Um mapa tridimensional que retrata 650 bilhões de anos-luz cúbicos e 1,2 milhão de galáxias. Foi este o resultado do trabalho conjunto entre centenas de cientistas que, durante uma década, coletaram dados sobre a expansão do Universo.

A figura em 3D foi criada a partir do Baryon Oscillation Spectroscopic Survey (BOSS), um programa da Sloan Digital Sky Survey III (SDSS-III), órgão especializado na medição da radiação cósmica por meio das ondas de som emitidas após o Big Bang.

O registro é o mais completo já feito e sustenta não apenas o modelo cosmológico padrão, mas também a teoria de que a energia escura a responsável pela expansão das cerca de 100 bilhões de galáxias que existem Cosmos afora. Além disso, os dados coletados exibem a misteriosa energia de forma consistente na constante cosmológica (com margem de erro de somente 5%).

Acima, o mapa capturado pelo ROSS.

A "grande tolice" de Einstein

Einstein descobriu em 1929 “a grande tolice” de sua carreira, como disse o próprio teórico: é que ao propor sua Teoria da Relatividade Geral em 1916, o físico alemão não sabia que o Universo estava em expansão. Foi apenas no ano da Grande Depressão que o astrônomo americano Edwin Hubble revelou a descoberta de que nada, na realidade, é estável.

Para formular suas equações e trabalhar com um Cosmos estável, Einstein teve de introduzir um fator matemático de equilíbrio apelidado de “constante cosmológica”, simbolizado pelo caractere grego lambda.  Em 1988, descobriu-se ainda que a expansão não era apenas constante, mas aumentava cada vez mais – foi quando a teoria de que o Universo está repleto de energia escura também surgiu.

Nova interpretação sobre a teoria de Einstein concilia a constante cosmológica à expansão do Universo.

Hoje, entende-se que Einstein pode ter acertado ao falar sobre a “constante cosmológica” – agora, porém, o fator de correção matemática levaria em conta o processo de expansão e funcionaria, assim, como um tipo de força contrária à gravidade, o que geraria como resultado a cada vez mais acelerada expansão.

Uma questão de perspectiva

Cada ponto exibido pelo mapa representa uma galáxia à distância de seis bilhões de anos no passado no quadrante de apenas um vigésimo do céu visível – a abrangência dessa região é de seis bilhões de anos-luz de largura, 1,4 bilhões de anos-luz de altura e 500 milhões de anos-luz de espessura. São representadas 48.471 mil galáxias, o que representa 3% da área estudada pelo BOSS.

Os objetos em amarelo simbolizam as galáxias mais próximas da Terra; os em roxo, mais distantes. A ausência de dados é representada pelas áreas em cinza. A título de perspectiva, pode-se levar em conta a hipótese de que cada galáxia possui 100 bilhões de estralas. Significa que poderiam haver 874.100.000.000.000 estrelas na imagem capturada. Em um mapa completo, seriam cerca de 100 quadrilhões de estrelas (o número um seguido de 10 zeros).

Recorte corresponde a apenas 10% do que já foi estudado sobre galáxias até agora.

Em 3D

Acima, um recorte em 3D do Universo pode ser visualizado. À esquerda, e partir de um recorte de 1 mil graus quadrados do céu, há em torno de 120 mil galáxias. “Vemos uma conexão dramática entre as impressões de ondas sonoras vistas no fundo cósmico de micro-ondas 400 mil anos após o Big Bang até o agrupamento das galáxias de 7 a 12 bilhões de anos depois”, explica Rita Tojeiro, pesquisadora do BOSS e professora da Universidade de St. Andrews, na Escócia.

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