Astrônomos descobrem estrela de nêutrons 'bebê'

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Imagem: ESO/L. Calçada
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Um "recém-nascido" encheu a comunidade de astrônomos de entusiasmo: a estrela de nêutrons batizada como Swift J1818.0-1607, cuja idade estimada é de apenas 240 anos. O estudo, publicado agora na revista Astrophysical Journal Letters, traz a descoberta da equipe de astrônomos do Observatório Neil Gehrels Swift da NASA no último dia 12 de março, ao detectar uma emissão maciça de raios X a partir da constelação de Sagitário.

A estrela é, na verdade, um magnetar, restos extremamente densos de uma supernova (o Swift J1818.0-1607 tem o dobro da massa e o volume 1/1.000.000.000.000 menor que o Sol). Por isso, seu campo magnético é mil vezes mais intenso que o de uma estrela de nêutrons – ele é o magnetar mais jovem já descoberto.

"Na verdade, esse objeto está nos mostrando um período anterior à vida de um magnetar. Talvez, se entendermos a sua formação, possamos compreender por que há uma diferença tão grande entre o número de magnetares que encontramos e o número total de estrelas de nêutrons conhecidas", explicou a astrofísica do Instituto de Ciências Espaciais de Barcelona Nanda Rea.

Laboratórios para as leis da física

Ela é a principal pesquisadora dos projetos de observação do X-ray Multi-Mirror Newton (ou XMM Newton, um satélite de observação de fontes astrofísicas de raios X da Agência Espacial Europeia) e do Nuclear Spectroscopic Telescope Array (acrônimo em inglês NuSTAR), satélite da NASA lançado para estudar principalmente buracos negros.

Segundo a astrofísica, hoje existem catalogadas cerca de 3 mil estrelas de nêutrons; em contrapartida, são conhecidos apenas 31 magnetares, já incluído o bebê cósmico em questão. Por conta de sua gigantesca massa e seu volume pequeno, eles são laboratórios naturais para se testar as leis da física conhecida.

Dentro de uma estrela de nêutrons e, principalmente, de um magnetar, os átomos são esmagados de tal modo que se comportam de maneiras sem precedentes no mundo físico como o conhecemos. Observar um deles em sua juventude pode dar pistas de como esses estranhos objetos cósmicos se desenvolvem.

"O surpreendente é que eles são bastante diversos como população. Cada vez que você encontra um, ele conta uma história diferente, e acho que não conhecemos todos os tipos existentes no Universo", acredita a astrofísica e diretora do McGill Space Institute da McGill University, Victoria Kaspi, ex-integrante da equipe do NuSTAR.

Poder para dizimar planetas

Magnetares são associados pela astrofísica a erupções poderosas o suficiente para serem captadas em todo o Universo. Até agora, o Swift J1818.0-1607 somente emitiu amplos feixes de raios X. Normalmente, esses picos de energia duram de dias a semanas, quando então a estrela começa a diminuir seu brilho ao longo de meses ou mesmo anos, até voltar à sua normalidade.

Não apenas raios X são emitidos por magnetares: eles também são bombas de raios gama (a forma de energia mais poderosa do cosmos), quando sua crosta sofre um ajustamento súbito conhecido como starquake (algo como “terremoto estelar”), provocado pelo conflito e posterior ajuste das imensas forças a que ela está sujeita. O maior desses tremores foi detectado em 2004 a partir de uma estrela de nêutrons a 50 mil anos-luz. Se tivesse ocorrido a 10 anos-luz, teria dizimado a vida na Terra.

Ondas de rádio, a forma mais baixa de energia conhecida, também foram detectadas emanando do Swift J1818.0-1607. Estrelas de nêutrons que emitem ondas de longa duração são também chamadas de pulsares de rádio; existem cinco conhecidos, e o magnetar descoberto agora é um deles.

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