Estudo mostra quais células cerebrais são mais afetadas pela covid-19

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Você sabe o que são astrócitos? Estudo realizado no Brasil pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) em parceria com a USP (Universidade de São Paulo), aponta que essas células cerebrais são as mais afetadas pela infecção da covid-19, mesmo em casos leves.

O estudo, conduzido pelo laboratório de Neuroproteômica da Unicamp, contou com a participação de 74 pesquisadores, e realizou a análise de exames de ressonância de 81 pacientes, que se queixavam de problemas neurológicos, mesmo após dois meses da infecção por covid-19. Além dos exames de imagem, também foram analisados os tecidos cerebrais de pessoas falecidas em decorrência da covid-19 e material produzido com células-tronco.

Os exames realizados no Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, identificaram um ponto em comum: uma atrofia no lobo frontal do cérebro, na região responsável pelo raciocínio e atenção. Clarissa Yasuda, professora de neurologia da Unicamp, destaca que ver a atrofia em um grupo de pacientes que não foi internado e em um período tão curto não era esperado pelos cientistas. "Para a gente foi surpresa”, afirmou ao portal G1.

As queixas mais comuns dos pacientes são: fadiga, falhas na memória, dificuldade de concentração, lentidão no processamento de informações, dores de cabeça, ansiedade, depressão, decaimento cognitivo, entre diversas outras queixas neurológicas.

Astrócitos são as células mais abundantes no sistema nervoso central e tem formato estrelado.Astrócitos são as células mais abundantes no sistema nervoso central e tem formato estrelado.Fonte:  Shutterstock 

Mas qual o papel dos astrócitos nessa descoberta? Os astrócitos são as células mais abundantes no sistema nervoso central (SNC) que atuam ininterruptamente, e entre outras funções, dão sustentação aos neurônios e são fonte de nutrição para essas células. Com a contaminação dos astrócitos, os neurônios não são corretamente nutridos, o que pode levar à morte celular, e, consequentemente, gerar danos neurológicos.

O coordenador do Laboratório de Neuroproteômica da Unicamp, Daniel Martins de Souza, explica, que “quando esses astrócitos infectados são postos em contato com neurônios não infectados, esses neurônios morrem mais — até 60% mais do que quando os próprios neurônios são infectados.”

Com os sintomas superando o tempo de permanência do vírus no organismo, os próximos passos da pesquisa são “compreender como é a dinâmica do vírus no cérebro” e o que “pode ajudar, eventualmente, a prevenir sequelas, ou até ajudar no tratamento de pessoas que tenham sintomas neurológicos advindos de uma infecção desse tipo”, afirma Souza.

ARTIGO MedRxiv medrxiv.org/content/10.1101/2020.10.09.20207464v1

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