Precisa consultar o seu email? Enviar uma mensagem? Ver as fotos de uma viagem antiga? Passar o tempo com algum joguinho? Verificar o calendário? Fazer uma anotação? “É fácil. Basta apenas sacar o seu smartphone do bolso e pronto”. Essa deve ter sido a resposta que muitos imaginaram para essas questões, e não há nada de errado com ela.

Entretanto, saber que essa seria a solução encontrada por várias pessoas acaba indicando um problema que já é encarado como doença e até calculado por aplicativos: o vício em smartphones. Segundo apontam alguns estudos, os brasileiros não conseguem largar os dispositivos móveis nem mesmo durante suas férias. Além disso, os celulares são considerados o inimigo número 1 das empresas, e já há países que tentam combater o vício dos jovens.

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A magnitude do problema

Segundo psicólogos, os smartphones se tornaram uma parte essencial da nossa vida social. “De acordo com uma pesquisa com jovens estudantes taiwaneses, os celulares complementam os telefones fixos como um meio de fortalecer os vínculos familiares dos usuários, ampliando suas capacidades psicológicas e facilitando a proximidade simbólica com as pessoas”, conclui um estudo sobre o assunto.

Além disso, de acordo com James Harkin, autor de um livro sobre o impacto da tecnologia em nossas vidas, os smartphones são “importantes para o conceito moderno de identidade” porque eles agem como “objetos que geram conforto e antídotos para o ambiente hostil da sociedade”.

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Constatação

Para comprovar o que já é defendido por muitos estudos, o psicólogo Russell Clayton resolveu fazer um teste – descrito no livro “The Extended iSelf”, de sua autoria – bastante interessante envolvendo alguns usuários de smartphones. A avaliação contou com 40 pessoas, divididas em dois grupos, que foram convidadas para responder caça-palavras em salas individuais e testar um falso equipamento medidor de ansiedade que operava sem fio.

Ao primeiro grupo, os pesquisadores disseram que, enquanto eles resolvessem o caça-palavras, dois passarinhos seriam mortos a pedradas na sala ao lado. Com a desculpa de que o smartphone poderia atrapalhar o funcionamento do falso medidor de ansiedade, o segundo grupo foi convidado a deixar os celulares em uma mesa próxima onde seus donos pudessem vê-los durante a realização do teste.

Quero meu smartphone :(

Em determinado momento, Russel Clayton fez ligações para os celulares dos avaliados, deixando-os tocar por alguns segundos antes de desligar. Depois de resolver os caça-palavras, os dois grupos foram convidados para responder um questionário sobre o nível de ansiedade e o quão prazeroso foi realizar aquele teste.

O que é pior? Saber que passarinhos vão morrer ou uma ligação perdida no celular?

Por mais incrível que pareça, o estudo revelou que as pessoas se sentiram mais desconfortáveis e ansiosas por estarem longe de seus smartphones do que por saberem que passarinhos iam morrer. A conclusão dos pesquisadores é de que a separação das pessoas de seus aparelhos pode causar impactos no humor, atenção e na performance cognitiva.

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Ainda de acordo com os pesquisadores, esses impactos não estão relacionados apenas às tarefas simples, como a solução de um caça-palavras. Estar longe do smartphone provavelmente também produz efeitos negativos em outras atividades do nosso dia a dia, como dirigir, comer e até mesmo interagir com as pessoas.

Uma desvantagem desse e de outros estudos do gênero é o fato de levar em consideração um grupo muito pequeno de pessoas. Entretanto, os resultados são expressivos e mostram uma verdadeira dependência existente entre os smartphones e seus donos.

O vício do smartphone.

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E você? O que o deixaria mais desconfortável e ansioso: saber que passarinhos estão sendo brutalmente assassinados na sala ao lado ou ficar alguns minutos longe do seu smartphone?

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