8 vezes que empresas voltaram atrás por pressão da internet

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Apesar de ser um ambiente que democratizou o acesso à informação, a internet é um espaço bastante hostil. Acessar principalmente as redes sociais pode ser uma experiência frustrante, já que o volume de reclamações pode ser alto independentemente do motivo. Contudo, é fato que a quantidade de contestações já fez muitas grandes empresas repensarem decisões "polêmicas".

Mais recentemente, houve o caso da plataforma OnlyFans, que desistiu de banir conteúdos sexuais após protestos de produtores de conteúdo. Assim como o "site de nudes", gigantes como Google, Sony e Microsoft já deram um passo para trás após considerarem o backlash gerado por algum anúncio. Pensando nisso, o TecMundo lembrou oito vezes que as empresas voltaram atrás por causa da pressão da internet.

1. OnlyFans

Um dos casos mais recentes de mudança de política foi do site OnlyFans. A plataforma oferece para produtores de conteúdo a possibilidade de monetizar fotos, vídeos e outros materiais exclusivos. Depois de se notabilizar pela presença dos "sex workers", que trabalham no mercado do sexo, a empresa resolveu banir o material que esses profissionais produzem.

Em 19 de agosto, a companhia comunicou que a partir de 1° de outubro não iria mais permitir conteúdos sexualmente explícitos no site. De acordo com as investigações, a decisão foi tomada por pressão de investidores e de bancos que financiam o sistema.

OnlyFans

Em 25 de agosto, menos de 1 semana depois, o OnlyFans voltou atrás. "Obrigado a todos por fazerem suas vozes serem ouvidas. Obtivemos as garantias necessárias para apoiar nossa comunidade diversificada de criadores e suspendemos a mudança de política planejada para 1º de outubro", disse no Twitter depois de ser alvo de milhares de reclamações de pessoas que ganham a vida na plataforma.

2. Sony

Após muitos rumores sobre o assunto, no fim de março deste ano a Sony anunciou que realmente fecharia suas lojas online de jogos do PlayStation 3 e dos portáteis PS Vita e PSP. O assunto deixou bastante gente chateada, já que com a decisão os donos desses video games não poderiam mais comprar games digitais na PlayStation Store.

O assunto rendeu bastante nas redes sociais, pois mesmo os aparelhos já tendo certo tempo no mercado ainda têm muitos fãs. Após o anúncio oficial, o assunto tomou conta das mídias e muita gente reclamou da nova política da Sony.

Depois de dias sendo pressionada, a gigante japonesa decidiu voltar atrás. "Após refletirmos, no entanto, ficou claro que tomamos uma decisão equivocada. Portanto, hoje, tenho a satisfação de comunicar que manteremos a PlayStation Store operacional para os dispositivos PS3 e PS Vita", disse Jim Ryan, CEO da Sony, em comunicado.

PS3

No texto, o executivo explica que a nova decisão deixaria "a história viva" dos jogos da marca, o que era justamente uma das principais reclamações dos jogadores, já que teoricamente as versões digitais dos jogos de PS3 e Vita seriam apagadas. "Obrigado por compartilhar sua opinião conosco, pois sempre ouvimos e apreciamos o suporte da nossa comunidade PlayStation", finalizou.

3. Google

Em setembro de 2018, o Google Chrome completou 10 anos no mercado, sendo que àquela altura já era um dos navegadores mais populares do mundo. Para aproveitar as festividades, a gigante de Mountain View revelou que estava pensando em eliminar o "www" das URLs.

"Queremos chegar a um lugar no qual a identidade da web seja inteligível para todos — que eles saibam com quem estão falando quando usam um site e possam refletir se é possível confiar", chegou a argumentar Adrienne Porter Felt, então diretora de Engenharia da empresa, ao site Wired.

Google Chrome

Menos de 2 semanas após tornar pública a ideia, o Google deu o braço a torcer e disse que desistiu da ideia, pelos menos por um tempo. Uma das críticas nas redes sociais era que a eliminação do "www" e do "m", que indica que um site está na versão mobile, poderia facilitar golpes cibernéticos.

Apesar da reclamação geral, no fim de 2019 a Google resolveu implementar de vez o recurso. A partir da versão 76 do Chrome, ele já está habilitado para esconder o "www" das URLs. Para acalmar os críticos, porém, a gigante atualmente permite que o endereço completo apareça quando o usuário clica na URL.

4. Twitter 

Em 2016, o Twitter começou a implantar uma importante mudança na rede social. Os tweets, que eram exibidos na linha do tempo a partir de uma ordem cronológica, começariam a ser mostrados com base em uma análise de algoritmos que selecionavam as publicações por ordem de importância.

A mudança deixou muita gente chateada, já que a classificação antiga era bastante popular. E a empresa até resistiu por bastante tempo à decisão, mas em 2018 as coisas mudaram. Em uma série de tweets, a conta oficial da companhia disse que retomaria a classificação por ordem cronológica. A partir de então, os usuários poderiam escolher qual forma era melhor para organizar as publicações.

Twitter

"Aprendemos que, ao mostrar os melhores tweets antes, as pessoas acharam que o Twitter é mais útil e relevante. Porém, ouvimos críticas de pessoas que, às vezes, preferem ver os tweets mais recentes. Nosso objetivo com a timeline é equilíbrio, mostrando a você os tweets mais recentes com os melhores tweets com os quais você pode se importar, mas nem sempre acertamos esse balanço", pontuou a companhia na época.

5. WhatsApp

Mesmo sendo adquirido pelo Facebook em 2014, o WhatsApp segue se integrando à rede social de Mark Zuckerberg. No início de 2021, o mensageiro anunciou uma nova política de privacidade que, entre outras coisas, revelava que as duas plataformas trocariam dados e informações dos usuários (o que as empresas negaram que aconteceria).

Para forçar as pessoas a aceitar as novas regras, o WhatsApp ameaçou bloquear ou pelo menos limitar a conta de quem não aceitasse as políticas. Entre as punições, a companhia chegou a divulgar que quem não desse o aceite não poderia acessar a lista de conversas, por exemplo.

Depois de muita polêmica, em um caso que foi parar até na Justiça em outros países e em órgãos de defesa de consumidor no Brasil, o WhatsApp deu um passo atrás. A marca desistiu de punir quem não aceitasse as novas regras após a medida "pegar mal" nas redes sociais. Atualmente, o app já trabalha em uma atualização que permitirá que o aceite às políticas seja completamente opcional, sem prejuízos para quem optar por não se adequar às novas regras.

WhatsApp

6. Microsoft

Em maio de 2013, durante uma E3, a Microsoft revelou ao mundo o Xbox One, seu console de 8ª geração que concorreria com o PlayStation 4, que havia sido anunciado poucos meses antes. Porém, o que era para ser um lançamento empolgante acabou se tornando uma grande decepção para os fãs.

A marca norte-americana explicou, logo na revelação do video game, que ele não rodaria jogos usados. Ou seja, as pessoas não poderiam emprestar um jogo em mídia física para os amigos. Como se não bastasse, foi dito que o console deveria se manter conectado à internet para funcionar, impedindo que ele pudesse ser utilizado completamente offline.

As decisões pegaram muito mal para a Microsoft, que foi criticada não só pelos jogadores como também pela mídia especializada, que enxergou as decisões como proibitivas para boa fatia dos gamers. Obviamente, a gigante da tecnologia se arrependeu e desistiu a ideia.

Xbox One

Em uma publicação no blog oficial do Xbox chamada "Seu feedback importa", a empresa explicou que tinha ouvido os fãs e decidido mudar a política. O produto não teria mais travas para jogos usados e não precisaria de conexão constante com a internet para rodar jogos offline.

7. Instagram

Em 2019, o Instagram publicou que estava testando uma ferramenta que ocultava o número de curtidas de uma publicação. À época, a medida foi anunciada como uma forma para desestimular a "competição por likes" e tornar a rede social um local que oferecesse menos pressão social.

Os testes duraram bastante tempo e foram realizados inclusive no Brasil, que é um dos países que mais acessam o serviço. Durante mais de 2 anos, o Instagram disse que ouviu feedbacks negativos sobre a medida e decidiu lançar um "meio-termo".

Instagram

Em maio deste ano, a empresa anunciou que deixaria a cargo dos próprios usuários a decisão de exibir ou não as curtidas para terceiros. "Usuários da plataforma e especialistas nos disseram que algumas pessoas gostaram de não ver o número de curtidas, mas que outras se incomodaram com isso, principalmente porque se baseiam nesse número para saber o que ganhou popularidade ou está em alta. Por isso, você poderá escolher se deseja ou não ver o número de curtidas", salientou a companhia em postagem em seu blog oficial.

8. Apple

No começo de agosto, a Apple anunciou uma nova ferramenta que deve vasculhar o serviço Fotos do iCloud em busca de Material de Abuso Infantil (CSAM, na sigla em inglês). A tecnologia da gigante mistura conceitos de NeuralHash e intersecção de conjuntos privados para avaliar se usuários suspeitos armazenam materiais contendo pornografia infantil e que são similares aos que estão em posse de entidades que combatem esse tipo de crime.

O anúncio gerou uma revolta imediata de especialistas em segurança e privacidade na internet. Uma carta aberta assinada por mais de 6 mil pessoas, incluindo o ex-agente da National Security Agency
(NSA) Edward Snowden, pediu para que a empresa reconsiderasse a medida.

iCloud

Um especialista consultado pelo TecMundo explicou a tecnologia e compartilhou a opinião de que a ferramenta da Apple pode gerar problemas de segurança. O caso gerou estranheza, já que a própria Maçã admitiu ter preocupação com a medida.

Depois de muito debate, nesta sexta-feira (03) a empresa divulgou um comunicado ao site TechCrunch dando um passo atrás na decisão de "fiscalizar" as fotos no iCloud. "Com base no feedback de nossos consumidores, grupos de defesa, pesquisadores e outros, decidimos reservar um tempo adicional nos próximos meses para coletar informações e fazer melhorias antes de lançar esses recursos de segurança infantil extremamente importantes", diz um trecho do comunicado.

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