As funções da superfície de vidro sobre seus smartphones e tablets atualmente se limitam a permitir que as informações dos seus toques e a luz das imagens passem de um lado para o outro. No entanto, uma equipe de pesquisadores da Polytechnique Montreal pretende mudar esse quadro, fazendo com que os displays do futuro também sirvam como uma camada extra de segurança para os seus aparelhos.

O grupo desenvolveu uma nova técnica que possibilita a criação de sensores dentro das placas do Gorilla Glass, permitindo que eles reajam ao ambiente sem a necessidade de cabos ou detectores adicionais. A tecnologia é baseada em uma guia óptica de ondas incrustada no vidro, permitindo o rastreamento de mudanças luminosas ao canalizar os fótons (pequenas partículas luminosas) por meio de si mesmos – assim como os circuitos guiam os elétrons.

Essa forma, dependendo da luz que incidir sobre o aparelho, pode ser usada para detectar certos parâmetros externos. Até o momento, os pesquisadores uniram dois tipos de sensores. O primeiro é um interferômetro Mach-Zehnder (MZI, na sigla em inglês), que usa informações sobre sutis deformações no vidro causadas por mudanças de calor para calcular a temperatura do ambiente externo.

Escudo transparente

Já o segundo sensor consiste em uma guia de ondas customizada que, ao detectar a luz infravermelha que passa pelo vidro, consegue determinar se o aparelho em que se encontra realmente é aquele que diz ser, e não um dispositivo roubado ou clonado. Dessa forma, seria possível programar smartphones e tablets para que fossem bloqueados permanentemente nesses tipos de situações.

Ambos os sensores são completamente transparentes, de forma que não é possível notá-los ao olhar para tela. Por esse motivo, seria possível encher o visor dos aparelhos com vários deles, até mesmo empilhando-os uns sobre os outros, sem obscurecer as imagens exibidas no display ou diminuir a sensibilidade aos toques. A longo prazo, isso poderia até ser a chave para dispositivos totalmente transparentes.

Com o avanço da tecnologia, seria possível transferir muitos dos detectores atualmente utilizados para dentro do vidro dos gadgets. Isso não apenas liberaria espaço dentro dos aparelhos, mas também economizaria energia da bateria, já que os sensores seriam alimentados pela luz.

Em um futuro não tão distante

Embora a Corning esteja diretamente envolvida no projeto, não há planos para inseri-lo no Gorilla Glass por enquanto. Atualmente, a Polytechnique Montreal busca fabricantes que estejam dispostas a colocar os sensores em hardware já finalizado e afirma que ela poderia estar pronta para produção e distribuição no mercado dentro de um ano.

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