Aqueles que estão mais antenados com o mundo da tecnologia, especialmente em relação aos aparelhos portáteis, já devem ter ouvido falar da MediaTek e estão acompanhando o seu crescimento acelerado nos últimos anos.

A companhia taiwanesa, focada no desenvolvimento de chipsets para todo tipo de aparelho eletrônico, ganhou grande notoriedade em 2013 quando anunciou aquele que foi considerado o primeiro processador octa-core “de verdade” — isso porque o componente foi pioneiro em fazer com que uma CPU usasse seus oito núcleos ao mesmo tempo.

Durante a última edição da Computex 2015, nós recebemos um convite e tivemos a oportunidade de visitar a sede da empresa em Hsinchu, cidade localizada a aproximadamente 85 km de Taipei, a capital de Taiwan. Lá pudemos conhecer um pouco melhor a MediaTek, e é isso o que você confere neste artigo.

MediaTek em números

No início do ano passado, nós já havíamos publicado um pouco da história da MediaTek e de como ela estava ganhando terreno dentro do mercado de smartphones. Desta vez, a companhia nos forneceu mais alguns números da sua atual estrutura e desempenho.

Atualmente, ela possui mais de 12 mil empregados, os quais estão espalhados por 27 escritórios em 12 países. A sede principal da empresa é um prédio com 11 andares. Porém, existem outros edifícios na cidade e em Taipei, totalizando cerca de 6 mil empregados apenas em Taiwan.

A infraestrutura do headquarter faz jus à relevância que o nome da companhia tem alcançado: os funcionários contam com quadras poliesportivas, academia de ginástica e até uma Starbucks. A tradicional educação asiática fica bem aparente na hora do almoço, quando os colaboradores são os responsáveis por lavar a louça usada na refeição — o que é também um sinal da preocupação da empresa com o meio ambiente ao deixar de usar pratos e copos plásticos.

Mas os investimentos da MediaTek não têm acontecido apenas na sua estrutura. Durante sua apresentação, Russ Mestechkin, diretor corporativo de vendas na América Latina, revelou que a companhia gastou US$ 7 bilhões em pesquisa e desenvolvimento nos últimos 11 anos. Coincidência ou não, a empresa obteve um faturamento parecido em 2014: US$ 7,019 bilhões.

O ganho é expressivo, ainda mais se olharmos para pouco tempo atrás. Por exemplo, em 2011 o lucro da empresa foi de US$ 2,89 bilhões. Com tal crescimento acentuado, hoje ela é a terceira maior empresa de desenvolvimento de chips do mundo (lembrando que a MediaTek não fabrica os componentes), atrás apenas de Qualcomm e Broadcast. Nesse ramo específico, a companhia aparece até mesmo na frente de marcas de peso, como a AMD.

O alvo

A empresa taiwanesa tem um portfólio bem variado e voltado para os setores mobile, de entretenimento e de conectividade. Assim, ela possui chipsets para TVs, players de Blu-ray, video games, smartphones, tablets, aparelhos de som, GPS, roteadores, entre outros. Ao longo da sua história, a companhia estabeleceu parcerias com marcas renomadas, incluindo Garmin, Sony, Alcatel, Panasonic, Pioneer, LG, HTC e muitas outras.

Embora seja conhecida por estar presente em inúmeros modelos de entrada dessas diversas categorias de dispositivos, a MediaTek visa atualmente o nicho de aparelhos intermediários. Esse segmento é conhecido como Super-mid e corresponde a aproximadamente 80% do mercado de eletrônicos.

É por serem a base desse consumo de equipamentos com especificações medianas que os países emergentes como China, Índia e Brasil, além das nações que compõem a América Latina, têm sido alvo de investimentos pesados da companhia em branding e ações de marketing — não só para aumentar as vendas, mas para fazer com que a marca MediaTek esteja associada também a componentes de altíssimo desempenho e que estejam presentes em dispositivos top de linha.

Tais iniciativas já começam a dar retorno e hoje, por exemplo, um a cada três smartphones comercializados na América Latina possui um chip projetado pela empresa taiwanesa. Por aqui, duas marcas que adotam seus dispositivos são Positivo e Multilaser. Além disso, conforme informado por Joey Lee, gerente de marketing, uma pesquisa realizada na MWC 2015 aponta que o nome da companhia já é relacionado com aparelhos premium por 52% do mercado — avaliação que fica bem próxima à da Qualcomm, por exemplo.

Uma proposta diferente

Para abocanhar esse mercado, a MediaTek tem uma proposta pouco comum: democratizar a computação. Com a campanha Everyday Genius, a empresa pretende levar a tecnologia para o maior número de pessoas possível, desde um centro de distribuição em Dubai até um mercado informal na Nigéria — promovendo benefícios para agricultura, educação, saúde e serviços em geral.

A melhor maneira de viabilizar isso é oferecendo componentes com preços mais acessíveis. Para tanto, a empresa trabalha com um modelo diferenciado de desenvolvimento. Em vez de tocar projetos de forma individual, como normalmente ocorria na companhia, ela passou a fomentar o desenvolvimento por vários grupos de colaboradores de áreas distintas.

Dessa maneira, a MediaTek consegue criar hardwares, softwares e os meios de comunicação entre eles com maior eficiência, o que resulta na disponibilização de novas tecnologias em menor tempo e, consequentemente, na redução de custos. É assim que a empresa busca atingir sua missão de promover plataformas para que outras empresas possam aplicar suas ideias e a rotina dos consumidores se torne mais prática e “inteligente”.

Foco nos portáteis

Ao longo das apresentações a que assistimos na sede da MediaTek, especialmente as de Yen-Chi Lee, diretor de marketing de produto, e Yn Chien, responsável pela divisão de chipsets para tablets, não restaram dúvidas de que o foco de desenvolvimento da empresa na atualidade são os equipamentos portáteis.

Os investimentos da companhia em pesquisas relacionadas a esse segmento passam de US$ 1,5 bilhão, e a prova de que isso tem dado certo são os 350 milhões de celulares vendidos no último ano. O próprio portfólio da empresa mostra isso com linhas para todas as categorias de portáteis.

A série MT65 é voltada para dispositivos de entrada, enquanto a MT67 já consegue aguentar a demanda de processamento de aparelhos intermediários. A família Helio P atua em modelos que transitam entre os intermediários e os premium. Por fim, a série Helio X foi criada para os dispositivos com performance “extrema”.

Para a MediaTek, o grande desafio hoje é aperfeiçoar a eficiência energética dos smartphones e tablets. Os aparelhos possuem telas cada vez maiores e estão mais potentes, exigindo um consumo maior de bateria. A intenção da empresa é equilibrar isso, ou seja, permitir que os eletrônicos ofereçam a melhor experiência possível com um baixo gasto de energia.

Deus grego

A MediaTek reforçou que a estrela do seu portfólio é a família de SoCs batizada de Helio — nomenclatura inspirada no deus chamado Hélio (Helios, em inglês), que é a personificação do Sol na mitologia grega.

Um dos componentes que integram essa linha é o Helio P10, um chipset de oito núcleos que poderá possibilitar a fabricação de smartphones ainda mais finos. Os destaques dele são as tecnologias Ultra Dimming e BluLight Defender, que atuam como filtros que evitam danos à visão sem que o display perca fidelidade de cores.

Os irmãos mais parrudos são o Helio X10 — presente em modelos já disponíveis em alguns mercados, como o LeTV 1, o HTC One M9+ e o HTC One E9+ — e o Helio X20, o qual marca a chegada dos SoCs com três clusters e 10 núcleos.

Esse último chama atenção por atuar com um consumo de energia até 30% menor e por contar com suporte para uma série de tecnologias. Uma delas é a TruBright, um sensor ultrassensível RWWB que possibilita a captura do dobro da luminosidade conseguida pelo tradicional sensor RGB — resultando em fotografias com melhorias na resolução de cor e na nitidez. Outros destaques são a possibilidade de detectar batimentos cardíacos usando a câmera e a compatibilidade com displays inteligentes que diminuem a luminosidade para evitar a fadiga visual durante leituras em lugares escuros.

O Helio X20 pode até ser adotado em câmeras DLSR, promovendo recursos que permitem a visualização do efeito de desfoque em torno de um objeto em tempo real, e viabilizar o uso de displays com 120 fps, prometendo navegação mais suave e reprodução de conteúdos visuais com maior nitidez. Caso queira saber mais detalhes desse componente, clique aqui e confira a entrevista que fizemos com Finbarr Moynihan, vice-presidente de vendas corporativas internacionais da empresa.

Apostando alto no futuro da IoT

Mais do que falar do passado e do presente, a MediaTek revelou que desde já está apostando alto no futuro da Internet das Coisas (Internet of Things ou simplesmente IoT). A companhia taiwanesa pretende que seus produtos estejam embarcados nos mais variados eletrodomésticos, eletrônicos e objetos que constituirão as “casas inteligentes”.

Após desenvolver chipsets com suporte WiFi, como apontou SR Tsai, gerente geral da unidade de negócios de conectividade da empresa, ela está empenhada em criar componentes das mais distintas categorias que possam se comunicar de maneira eficiente e segura — indo da solicitação de permissão de acesso até a análise comportamental dos usuários.

Uma das peças-chave dentro da IoT são os wearables, contou Tony Chiang, gerente de marketing de produto. Isso porque, na visão da companhia taiwanesa, serão os dispositivos vestíveis (como smartwatchs e fitness bands) os responsáveis pela coleta de dados e interação dos usuários com os demais equipamentos das smart houses e até mesmo com automóveis “conectados”.

O encerramento das apresentações contou com a ilustre presença de C.J. Hsieh, presidente da MediaTek, e David Ku, CFO da companhia. Os executivos reafirmaram a missão da empresa em democratizar a tecnologia e a intenção de expandir sua atuação não só no mercado asiático, mas também nos países emergentes e de toda a América Latina.

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