O poder que uma palavra tem é realmente grande. Dita pela pessoa certa, ela pode trazer a guerra ou a paz ao mundo. Mas você sabia que palavras conseguem até mesmo afetar a forma como pensamos, de acordo com as linguagens que sabemos?

Pequenas regras gramaticais e até mesmo a direção de escrita são suficientes para trazer enormes diferenças na forma como nosso cérebro funciona; algo que fica ainda mais claro quando fazemos uma comparação com os povos a nível global. Confira, a seguir, alguns dos fatos mais incríveis.

Fale inglês e culpe mais

Imagine-se na seguinte cena: seu irmão deixou um copo cair, que se estilhaçou completamente. Então, sua mãe pergunta o que aconteceu. Quem fala português, japonês ou espanhol provavelmente vai responder “o copo quebrou”.

Entretanto, a situação muda se você falar inglês. Nesse caso, sua resposta mais provável seria “meu irmão quebrou o copo”. Pode parecer uma questão cultural, mas na verdade é tudo uma questão gramatical.

O fato é que, de acordo com o The Wall Street Journal, pesquisas provaram que, na língua inglesa, o foco de uma frase tende sempre à pessoa que fez a ação, enquanto nas outras o ponto principal é aquele que a sofre.

Sem direções

Os conceitos de “esquerda” e “direita” são extremamente importantes para o ser humano. Eles são parte tão básica na nossa capacidade de localização que, mesmo se não houvesse um termo específico para eles, a ideia ainda existiria em nossas cabeças, certo? Não exatamente.

Na Nicarágua, há um grupo de crianças surdas que tinha sua própria linguagem de sinais, esta desprovida de nomes para ambos os lados. Elas foram submetidas a um teste em que eram colocadas em uma sala, vendadas e giradas. Depois, deviam encontrar um objeto que haviam acabado de ver — e que tinha sido escondido no local.

O que seria ridiculamente fácil para outras pessoas se revelou uma tarefa hercúlea para os garotos. Sem a visão e nem uma referência do posicionamento anterior, eles não sabiam como localizar a si mesmos na sala, quem dirá o objeto. Para encontrar o item, foi necessário muito mais tempo e esforço que em uma situação normal.

Dando nome às cores

Quem já visitou uma loja de materiais de construção ao menos uma vez na vida deve se lembrar daquelas cartelas de cor para tinta, em que muitos descobrem que existem tons como branco, gelo, marfim e osso.

Para a maioria dos homens, isso parece apenas uma invenção das mulheres e dos fabricantes de tinta por pura diversão. E um estudo feito pela Associação Psicológica Americana prova que temos razões para isso: o fato é que conseguimos ver a cor, mas ela não fica registrada em nossas mentes.

O motivo? É porque o nome daquela cor não foi ensinado para nós. Homens normalmente aprendem apenas os tons mais comuns, como vermelho, verde e azul, enquanto mulheres costumam ser ensinadas por suas mães a diferenciar bege e ocre, por exemplo, desde pequenas.

Isso não quer dizer que homens são incapazes de diferenciar tons, apenas que, por saberem menos nomes, eles tendem a agrupar uma quantidade enorme de cores em uma única. Dessa forma, ao pedir para que ele compare um cartão gelo e um marfim, lado a lado, ele conseguirá perceber que não são iguais, mas ambos ainda são “branco” para ele.

Em outros lugares do mundo, a situação muda tanto para melhor quanto para pior. Primeiro, temos o caso de uma tribo da Namíbia: lá, a linguagem utilizada por eles agrupa as cores laranja, rosa e vermelho como uma. Do lado contrário, estão os turcos e russos que separam o azul em dois, se ele for mais claro ou escuro.

O tempo é relativo

Pense em uma linha do tempo, onde uma ponta é o início e a outra é o fim. É provável que você tenha imaginado uma reta horizontal, que começa na esquerda e termina na direita.

A explicação para isso é bastante simples: pela forma como fomos ensinados a escrever, tendemos a enxergar o tempo como se estivesse começando na esquerda e terminando na direita. Isso causa um efeito bastante interessante quando vemos o caso do povo chinês. Sua língua, o mandarim, é escrita de cima para baixo; logo, a forma como eles enxergam o tempo é vertical.

A maneira como eles descrevem o passado e o futuro também é diferente da nossa. Enquanto nós falamos que algo está “para trás” e “por vir” ou até mesmo “ontem” e “amanhã”, eles dizem que tudo está “acima” e “abaixo”, respectivamente.

Indonésios, o povo fora do tempo

Como se a diferença acima não fosse bizarra o suficiente, há também o caso dos indonésios, cuja linguagem é completamente desprovida de tempo verbal; seja passado, presente ou futuro. Pode parecer que isso não faz grande diferença, além de deixar as conversas deles muito próximas do que foi visto em “Tarzan”, mas a repercussão é enorme.

Prova disso foi um teste feito pela Universidade de Stanford. Nele, três imagens eram mostradas para um grupo de indonésios, onde um jogador jogava futebol: na primeira foto, ele estava se aproximando. Na segunda, ele chutava a bola. E na terceira, ela já estava “voando”.

Quando questionados sobre a diferença entre as cenas, os candidatos simplesmente não souberam dizer qual era. Afinal, o jogador, a bola e o chute estavam todos ali.

Objetos e suas vozes

Se o teclado de um computador falasse, que voz você acha que ele teria? De um homem ou de uma mulher? Provavelmente pensou na primeira opção. E no caso de uma cama? Aqui, a resposta deve ser contrária. O motivo disso está no gênero do artigo que usamos na palavra – para aqueles que não estão em dia com a gramática, são “a”, “o”, "um", "uma" e seus plurais, que aparecem antes de um sujeito.

De forma simples, se ele está no masculino, o objeto é “macho”; se está no feminino, é “fêmea”. Isso afeta, inclusive, os adjetivos que usamos para os itens, que podem ganhar características fortes, ou delicadas, de acordo com o gênero que damos para eles.

Para quem acha que isso não deve influenciar em tudo, basta inverter os artigos de uma palavra, como, por exemplo, “a homem” e “o mulher”, e pensar na voz deles. Elas também ficam ao contrário, o que é de dar nó na cabeça.

Aqui começa a parte realmente confusa: assim como nos itens anteriores, as regras mudam de acordo com a linguagem usada. Se você estiver na França, um garfo – que lá tem o nome feminino fourchette – ganha uma voz de mulher; já na Espanha, onde ele é chamado el tenedor, o utensílio ganha uma voz masculina.

Por fim, há também o caso dos ingleses e americanos. Nesses países, eles tendem a dar adjetivos neutros porque, diferente dos exemplos citados anteriormente, sua língua não possui artigos masculinos ou femininos quando está se referindo a objetos, por exemplo – não há tradução equivalente em português para justificar o fato. Para esclarecer, podemos citar o artigo “the”: pense que “the pen” poderia significar tanto “a caneta” quanto “o caneta” em nossa língua materna. Confuso, não?

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