#AstroMiniBR: por que a Lua fica vermelha durante um eclipse lunar total?

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Imagem: Anthony Ayiomamitis (TWAN)
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Toda semana, o TecMundo e o #AstroMiniBR reúnem cinco curiosidades astronômicas relevantes e divertidas produzidas pelos colaboradores do perfil no Twitter para disseminar o conhecimento dessa ciência que é a mais antiga de todas!

#1: A Lua de sangue sem sangue

Na noite do último domingo (15) e na madrugada da última segunda-feira (16) ocorreu o primeiro eclipse lunar total deste ano e ele pôde ser observado de todas as regiões do Brasil (pelo menos dos lugares sem céu nublado, é claro).

Ao todo, o evento celeste durou cerca de cinco horas e foi marcado por sua característica cor avermelhada durante o eclipse. Por que isso ocorre? Isso tem a ver com a maneira como a luz se espalha. Um fenômeno físico conhecido como espalhamento de Rayleigh faz com que alguns comprimentos de onda de luz se espalhem mais do que outros em diferentes meios. Durante um eclipse lunar total, o Sol, a Terra e a Lua estão alinhados perfeitamente, de modo que o nosso planeta azul se interpõe no meio e impede que raios do Sol atinjam a Lua.

Mesmo que a Terra seja muito menor que o astro rei do Sistema Solar, os raios de luz são capazes de se curvar nas bordas do nosso planeta antes de serem refletidos na lua. Em outras palavras, a luz solar passa primeiro pela atmosfera da Terra e, durante essa jornada, partículas na atmosfera espalham preferencialmente a luz azul de comprimento de onda mais curto. Dessa forma, os comprimentos de onda dos tons de luz laranja e vermelha são emitidos em direção à superfície da Lua, conferindo a ela esses tons típicos que a fazem ser popularmente chamada de Lua de sangue durante um eclipse.

#2: Como os antigos podiam saber o formato da Terra?

E falando em eclipse lunar, a equipe do Céu Profundo, um grupo colaborativo de divulgação e educação científica em astronomia, publicou a imagem acima composta de uma combinação dos registros do eclipse lunar total do último dia 16. Nela, é possível ver uma síntese de todas as diferentes fases do fenômeno e, graças à composição das observações, o formato esférico do planeta Terra fica evidente a partir da projeção circular de sua sombra na superfície da Lua.

Por milênios, por conta dessa constatação, a visualização de um eclipse lunar total possibilitou que a humanidade conhecesse o formato do nosso planeta, sendo esse evento uma das principais evidências empíricas para astronomia antes da era moderna.

#3: Os últimos suspiros da missão InSight em Marte

A sonda da NASA, InSight (da abreviação em inglês para Exploração de Interiores usando Investigações Sísmicas, Geodésia e Transporte de Calor), está atualmente na superfície de Marte e foi inicialmente projetada para dar ao planeta vermelho a primeira análise geofísica completa desde a sua formação, há cerca 4,5 bilhões de anos, nos primórdios do Sistema Solar.

A missão é a primeira a enviar uma sonda robótica para estudar a natureza interna de Marte, analisando sua crosta, seu manto e o seu núcleo. Lançada no dia 5 de maio de 2018 a bordo do foguete Atlas V, chegou ao seu destino final – a superfície Elysium Planitia – em 26 de novembro de 2018. Desde então, a InSight buscou entender como um corpo rochoso se forma e evolui até se tornar um planeta, investigando de forma detalhada a estrutura interior e a composição química de Marte.

A sonda, porém, está com seus dias contados e logo se silenciará: ela está ficando cada vez mais fraca à medida que a poeira se acumula em seus painéis solares. Os cientistas preveem que até o final do ano ela não terá mais energia suficiente para continuar operando seus instrumentos. Mesmo que algum evento fortuito, como um redemoinho girando ao longo da paisagem marciana, por exemplo, pudesse aumentar sua sobrevida, limpando um pouco a poeira dos seus painéis, a equipe que gerencia a missão não conta com isso, uma vez que milhares de redemoinhos tenham sido detectados na área, mas nenhum conseguiu limpar a InSight.

#4: A sonificação do buraco negro central da Via Láctea

Menos de uma semana após o Observatório Europeu do Sul (ESO) divulgar a primeira imagem do buraco negro central da nossa galáxia, o Sagitário A* (Sgr A*), obtido a partir das observações do Event Horizon Telescope (EHT), agora nós também podemos “ouvi-lo”!

Usando uma varredura semelhante a um radar, a sonificação que você pode escutar no vídeo acima começa na posição equivalente à das 12 horas e varre no sentido horário, traduzindo a informação eletromagnética em frequências de som audíveis! Mudanças no volume representam as diferenças de brilho que o EHT observou ao redor do horizonte de eventos de Sgr A* e o material que está mais próximo do buraco negro e, portanto, se move mais rápido, corresponde a frequências mais altas do som.

#5: Onde estão os famosos Pilares da Criação?

Os Pilares da Criação referem-se à estrutura vertical de gás e poeira interestelar na Nebulosa da Águia, na constelação da Serpente, distante cerca de 7.000 anos-luz da Terra. As estruturas são chamadas assim porque estão em processo de criação de novas estrelas, ao mesmo tempo em que são erodidos pela luz de estrelas próximas que se formaram recentemente. Na imagem acima você consegue ver a exata localização dela em sua nebulosa hospedeira.