A subsecretária municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Cláudia Lunardi, em entrevista para o Bom Dia Rio, admitiu que o Sistema de Centrais de Regulação (Sisreg) do SUS é falho: o paciente não sabe em que posição se encontra na fila de espera e ainda é possível burlar esse programa.

O Sisreg é um serviço do SUS que permite o controle e regulação dos recursos hospitalares e ambulatoriais especializados nos níveis municipal, estadual e regional, nota o G1. A plataforma serviria para agilizar a fila de pacientes que aguardam um atendimento — no Rio de Janeiro, existem pacientes que esperam um procedimento simples há mais de três anos.

Ele não sabe exatamente qual é o lugar dele, em que posição

De acordo com auditoria do Tribunal de Contas Município do Rio (TCM, os pacientes que esperam por exames e até cirurgias de baixa complexidade estão saindo do Sisreg para atendimento externo.

“O Sisreg, ele é um sistema centrado para dentro da unidade. O que é isso? Ele é feito para o relacionamento entre unidades, subentendendo que o paciente, ele é muito importante para aquele sistema, correto? Ele tem um número geral. O que que é isso? Cada paciente, uma vez cadastrado, eu, o senhor, qualquer um de nós, existe um número de solicitação. É um protocolo? Não, não, é um número de solicitação que ele transita. Só que ele é único. Então, por exemplo, ele vai ser único no sistema ambulatorial. Ele é atrelado a uma data também”, explica o que é o sistema a subsecretária Lunardi.

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  • Durante a entrevista, o Bom Dia Rio perguntou se maneira direta: pelo aplicativo, o cidadão sabe em que posição ele está na fila? A resposta foi a seguinte:

“Não. Ele consegue saber se foi solicitado o serviço dele, entendeu? E se está pendente e se foi agendado. As unidades têm consciência de que é uma fila [apenas as unidades enxergam a fila]. Entendo que a transparência para o paciente ainda não existe de forma plena. Ele não sabe exatamente qual é o lugar dele, em que posição. A numeração que o sistema dá é dessa forma”.

Qualquer sistema é vencível, quando você quer vencê-lo

Segundo Lunardi, há um “critério técnico, que depende de cada modalidade de atendimento”, para escolher quem vai ser atendido. “Por exemplo, o paciente que descolou a retina tem um tempo pra ser atendido. Ele é sempre mais urgente, precisa ser operado. Estou falando de oftalmologia porque é um grande clamor, né? Precisa ser operado num prazo máximo de 60 dias. Então esse paciente sempre vai ser um paciente vermelho pro sistema”.

Dessa maneira, o Bom Dia Rio pergunta sobre a preocupação de furarem a filha: se o cidadão não enxerga o seu lugar na fila, como é que vou saber se alguém furou a fila? É possível saber?

“Você tem que avaliar os critérios, você tem que fazer uma avaliação retroativa depois no sistema. O princípio primário é da confiabilidade do servidor público. O servidor público protege o seu próprio paciente, por isso tá muito descentralizada a maior parte dos processos, para que a unidade básica proteja o seu paciente. Ninguém vai ter controle total de nenhum processo de trabalho, né? Qualquer sistema é vencível, quando você quer vencê-lo, mas eu acho que essa prefeitura não quer vencer o sistema. Ela quer fazer com que o paciente chegue ao serviço, senão a gente não teria isso”.

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