisadora.

Crescimento populacional recente

Os números se tornam mais precisos conforme se inicia o período em que há registros escritos, algo que começa a ser feito a partir do momento em que os países começam a coletar impostos de seus habitantes. O trabalho mostra que, em 1800, o planeta possuía uma população aproximada de 1 bilhão de pessoas, quantidade que aumenta até hoje.

Segundo Wendy, o período de maior crescimento populacional da humanidade aconteceu durante o período moderno, que compensa a falta de registros escritos que marca as fases anteriores da humanidade devido à quantidade de documentos confiáveis de que dispõe. Mesmo que as estimativas feitas sobre o período de vida inicial do Homo sapiens estejam ligeiramente incorretas, isso não seria o suficiente para influenciar o resultado final.

O relatório do Population Reference Bureau mostra que a população atual de 7 bilhões de habitantes em nada se compara com os 107 bilhões de humanos falecidos durante toda a nossa história. Isso significa que, para cada pessoa viva, aproximadamente 15 já deixaram de existir — o trabalho mostra que o número de mortos ultrapassou os 7 bilhões entre 8.000 a.C. e 1 d.C.

A probabilidade de que o número de humanos vivos vá superar o daqueles que já morreram é bastante improvável. Para que isso aconteça, teria de haver de 100 a 150 bilhões de indivíduos vivendo na Terra, número que parece muito improvável, ainda mais quando se leva em conta o fato de que as taxas de natalidade da nossa espécie diminuem em ritmo constante há décadas.

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